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Por que a TPM fica pior na perimenopausa?

Entenda como as flutuações hormonais na perimenopausa afetam a TPM e o bem-estar feminino

* Vanessa Kopersz Publicado em 05/03/2026, às 06h00

Mulher sentada diante de mesa coloca a mão na testa em sinal de dor ou preocupação.
Quem sofreu com TPM durante a vida provavelmente vai ter uma piora dessa condição na perimenopausa. - Foto: Canva Pro

A perimenopausa, fase que antecede a menopausa, intensifica os sintomas da TPM, como enxaquecas e alterações de humor, devido a flutuações hormonais mais abruptas, conforme explica o Dr. Walter Pace, ginecologista.

A queda dos níveis de progesterona e estrogênio durante a perimenopausa pode levar ao desenvolvimento do Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM), que afeta a qualidade de vida das mulheres, causando sintomas físicos e psíquicos severos.

Tratamentos incluem mudanças no estilo de vida e intervenções farmacológicas, como antidepressivos e terapia de reposição hormonal, sendo essencial que as mulheres busquem ajuda para lidar com esses desafios durante essa fase da vida.

Resumo gerado por IA

Aos 48 anos, quando minha perimenopausa começou a acenar com mais força, comecei a notar que as minhas chatíssimas TPMs estavam ficando cada vez mais insuportáveis: enxaquecas enlouquecedoras, irritação master, seios doendo como nunca e ataques de choro acompanhados de ondas de tristeza mais robustas. Mas até então, não tinha ideia do tsunami que estava por vir, quando finalmente descobri que adentrava a perimenopausa.

O fato é: quem sofreu com TPM durante a vida, vai ter, provavelmente, de encarar uma piora dessa condição nos anos que antecedem a última menstruação. ‘’Isto pois a fase da perimenopausa ou pré-menopausa é aquela  mais instável do ponto de vista da questão dos equilíbrios hormonais’’, explica o Dr. Walter Pace, ginecologista e Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada (SBMP). ‘’A TPM é uma manifestação  extremamente correlacionada às flutuações de hormônio e no período de pré-menopausa essas oscilações são mais abruptas e erráticas’’, completa. Ou seja, a imprevisibilidade de hormônios torna a vida da mulher uma ciranda de emoções e sintomas menos manejáveis do que antes.

O  que estabelece o equilíbrio de um ciclo menstrual é a ovulação. Quando uma mulher ovula, na primeira fase há a predominância de estrogênio; após a ovulação reina um outro hormônio predominante que é a progesterona.

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‘’Portanto, quando esta mulher não ovula, e isto acontece muito na perimenopausa, estabelece-se um desequilíbrio que traz uma série de manifestações clínicas: uma delas é exatamente a  exacerbação da TPM, já pela falta do estrogênio que culminaria com a ovulação’’, completa o Dr. Pace.

Além disso, o primeiro hormônio a cair quando a mulher entra na peri é a Progesterona, ‘’que tem um efeito calmante ao se ligar a receptores do GABA (neurotransmissor que reduz a excitabilidade) no cérebro, melhorando a ansiedade e o sono’’, explica a Dra. Beatriz Tupinambá, ginecologista e autora do projeto ‘’Ressignifique a Menopausa’’. 

Nestas condições de extremo desarranjo entre Progesterona e Estrogênio, algumas mulheres chegam até a desenvolver o chamado TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual),  uma forma mais grave de TPM, bastante incapacitante e que prejudica muito a qualidade de vida das pacientes. Isto pois nosso cérebro tem uma porção de receptores de estrogênio que ficam sedentos pelo hormônio já em falta.

A lista de sintomas que podem caracterizar o transtorno é extensa e inclui sintomas físicos como inchaço, dor nas mamas, aumento do volume abdominal, dor de cabeça, cansaço; e intensos sintomas psíquicos, como humor deprimido, ansiedade, irritabilidade, sensação de nervos à flor da pele e até ideação suicida. Também é comum ter falta de energia, diminuição do interesse pelas atividades cotidianas, aumento dos conflitos pessoais, alterações no sono (ter insônia ou dormir demais) e alterações de apetite (como comer muito ou ter vontade de alimentos específicos, normalmente mais calóricos).

Para o Dr. Pace, a melhor forma de evitar essas oscilações seria ‘’bloqueando a ovulação, assim essas flutuações hormonais que a gente falou anteriormente serão suspensas para que as mulheres tenham um perfil hormonal estável e equilibrado’’

Para a Dra. Giuliana Cividanes, psiquiatra do corpo do Hospital Israrelita Albert Einstein, ‘’o tratamento vai desde mudanças do estilo de vida: atividade física, sono regular, alimentação saudável e não ultraprocessada até o tratamento farmacológico’’. E sim, antidepressivos podem ser utilizados para reduzir os efeitos de humor e ansiedade, além de serem úteis em alguns sintomas físicos da perimenopausa, como inchaço e fogachos. ‘’Por um tempo , o famoso Prozac (fluoxetina) foi considerado o melhor antidepressivo para tratar os sintomas da TDPM e utilizado também no período do climatério. Hoje, mesmo que o Prozac seja ainda muito eficaz, drogas mais modernas e com espectro mais amplo, capaz de tratar mais sintomas, têm sido os antidepressivos de preferência como a venlafaxina e a desvenlafaxina’’.

Ainda assim, muitas mulheres acreditam ainda que por ser esse período natural na vida reprodutiva não precisam procurar ajuda e sofrem sozinhas.

‘’Outras ainda acreditam que todo tratamento hormonal causa câncer e tem aquelas que veem os antidepressivos como sinal de fraqueza ou loucura’’, diz a Dra. Giuliana.

No meu caso, fui à luta, troquei de antidepressivo e apostei na Terapia de Reposição Hormonal via pellets de Estrogênio e Progesterona Oral manipulada com a ajuda dos ginecologistas e Drs. André Malavasi, Albertina Duarte Takiuti, José Bento e do psiquiatra Dr. Rubens Ptiliuk.

Superar os preconceitos e procurar ajuda é o melhor caminho para atravessar essa período da vida reprodutiva, que está longe de ser o "fim". É apenas o começo de uma nova fase em nossas vidas, de reconhecimento do nosso corpo e de adaptação de uma nova forma de funcionar. Além disso, ‘’na menopausa em si, essas flutuações hormonais tendem a cessar e o sistema nervoso central não toma mais esses sustos’’, afirma a Dra.Beatriz.

* Vanessa Kopersz é jornalista. 

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