Representantes de diversas áreas se reúnem para unir ciência, saberes tradicionais e explorar a importância de reconhecer os direitos da natureza
Vanessa Hasson, Luzzmilla, Giovanna Cristina e Marina Leão* Publicado em 29/07/2026, às 06h00

O 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza, que ocorrerá em Minas Gerais em 2026, busca discutir a possibilidade de reconhecer a Terra como sujeito de direitos, refletindo sobre a relação entre humanidade e meio ambiente em meio à crise climática.
O evento reunirá representantes de diversas áreas para abordar a necessidade de proteger os sistemas naturais, destacando a urgência de novas abordagens após desastres ambientais, como o rompimento da barragem de Fundão em 2015.
O Fórum pretende integrar ciência, saberes tradicionais e experiências comunitárias, promovendo um diálogo que possa influenciar decisões políticas e sociais, enfatizando que a proteção da natureza é essencial para a sobrevivência humana.
Em meio à emergência climática que desafia governos, sociedades e economias em todo o mundo, uma pergunta começa a ganhar espaço no debate internacional: a Terra pode ser reconhecida como sujeito de direitos?
Essa é uma das questões centrais que estarão no 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza, que reunirá em Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, entre os dias 31 de julho e 2 de agosto de 2026, representantes de comunidades tradicionais, povos indígenas, pesquisadores, juristas, ambientalistas e organizações da sociedade civil em torno de uma nova visão sobre a relação entre humanidade e planeta.
Antes do encontro, uma mobilização nacional vem promovendo diálogos, encontros territoriais e atividades preparatórias para discutir um dos maiores desafios do nosso tempo: como enfrentar a crise climática e proteger os sistemas naturais que sustentam a vida.
O debate parte de uma mudança profunda de perspectiva. Durante séculos, rios, florestas, oceanos e ecossistemas foram tratados principalmente como recursos disponíveis para exploração. A proposta dos Direitos da Natureza é romper com essa lógica e reconhecer que a própria Natureza possui valor, equilíbrio e direitos intrínsecos que precisam ser reconhecidos e respeitados.
A escolha de Mariana e Ouro Preto como sede do Fórum este ano carrega um forte significado. A região representa as consequências de um modelo de desenvolvimento que muitas vezes desconsiderou os limites ambientais. O rompimento da barragem de Fundão, em 2015, deixou marcas profundas nos rios, nos territórios e nas comunidades atingidas, tornando o local um símbolo da urgência por novos caminhos de reparação, prevenção e cuidado.
Reconhecido internacionalmente e em diálogo com a iniciativa Harmony with Nature, da Organização das Nações Unidas (ONU), o movimento dos Direitos da Natureza integra uma agenda global que busca transformar a forma como a humanidade compreende sua relação com o planeta.
A crise climática demonstra que proteger a Natureza deixou de ser apenas uma questão ambiental. É uma questão de sobrevivência, de justiça e de futuro. Eventos extremos, perda da biodiversidade, escassez de água e desequilíbrios dos ecossistemas revelam que a humanidade não está separada da Natureza, ela depende dela.
Reconhecer a Terra como sujeito de direitos não significa substituir os direitos humanos, mas ampliar a compreensão de que a vida humana só é possível quando os sistemas naturais são protegidos. Significa reconhecer que o planeta não é apenas um espaço onde vivemos, mas uma rede viva da qual fazemos parte.
O 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza pretende fortalecer esse diálogo no Brasil, aproximando ciência, conhecimento tradicional, direito e experiências comunitárias. Mais do que um encontro, representa uma oportunidade para discutir novos princípios capazes de orientar decisões políticas, econômicas e sociais diante da emergência climática.
A pergunta que chega ao Fórum é também um convite à reflexão coletiva: se a Terra garante as condições para a existência de todas as formas de vida, chegou o momento de reconhecer que ela também tem direitos?
* Vanessa Hasson, Luzzmilla, Giovanna Cristina e Marina Leão são coordenadoras do Fórum.
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