Mariana Kotscho
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Novo estudo aponta avanço importante no tratamento de um dos tipos mais agressivos de câncer de mama

Resultados promissores do estudo DESTINY-Breast09 trazem avanço importante e esperança para pacientes com câncer de mama metastático.

Redação* Publicado em 11/06/2026, às 06h00

Dr. Romualdo Barroso,  Diretor Nacional de Pesquisa Clínica da Rede Américas e Líder Nacional de Câncer de Mama da Oncologia Américas. - Foto: Divulgação
Dr. Romualdo Barroso,  Diretor Nacional de Pesquisa Clínica da Rede Américas e Líder Nacional de Câncer de Mama da Oncologia Américas. - Foto: Divulgação

O diagnóstico de câncer de mama metastático enfrenta novos desafios, mas avanços médicos, como os resultados do estudo DESTINY-Breast09, estão permitindo que mais mulheres vivam mais e com melhor qualidade de vida. Este estudo, apresentado na ASCO, mostrou que combinações inovadoras de tratamentos podem levar ao desaparecimento das lesões em mais da metade das pacientes.

Os dados revelam que a combinação de trastuzumabe deruxtecana e pertuzumabe é significativamente mais eficaz do que os tratamentos padrão anteriores, oferecendo novas esperanças para o controle da doença. A redução expressiva da carga tumoral está associada a melhores taxas de sobrevida e qualidade de vida para as pacientes.

Os especialistas destacam a importância de prolongar o tempo sem progressão da doença como um indicador crucial de eficácia no tratamento. Com o avanço das terapias-alvo e a crescente participação de pesquisadores brasileiros em estudos internacionais, há uma expectativa de que os pacientes tenham acesso mais rápido a inovações que podem transformar o câncer metastático em uma condição mais controlável.

Resumo gerado por IA

Receber o diagnóstico de câncer de mama metastático ainda é uma das situações mais desafiadoras para pacientes e familiares. Mas os avanços da medicina têm transformado esse cenário. Novos tratamentos estão permitindo que um número cada vez maior de mulheres conviva com a doença por mais tempo, com melhor qualidade de vida e perspectivas que até poucos anos atrás pareciam distantes.

Uma das pesquisas que mais chamou a atenção da comunidade médica internacional foi apresentada recentemente, durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), maior congresso de oncologia do mundo, realizado em Chicago, nos Estados Unidos. O estudo DESTINY-Breast09 trouxe resultados promissores para mulheres com câncer de mama HER2-positivo metastático, uma forma agressiva da doença. O estudo teve participação brasileira do oncologista e pesquisador Romualdo Barroso,  Diretor Nacional de Pesquisa Clínica da Rede Américas e Líder Nacional de Câncer de Mama da Oncologia Américas.

Os dados da pesquisa mostraram que mais da metade das pacientes tratadas com uma combinação de terapias inovadoras apresentou desaparecimento completo das lesões visíveis nos exames ou uma redução muito expressiva da carga do tumor, resultados considerados incomuns nesse estágio da doença. Além disso, essas pacientes permaneceram mais tempo com o câncer sob controle, reforçando uma mudança importante na forma como especialistas enxergam o tratamento do câncer metastático.

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Mais do que impedir temporariamente o avanço do tumor, o objetivo passa a ser alcançar respostas cada vez mais profundas e duradouras, permitindo que as pacientes vivam mais e melhor. Embora ainda não se possa falar em cura para a maioria dos casos metastáticos, os resultados apontam para um futuro em que o câncer poderá ser controlado por períodos cada vez mais longos.

Em entrevista exclusiva, o Dr. Romualdo Barroso explica por que os resultados do DESTINY-Breast09 estão sendo considerados um dos avanços mais relevantes dos últimos anos para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo metastático.

MK: O que torna os resultados do estudo DESTINY-Breast09 tão relevantes para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo metastático?

Dr. Romualdo Barroso: O DESTINY-Breast09 representa um marco importante na evolução do tratamento do câncer de mama HER2-positivo metastático. O estudo demonstrou que a combinação de dois medicamentos, o trastuzumabe deruxtecana (T-DXd) com pertuzumabe,  foi significativamente mais eficaz do que o tratamento que vinha sendo utilizado como padrão há cerca de 15 anos. Isso significa que passamos a ter uma nova alternativa terapêutica capaz de oferecer resultados superiores em controle da doença. Para os pacientes, isso se traduz em mais esperança, maior possibilidade de prolongamento da sobrevida e, em alguns casos, perspectivas de controle sustentado da doença por longos períodos.

