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Tuberculose: tudo o que você precisa saber sobre essa doença silenciosa

Drauzio Varella e Margareth Dalcolmo discutem a tuberculose no Brasil, doença silenciosa que pode ficar latente sem apresentar sintomas

Redação* Publicado em 01/04/2026, às 06h00

Margareth Dalcolmo e Drauzio Varella em uma mesa, um de frente ao outro
Margareth Dalcolmo e Drauzio Varella discutem sobre a importância de identificar a tuberculose latente, quando ainda não apresenta sintomas - Foto: Divulgação

A tuberculose, apesar de ser uma doença tratável, continua a ser um desafio significativo de saúde pública no Brasil, com cerca de 85 mil novos casos e 6 mil mortes anualmente. A situação exige um foco renovado no diagnóstico precoce e na conscientização sobre a doença.

A Organização Mundial da Saúde estima que 11 milhões de pessoas no mundo tenham tuberculose, resultando em aproximadamente um milhão de mortes por ano. O Brasil, em particular, enfrenta desafios com a tuberculose latente, que afeta até um terço da população e pode evoluir para a forma ativa.

Para abordar esses desafios, a QIAGEN e o podcast DrauzioCast promovem uma edição especial para discutir a tuberculose, destacando a importância do diagnóstico e tratamento. O teste IGRA, disponível pelo SUS, é um avanço significativo no diagnóstico da infecção latente, essencial para o controle da doença.

Resumo gerado por IA

Apesar de ser uma doença antiga, tratável e curável, a tuberculose ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Dados do boletim epidemiológico nacional indicam que o país registra cerca de 85 mil novos casos por ano e aproximadamente 6 mil mortes.

Para ampliar o debate público sobre o tema e reforçar a importância do diagnóstico precoce no mês de combate à tuberculose, a QIAGEN, em parceria com o podcast DrauzioCast, apresentado por Drauzio Varella, promove uma edição especial sobre a doença. O médico e apresentador recebe a pneumologista e pesquisadora Margareth Dalcolmo para discutir transmissão, diagnóstico, prevenção e os desafios atuais no controle da doença.

“Nesta data, buscamos abrir espaço para o diálogo entre especialistas e profissionais de saúde sobre os desafios da doença no Brasil. Em 2026, a parceria com o DrauzioCast reúne duas grandes referências da saúde no Brasil para expandir o alcance dessa mensagem e levar informação de qualidade a um público mais amplo”, afirma Raphael Oliveira, Gerente de Produto Regional LATAM para Diagnósticos Moleculares da QIAGEN.

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O conteúdo, já disponível nas principais plataformas digitais, busca ampliar a conscientização sobre a tuberculose, reduzir o estigma associado à doença e destacar a importância da identificação da tuberculose latente — fase assintomática e essencial para evitar o avanço da infecção.

Tuberculose ainda registra milhões de casos no mundo

Em participação no DrauzioCast, Drauzio Varella destacou que a tuberculose continua entre as doenças infecciosas mais relevantes globalmente.

“No boletim epidemiológico da tuberculose publicado em 2024, o Brasil registrou cerca de 85 mil casos e quase 6 mil mortes. No mundo, a Organização Mundial da Saúde estima cerca de 11 milhões de pessoas com tuberculose, das quais aproximadamente um milhão morrem todos os anos. É um número muito alto para uma doença que tem diagnóstico e tratamento”, afirma o médico.

Durante a conversa no podcast, Dra. Margareth Dalcolmo explicou que a tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, conhecida como bacilo de Koch.

“A tuberculose é uma doença bacteriana transmitida pelo ar. Ela se espalha quando uma pessoa doente fala, tosse ou espirra. Não é por objetos ou talheres, como se pensava antigamente”, explica.

Ambientes fechados e com pouca circulação de ar aumentam o risco de transmissão, especialmente quando há contato próximo e prolongado entre as pessoas.

Um dos principais desafios no controle da doença é a tuberculose latente, estágio em que a bactéria permanece no organismo sem causar sintomas.

“Estima-se que até um terço da população tenha tido contato com o bacilo da tuberculose e carregue a bactéria em estado latente”, afirma Dalcolmo.

Nessa fase, a pessoa não transmite a doença, mas pode desenvolver a forma ativa caso ocorra uma queda da imunidade. “Por isso, identificar e tratar a infecção latente é essencial para evitar que a doença se manifeste.”

Avanços no diagnóstico da tuberculose

Entre os avanços recentes no diagnóstico da doença está o uso de exames laboratoriais capazes de identificar a infecção latente com maior precisão.  

Segundo Dalcolmo, o teste IGRA (Interferon-Gamma Release Assay), realizado a partir de uma amostra de sangue, detecta a resposta imunológica do organismo à bactéria e é um dos exames mais sensíveis para o diagnóstico da tuberculose latente.

“O avanço e a incorporação dos testes IGRA pelo SUS no Brasil foi um espetáculo, além de reafirmar a liderança do país nessa questão da tuberculose. O IGRA é mais sensível, mais específico para diagnóstico de tuberculose latente”, declara a especialista.

A tuberculose afeta principalmente os pulmões, embora também possa atingir outros órgãos. O risco de desenvolver a doença é maior entre pessoas com imunidade comprometida, como quem vive com HIV/AIDS, pacientes com diabetes e indivíduos em tratamento com corticoides ou imunossupressores.  

Pessoas com desnutrição, doenças pulmonares pré-existentes, além de crianças e idosos, também apresentam maior vulnerabilidade. Outro fator importante é o contato próximo com pessoas diagnosticadas com tuberculose ativa. Nesses casos, a investigação da tuberculose latente é fundamental para prevenir novos casos.  

No Brasil, o diagnóstico com o teste IGRA e o tratamento da doença estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O teste é disponibilizado para pessoas vivendo com HIV, crianças maiores de dois anos e menores de dez, que tiveram contato com pessoas com tuberculose ativa, candidatos a transplantes de órgãos e pessoas com doenças inflamatórias imuno mediadas, incluindo psoríase, doença de crohn e artrite reumatoide.

O apresentador do DrauzioCast reforça que compreender como a doença se desenvolve é essencial para ampliar o diagnóstico e o tratamento no país. “Os avanços no diagnóstico têm papel central nesse processo”, afirma Drauzio Varella.

“O IGRA é um exame de grande importância para detectar a infecção latente e já está disponível pelo SUS, assim como os medicamentos necessários para o tratamento da tuberculose. Se surgirem sinais como febre baixa no fim do dia, sudorese noturna, perda de peso ou cansaço persistente, é importante procurar avaliação médica. A tuberculose não desapareceu e continua provocando casos no país, mas é uma doença que pode ser diagnosticada e tratada”, conclui.

* Edição por Lina Santiago.

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