Mariana Kotscho
Busca
» MENOPAUSA

Pulseira inteligente que monitora hormônios femininos em tempo real pode melhorar a menopausa

Startup americana desenvolve uma pulseira fashionista que rastreia hormônios femininos sem coleta de sangue

Vanessa Kopersz* Publicado em 17/03/2026, às 06h00

Foto da pulseira Claire em cor rosé no pulso de uma mulher
A pulseira inteligente que monitora hormônios - Foto: Divulgação Claire

A startup americana Clair, fundada por quatro pesquisadoras de Stanford, desenvolveu uma pulseira que monitora o ciclo menstrual e os níveis hormonais femininos em tempo real, prometendo revolucionar o tratamento da menopausa.

O dispositivo utiliza biossensores não invasivos para rastrear sinais fisiológicos e fornecer informações contínuas sobre a saúde hormonal das mulheres, desde a menarca até a menopausa.

A Clair planeja iniciar um ensaio clínico e buscar aprovação do FDA para classificar a pulseira como um dispositivo clinicamente comprovado, com lançamento previsto para novembro deste ano.

Resumo gerado por IA

A Clair, startup americana criada por 4 pesquisadoras (Dras. Christy Lane, Brindha Bavan, Roxana Daneshjou e Emily Kraus) de Stanford, na Califórnia, promete revolucionar o monitoramento da saúde feminina e consequentemente, melhorar o tratamento da menopausa.

A healthtech desenvolveu o primeiro wearable (neste caso, uma  pulseira com design fashionista)  que pretende rastrear o ciclo menstrual e os níveis de estrogênio e progesterona de forma fidedigna, sem precisar da tradicional coleta de sangue. Os pesquisadores afirmam que a pulseira monitora os hormônios em tempo real.

Através de biossensores não invasivos, o dispositivo funciona como um "tradutor" do corpo: avisa quando o período fértil se aproxima e correlaciona as flutuações hormonais com mudanças no sono, humor e energia.

Veja também

Segundo porta-vozes da Clair, a ideia da pulseira é fazer companhia às diferentes fases da vida das mulheres, desde a menarca (primeira menstruação) até a menopausa - e munir estas mulheres e seus médicos com informações contínuas acerca de seus marcadores hormonais, substituindo métodos mais obsoletos e invasivos como exames.

A pulseira Clair dispõe de 10 biossensores para captar sinais fisiológicos como temperatura da pele, frequência cardíaca em repouso, variabilidade da frequências cardíacas e respiratórias, atividade eletrodérmica,  mapa do sono e movimento.

‘’Esta pulseira parece incrível. É que a mulher sofre variações durante o ciclo menstrual: durante a primeira fase ela tem a ação do estrógeno e depois ovula. Em seguida, vem a progesterona e ela fica diferente, até a respiração muda. Os batimentos cardíacos e os intervalos entre eles ficam diferentes, conforme o ciclo. Tudo é enviado para uma Inteligência Artificial que sabe em que fase do ciclo a mulher está: se há bastante progesterona ou se ela está tendo um excesso de estrógeno em relação à progesterona, por exemplo’’, explica o Dr. José Bento, ginecologista. ‘’Então, para avaliar se essa mulher está ovulando, se ela está na peri ou na menopausa esse gadget é muito útil. A pulseira ainda vai ser lançada, vamos ver como se comporta, mas acho que promete muito’’, completa o Dr. Bento.

A classe médica está animada. ‘’Eu acredito que essa pulseira com certeza é um grande avanço, porque, como sabemos, as mulheres apresentam oscilações importantes,  tanto no período ovulatório e menstrual, época na qual têm três perfis durante o mês, quando estão ovulando e menstruando, assim como apresentam perfis distintos ao longo da vida: um antes de começar a menstruar, outro no período reprodutivo e  mais um no climatério antes da falência do ovário e outro depois da falência ovariana’’, diz o Dr. Walter Pace, ginecologista titular da Academia Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. ‘’Essas oscilações hormonais que ocorrem, trazem repercussões importantes no comportamento da mulher em todos os sentidos, do ponto de vista funcional, com relação a algumas funções orgânicas e também, principalmente, no comportamento psicoemocional’’, completa.

Então me pergunto: a Clair vai realmente ajudar na peri e na menopausa? A resposta é sim. ‘’Um momento talvez mais importante para a aplicabilidade da pulseira é quando a mulher está no climatério, período no qual as oscilações hormonais são ainda maiores  e impactam de uma forma significativa na qualidade de vida. Na fase da menopausa e principalmente no climatério, antes da falência do ovário, as mulheres passam verdadeiramente por turbilhões de mudanças hormonais. Tendo uma pulseira como essa que mensura marcadores importantes, a gente pode criar uma condição de estabilidade melhor perante aos dados que serão obtidos’’, acrescenta o Dr. Pace.

Ressaltando que a pulseira não é capaz de lançar números exatos de estradiol, progesterona e afins, como fornecem os exames laboratoriais através da coleta de sangue. ‘’Não é possível esta precisão. A pulseira vai informar mais ou menos o seguinte: segundo os seus parâmetros de respiração, de batimento cardíaco, de sono,  de atividade, você está no período estrogênico, você está no pico de estrógeno, você deve estar próxima à ovulação, ou ao contrário. Vai trazer mensagens como você está mais paradinha, seu batimento cardíaco diminuiu, a sua respiração está mais tranquila, você deve estar no seu período de progestacional, você já ovulou e agora está com uma progesterona aumentada, e por aí vai’’, elucida o Dr. Bento.

A pulseira Clair se conecta a um aplicativo móvel, no qual ocorre todo o processamento dos dados. "O processamento acontece no próprio aplicativo, e não em um centro de dados como em outros dispositivos.

Isso é especialmente importante considerando o atual debate sobre privacidade de dados", explicou Abhinav Agarwal, fundador da Clair, ao jornal californiano Stanford Daily.

Fundada por Jenny Duan e Abhinav Agarwal, a Clair afirma que o seu projeto avant-garde preenche lacunas históricas na pesquisa em saúde feminina. Para Brindha Bavan, professora da Faculdade de Medicina de Stanford, e orientadora da startup, o monitoramento oferecido pela pulseira pode ajudar em decisões de médicos e contribuir para o diagnóstico de condições clínicas, conforme declarou ao periódico Stanford Daily.

A Clair planeja iniciar um ensaio clínico na Stanford Medicine e buscar aprovação do FDA (a Anvisa americana), para classificar o produto como dispositivo clinicamente comprovado, e não apenas como item de bem-estar. Atualmente, a maioria dos wearables focados em saúde no mercado opera sem validação regulatória formal. O lançamento do gadget no exterior é prometido para novembro deste ano. Aqui, aguardamos ansiosamente.

* Vanessa Kopersz é jornalista. 

Quer incentivar este jornalismo sério e independente? Você pode patrocinar uma coluna ou o site como um todo. Entre em contato com o site clicando aqui.