MK: É possível dizer que estamos mudando a forma de encarar o tratamento do câncer de mama metastático?

Dr. Romualdo Barroso: Sem dúvida. Estamos vivendo uma verdadeira revolução na oncologia, impulsionada pelo desenvolvimento de terapias cada vez mais inteligentes e direcionadas. Um dos exemplos mais importantes são os chamados conjugados anticorpo-droga, tecnologia utilizada pelo T-DXd. Esses medicamentos funcionam como um "cavalo de Troia": o anticorpo reconhece especificamente a célula do tumor, se liga a ela e entrega a quimioterapia diretamente em seu interior. Isso permite uma ação mais precisa contra o câncer, aumentando a eficácia do tratamento e reduzindo danos aos tecidos saudáveis.

MK: Qual o impacto de uma redução expressiva da carga do tumor na qualidade de vida das pacientes?

Dr. Romualdo Barroso: A nova análise apresentada na ASCO mostrou algo extremamente relevante: quanto maior e mais profunda é a redução do volume do tumor, melhores tendem a ser os resultados clínicos das pacientes. Observou-se que essas mulheres apresentam maior tempo de controle da doença e melhores taxas de sobrevida. Além disso, a diminuição significativa da carga do tumor costuma estar associada à redução de sintomas relacionados ao câncer, contribuindo diretamente para a qualidade de vida e o bem-estar das pacientes.

MK: O que significa prolongar o tempo sem progressão da doença e por que esse indicador é tão importante na oncologia?

Dr. Romualdo Barroso: O tempo sem progressão da doença é um dos principais indicadores utilizados em oncologia para avaliar a eficácia de um tratamento. Ele mede o período em que o câncer permanece controlado sem apresentar crescimento ou surgimento de novas lesões. Existe uma forte associação entre períodos mais longos de controle da doença e aumento da sobrevida. Em outras palavras, pacientes que conseguem manter o câncer estabilizado por mais tempo tendem a viver mais e melhor. Por isso, buscamos terapias cada vez mais eficazes em prolongar esse período.

MK: Os resultados observados podem trazer esperança de uma vida mais longa para pacientes com câncer de mama metastático?

Dr. Romualdo Barroso: Sim. A evolução dos tratamentos tem permitido avanços que há poucos anos pareciam difíceis de alcançar. Hoje, observamos pacientes vivendo por períodos cada vez mais longos com doença controlada e qualidade de vida preservada. Em situações específicas, os resultados obtidos com as terapias mais modernas alimentam inclusive a expectativa de que alguns grupos de pacientes possam alcançar respostas extremamente duradouras, aproximando-se de um cenário de remissão prolongada.

MK: Como os avanços das terapias-alvo têm contribuído para transformar o câncer metastático em uma doença cada vez mais controlável?

Dr. Romualdo Barroso: Esses avanços são resultado direto do crescente conhecimento sobre a biologia molecular do câncer. À medida que compreendemos melhor os mecanismos que fazem as células tumorais crescerem e sobreviverem, conseguimos desenvolver medicamentos capazes de atingir exatamente esses pontos de vulnerabilidade. Muitos tumores dependem fortemente de determinadas proteínas para se desenvolver. Quando conseguimos bloquear essas proteínas de forma eficaz, o câncer perde sua capacidade de crescimento. Quanto mais conhecemos a doença em nível molecular, mais oportunidades temos de criar tratamentos altamente específicos, eficazes e capazes de proporcionar maior controle da doença e melhores perspectivas para os pacientes.

MK: Qual é a principal mensagem que esses novos dados trazem para pacientes, familiares e profissionais de saúde que convivem com o câncer de mama metastático?

Dr. Romualdo Barroso: A principal mensagem é de esperança baseada em evidências científicas. A pesquisa clínica continua sendo o caminho mais seguro para gerar avanços reais no tratamento do câncer. Todos esses estudos têm um propósito muito claro: melhorar a vida dos pacientes, ampliar a sobrevida e buscar resultados cada vez melhores. Também é motivo de orgulho observar o crescimento da pesquisa clínica no Brasil e a participação cada vez mais relevante de pesquisadores brasileiros em estudos internacionais de grande impacto. Isso permite que nossos pacientes tenham acesso mais rápido à inovação e reforça a contribuição do país para os avanços globais da oncologia.

*Edição por Lina Santiago

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