Mariana Kotscho
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O câncer e o sonho da maternidade: a ciência a favor do tempo e da vida

O impacto do câncer no sonho da maternidade e a importância de agir rapidamente para preservar a fertilidade

Dr. Alfonso Massaguer* Publicado em 08/04/2026, às 06h00

Mulher grávida segura sapatinhos de bebê sobre a barriga.
Atualmente existem técnicas consolidadas para garantir o futuro reprodutivo das pacientes de câncer. - Foto: Canva Pro

O Dia Mundial Contra o Câncer, celebrado em 8 de abril, destaca a preocupação das mulheres diagnosticadas com câncer em relação à fertilidade após os tratamentos, que podem impactar severamente a capacidade de engravidar.

Tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem causar danos irreversíveis aos órgãos reprodutivos, levando a uma urgência na preservação da fertilidade antes do início das terapias oncológicas.

Medidas como o congelamento de óvulos e fragmentos de tecido ovariano são implementadas para garantir a autonomia reprodutiva das pacientes, permitindo que elas enfrentem o tratamento com a esperança de um futuro familiar.

Resumo gerado por IA

O dia 8 de abril marca a Luta Mundial Contra o Câncer e traz uma reflexão importante sobre a vida após a cura. Na rotina do consultório, recebo muitas mulheres diagnosticadas com tumores de mama, intestino, tireoide ou leucemia. O medo natural da doença costuma vir acompanhado de outra angústia enorme em relação ao amanhã. Elas sempre se perguntam se as intervenções médicas vão acabar com o grande sonho de serem mães.

Precisamos encarar de frente o fato de que o tratamento que salva vidas também afeta o corpo de forma profunda. A quimioterapia age no organismo inteiro e tem força para antecipar a menopausa ou levar à falência dos ovários.

Quando a radioterapia acontece na região pélvica, o útero costuma sofrer impactos que dificultam bastante uma gravidez posterior. Em casos de tumores ginecológicos, as cirurgias muitas vezes exigem a retirada completa dos órgãos reprodutores.

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É exatamente nesse momento de grande fragilidade que a medicina reprodutiva entra em ação para mudar a história. A janela de tempo entre descobrir o câncer e começar o tratamento oncológico costuma ser extremamente curta e apertada.

Por conta disso, a paciente precisa ser encaminhada de forma ágil para avaliarmos as opções de preservação da fertilidade. Esse planejamento coordenado com o oncologista garante a captação segura dos gametas antes que a toxicidade atinja o organismo.

Hoje contamos com técnicas muito consolidadas para garantir o futuro reprodutivo e a autonomia clínica dessas pacientes. O congelamento de óvulos é o caminho mais comum e exige uma estimulação rápida nos nossos laboratórios especializados.

Mas sabemos que algumas mulheres precisam iniciar a quimioterapia em poucos dias e não podem aguardar esse ciclo. Nesses quadros de urgência máxima, nós congelamos fragmentos do tecido ovariano para reimplantar depois e restaurar a fertilidade.

Lidar com o câncer é um processo muito duro, mas preservar a biologia reprodutiva devolve o controle para a mulher. Congelar os óvulos diz a essa paciente que nós acreditamos firmemente na cura e na vida que existe pela frente.

O ato de proteger o material genético retira da doença o poder de decidir sobre a maternidade de alguém. Nosso papel é agir com rapidez absoluta para que a mulher inicie o tratamento sabendo que uma nova etapa familiar a aguarda no futuro.

* Dr. Alfonso Massaguer é especialista em Reprodução Humana Assistida com mais de 25 anos de experiência clínica. Formado pela Faculdade de Medicina da USP com especialização pelo Hospital das Clínicas, atua com tratamentos de alta complexidade.

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