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Asas de Pano estreia no Núcleo Experimental, em São Paulo, em 7 de fevereiro

Peça "Asas de Pano" celebra os 40 anos de carreira da atriz Eliete Cigaarini em um encontro no palco com sua filha Gabriela Cigarini

Redação* Publicado em 21/01/2026, às 06h00

Anette Naiman, Gabriela Cigarini, Eliete Cigaarini e Otávio Martins.
Atrás, da esquerda para a direita: as atrizes Anette Naiman, Gabriela Cigarini e Eliete Cigaarini. À frente: o diretor Otávio Martins. - Foto: Helô Bortz

A peça 'Asas de Pano' explora a relação entre mães e filhas através de uma contadora aposentada que recebe ligações de sua mãe falecida, refletindo sobre a busca por independência e os segredos familiares que emergem nesse processo.

A narrativa aborda temas como adoção, identidade e amor incondicional, utilizando um cenário simbólico que representa a vida em trânsito e a complexidade das memórias emocionais.

Escrita por Eliete Cigaarini e dirigida por Otávio Martins, a peça estreia em 7 de fevereiro em São Paulo, prometendo uma experiência reflexiva sobre as relações maternas e a verdade que molda nossas vidas.

Resumo gerado por IA

O que você faria se o telefone tocasse e, do outro lado da linha, estivesse sua mãe... falecida há 20 anos?

Na peça Asas de Pano, uma contadora aposentada, exímia na arte de “ajustar” números - mas incapaz de organizar a própria vida - entra em desespero ao ver a filha prestes a sair de casa em busca de independência. Enquanto tenta, a qualquer custo, impedir essa partida, ela passa a receber ligações misteriosas de sua mãe já falecida, vindas diretamente de um além peculiar.

Entre risos, sustos e revelações bombásticas, três gerações de mulheres colidem em um acerto de contas emocionante. Segredos de família guardados por décadas vêm à tona, todos ligados à condição social da Mulher.

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Asas de Pano apresenta uma história sobre mães, filhas e a descoberta de que um ninho vazio pode ser um caminho para que o amor possa transbordar. Escrito com humor enquanto mergulha nas complexidades da adoção, identidade e o amor incondicional.

O espetáculo se propõe a dar forma concreta a esse embate interno por meio de uma encenação que integra intimidade e imaginação, transformando o palco em um território onde o passado não é relatado — é vivenciado novamente. A presença simultânea de tempos distintos, tratada de modo sensível e rigoroso, quer oferecer ao público uma experiência de reflexão sobre identidade, escolhas e heranças afetivas.

O cenário composto por um picadeiro de malas de viagem reforça o conceito de vida em trânsito, de memórias estocadas e de identidades desmontáveis. No centro desse espaço, uma poltrona assume papel simbólico de eixo materno.

O uso do telefone como elemento dramatúrgico e simbólico funciona como ponte entre tempos, evocando vozes que moldaram a protagonista e criando um contínuo diálogo entre verdade, ausência e destino. Esse dispositivo amplia a dimensão poética da encenação, aproximando público e personagem de um universo emocional que transita entre o real e o imaginário.

Artisticamente, Asas de Pano se fundamenta na construção de uma cena íntima, sensorial e humana. O espetáculo busca provocar reflexão sobre a permanência das marcas emocionais, sobre a necessidade de revisitar memórias para reorganizar o presente e sobre a potência transformadora da verdade, especialmente quando atravessa as relações maternas. O eixo central da peça está no mergulho nas camadas afetivas que constituem o indivíduo, propondo ao espectador uma experiência estética que une poesia, dor, humor e revelação.

Escrita por Eliete Cigaarini, a peça celebra os 40 anos de trajetória artística da atriz pontuados por sua estreia na dramaturgia, pela primeira atuação profissional com sua filha Gabriela Cigarini, além da reunião de antigos parceiros de criação como Otávio Martins, que assina a direção e a supervisão dramatúrgica, Anette Naiman, incentivadora na fundação da ShakeCena, Armando Filho, que assina a direção de arte e Domingos Quintiliano, iluminador com o qual dividiu o palco no seu primeiro trabalho profissional.

“Asas de Pano é uma peça que fala sobre o peso do passado versus a leveza necessária para voar. A peça trata desta busca que todos temos de estabilidade, em contraponto com o desapego que é inevitável para seguir em frente. E no fim, fica a pergunta: qual é a verdade que você esconde para proteger quem ama?”, diz Otávio Martins, diretor do espetáculo.

Nas palavras de Eliete: “Asas de Pano” é um olhar voltado às raízes femininas, propõe um diálogo entre mundos, permitindo que a comunicação se restabeleça para que palavras nunca ditas encontrem seu destino. Dar voz ao que ficou retido no silêncio, ter uma última chance de dizer o indizível, de concluir o que ficou suspenso e celebrar o amor que não conhece fim.

A peça "Asas de Pano" estreia em 7 de fevereiro, no Núcleo Experimental, em São Paulo, e fica em cartaz até 22 de março. 

*Com edição de Lina Santiago.

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