Descubra como reconhecer mudanças de comportamento que podem indicar sofrimento emocional em adolescentes e a importância de atenção e de prevenção
Cheila Alves Dias* Publicado em 02/09/2026, às 06h00

A adolescência é uma fase repleta de mudanças que pode esconder sinais de sofrimento emocional, como isolamento e alterações de humor, que não devem ser ignorados por pais e responsáveis.
Sinais de alerta incluem perda de interesse em atividades, alterações no sono e expressões de desesperança, que podem indicar a necessidade de apoio psicológico.
É fundamental que adultos estejam disponíveis para ouvir os adolescentes sem julgamentos, promovendo um ambiente de acolhimento e compreensão, especialmente durante campanhas de prevenção ao suicídio como o Setembro Amarelo.
A adolescência é uma fase marcada por mudanças, descobertas, necessidade de autonomia e, muitas vezes, maior desejo de privacidade. É comum que o adolescente queira ficar mais tempo no quarto, conversar menos com a família ou demonstrar oscilações de humor. Mas como saber quando estamos diante de comportamentos próprios da idade e quando existe um sofrimento emocional que merece atenção e ações de prevenção?
Algumas mudanças podem funcionar como sinais de alerta: isolamento repentino, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer, alterações importantes no sono ou no apetite, queda no rendimento escolar, irritabilidade excessiva, tristeza persistente, ansiedade, sentimentos de culpa, inutilidade ou desesperança. Falas como “não aguento mais”, “queria desaparecer”, “seria melhor se eu não estivesse aqui” ou qualquer manifestação relacionada desesperança diante da vida, também precisam ser levadas a sério.
Isso não significa que cada mudança seja indicativa de ideação suicida. Entretanto, quando os sinais são persistentes, intensos ou aparecem simultaneamente, é importante não ignorá-los nem atribuí-los simplesmente à “fase da adolescência”. Muitas vezes, o jovem não sabe como pedir ajuda e manifesta sua dor justamente por meio do silêncio, do afastamento ou de mudanças no comportamento.
Nesse momento, mais do que cobranças, o adolescente precisa encontrar adultos disponíveis para escutá-lo sem julgamentos. Uma conversa pode começar com uma frase simples: “Percebi que você não parece bem ultimamente. Não quero te pressionar. Quero entender o que está acontecendo e quero que saiba que estou aqui para você.”
Falar sobre sofrimento emocional e suicídio não incentiva o comportamento suicida. Uma conversa acolhedora pode abrir caminho para que o adolescente fale sobre aquilo que está vivendo e receba ajuda. Às vezes, por trás de um adolescente que parece “apenas na dele”, existe alguém tentando lidar sozinho com ansiedade, bullying, conflitos familiares, pressão escolar, dificuldades de identidade ou sofrimento emocional.
Neste Setembro Amarelo, lembre-se: prevenir também é perceber, escutar, acolher e cuidar.
* Cheila Alves Dias é pedagoga, geógrafa e psicóloga clínica. Possui especializações em Psicopedagogia, Orientação Educacional, Terapia de Casal, Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Gerontologia e Neuropsicologia.
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