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Não é “do nada”: por que a menopausa provoca oscilações de humor?

Como a menopausa e a perimenopausa influenciam o humor e a saúde emocional das mulheres na faixa dos 40 e 50 anos.

Dra. Fernanda Torras* Publicado em 10/03/2026, às 06h00

Mulher simula choro e usa lenço para secar lágrimas
A oscilação emocional na perimenopausa e menopausa tem uma explicação biológica, neurológica e social. - Foto: Canva Pro

Mulheres na faixa dos 40 e 50 anos frequentemente enfrentam mudanças emocionais significativas, como irritabilidade e ansiedade, que têm explicações biológicas e sociais ligadas à menopausa e perimenopausa.

A queda nos níveis de estrogênio afeta diretamente o cérebro, alterando neurotransmissores como serotonina e dopamina, o que resulta em oscilações de humor e dificuldades de sono que impactam a qualidade de vida.

A avaliação médica individualizada é crucial, e tratamentos como terapia hormonal, ajustes na higiene do sono e hábitos saudáveis podem ajudar a transformar essa fase em uma experiência positiva e equilibrada.

Resumo gerado por IA

Muitas mulheres, ao entrarem na casa dos 40 ou 50 anos, começam a perceber uma mudança que não combina com a própria história. Surge uma irritabilidade fora do padrão, uma ansiedade que antes não existia ou uma tristeza que aparece mesmo quando tudo está aparentemente bem. Com frequência, vem o julgamento externo e interno: fala-se em exagero, drama ou falta de paciência. Como médica, eu costumo ser direta nesse ponto. Não é “do nada”. Essa labilidade emocional tem uma explicação biológica, neurológica e, certamente, social.

A menopausa e o período que a antecede, a perimenopausa, não são apenas o encerramento da vida reprodutiva. Elas representam uma reorganização hormonal intensa. O estrogênio, protagonista dessa transição, não atua apenas nos órgãos reprodutores. Ele conversa diretamente com o cérebro. Existem receptores de estrogênio em áreas fundamentais para a regulação do humor, do sono e da resposta ao estresse. Quando esse hormônio oscila e, posteriormente, entra em declínio, a dinâmica de neurotransmissores essenciais, como serotonina e dopamina, é alterada. O resultado aparece no cotidiano, às vezes de forma branda, outras vezes como explosões emocionais. Mudanças rápidas, intensas e súbitas de humor, frequentemente desproporcionais aos estímulos.

Há também um ponto que muitas pessoas subestimam: o corpo cansa antes de a mente perceber. Ondas de calor, suores noturnos e despertares frequentes fragmentam o sono de forma crônica. Uma mulher que não dorme bem por semanas ou meses não perde apenas energia física. Ela perde tolerância e a paciência diminui drasticamente. A sensibilidade aumenta e qualquer pequeno estresse vira um gatilho rápido para o esgotamento e explosões.

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Mas como diferenciar uma oscilação esperada dessa fase de algo que precisa de acompanhamento médico? Um critério que ajuda muito é o prejuízo na qualidade de vida. Quando o humor deixa de ser um desconforto passageiro e passa a comprometer relacionamentos, desempenho profissional, autoestima ou o prazer em atividades que antes eram leves, é hora de buscar ajuda. A menopausa não deve ser sinônimo de sofrimento e não faz sentido romantizá-la como uma parte inevitável (e dolorosa) do envelhecimento feminino.

O cuidado começa com uma avaliação médica individualizada. Para muitas mulheres, tratar os sintomas físicos, ajustar a higiene do sono e orientar novos hábitos já transforma o cenário. Para outras, a terapia hormonal, quando indicada de forma segura, tem um impacto profundo no bem-estar emocional, pois estabiliza o ciclo de irritabilidade e exaustão. Somado a isso, exercícios físicos regulares protegem a massa muscular e o humor, enquanto uma alimentação equilibrada e a redução do álcool ajudam a controlar a ansiedade. É fundamental também aprender a se desconectar do celular que gera um ciclo de alerta constante.

Quando a mulher entende o que está acontecendo com seus hormônios e recebe o suporte adequado, seja médico, terapêutico ou de sua rede de apoio, a menopausa deixa de ser um fardo. Ela passa a ser uma fase de potência, clareza e, acima de tudo, liberdade para viver essa nova etapa com equilíbrio e prazer.

* Dra. Fernanda Torras atua exclusivamente com Menopausa e Ginecologia Estética e Funcional. É graduada em Medicina com residência médica em Ginecologia e Mastologia e Oncoplastia Mamária pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Possui título de especialista em ginecologia e obstetrícia, título de especialista em mastologia e é médica reconhecida pela Associação Médica Brasileira (AMB), Membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Membro da Brasileira de Climatério e Membro especialista da International Menopause Society (Menopause Society Certified Practitioner).

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