Camila Othon explora a interseção entre audiovisual e fotografia, buscando novas narrativas visuais
Camila Othon* Publicado em 01/04/2026, às 06h00

Camila Othon, fotógrafa e videomaker com 17 anos de experiência, explora a cianotipia, uma técnica fotográfica do século XIX, em seu trabalho autoral, que busca criar imagens únicas e permanentes a partir de um processo íntimo e experimental.
Recentemente, Othon utilizou uma orquídea como matriz para sua coleção de cianotipias, simbolizando a dualidade entre a delicadeza e a resistência da planta, refletindo sua intenção de preservar vestígios do tempo e da natureza.
Além das cianotipias, a artista desenvolve projetos que envolvem transferências de imagens para madeira e utiliza negativos digitais, focando na experimentação e na materialidade das imagens como forma de criar pausas visuais que convidam à reflexão.
Sou fotógrafa, videomaker e diretora há mais de 17 anos. Grande parte da minha trajetória foi construída dentro do audiovisual e da publicidade, trabalhando na criação de imagens e narrativas para diferentes marcas e projetos. Ao longo desse caminho, a fotografia sempre foi o lugar onde eu podia voltar para um processo mais íntimo, mais silencioso e autoral.
Em paralelo ao audiovisual, desenvolvo um trabalho autoral que nasce da experimentação com a imagem e seus suportes. Nos últimos anos comecei a me aprofundar em técnicas fotográficas históricas, especialmente a cianotipia, um processo do século XIX que revela imagens através da luz, criando um azul profundo característico da técnica. Diferente da fotografia digital, a cianotipia exige tempo, contato com o material e uma certa aceitação do imprevisível. Cada imagem nasce de forma única.
Na minha série mais recente, utilizei uma orquídea como matriz para criar uma coleção de pequenas cianotipias em papel de algodão, ainda disponíveis. A escolha da flor não foi apenas estética. A orquídea é uma planta delicada, mas também extremamente resistente, capaz de sobreviver em ambientes difíceis. Existe algo nessa dualidade que me interessa profundamente. Algo vivo e passageiro se transforma em imagem permanente.
Esse gesto simples carrega uma ideia que atravessa meu trabalho: a tentativa de preservar vestígios do tempo e da natureza.
Além das cianotipias botânicas, também desenvolvo trabalhos a partir das minhas próprias fotografias, utilizando negativos digitais e tenho um projeto em desenvolvimento onde transfiro imagens para madeira.
Mais do que a busca por um resultado perfeito, o que me move é o processo, a experimentação, o erro, a matéria e as possibilidades que surgem a partir daí.
Hoje meu trabalho transita entre o audiovisual, a fotografia e os processos analógicos. Cada projeto é uma forma de investigar como as imagens podem carregar memória, presença e materialidade.
Mais do que produzir fotografias, busco criar pequenas pausas visuais, imagens que convidem o olhar a desacelerar.
*Camila Othon é fotógrafa, videomaker e diretora.
Quer incentivar este jornalismo sério e independente? Você pode patrocinar uma coluna ou o site como um todo. Entre em contato com o site clicando aqui.