Entenda como as alterações hormonais impactam a saúde do sangue e a importância do monitoramento na vida da mulher
Redação* Publicado em 31/03/2026, às 06h00

No Dia Internacional da Mulher, a hematologia é destacada como essencial para a saúde feminina, com a anemia ferropriva afetando até 30% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil, especialmente aquelas com menstruação intensa ou gestantes, o que demanda atenção para prevenção e diagnóstico precoce.
As oscilações hormonais ao longo da vida das mulheres impactam diretamente os níveis de hemoglobina e ferro, aumentando o risco de anemia, que pode levar a complicações sérias durante a gestação e afetar o desempenho físico e mental.
A hematologista Dra. Mirela Soler enfatiza a importância de avaliações médicas regulares e exames laboratoriais para detectar alterações sanguíneas precocemente, além de uma dieta equilibrada e, se necessário, suplementação para manter a saúde hematológica e empoderar as mulheres em seus cuidados de saúde.
No dia 8 de março, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, profissionais de saúde voltam o olhar para um aspecto fundamental da saúde feminina: a hematologia, ciência que estuda o sangue e suas doenças, e como as alterações hormonais ao longo da vida — da adolescência à menopausa — podem impactar diretamente a circulação, os níveis de ferro, vitaminas e plaquetas no organismo feminino. Dados atuais indicam que a anemia por deficiência de ferro afeta até 30% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil, especialmente aquelas com ciclos menstruais mais intensos, gestantes ou que não mantêm uma ingestão adequada de micronutrientes essenciais, tornando a prevenção e o diagnóstico precoces temas centrais no cuidado com a saúde da mulher.
As mulheres passam por variações hormonais significativas ao longo da vida — como menstruação, gravidez, pós-parto e menopausa — e essas oscilações influenciam os níveis de hemoglobina, ferro e outros componentes do sangue. A menstruação abundante, por exemplo, é uma causa comum de perda de ferro, principal elemento da hemoglobina responsável por transportar oxigênio aos tecidos. Quando o organismo não consegue repor essa perda com eficiência, pode desenvolver anemia ferropriva, quadro caracterizado por cansaço excessivo, fraqueza, falta de ar e queda de desempenho físico e mental. Em gestantes, a anemia por deficiência de ferro está associada a maiores riscos de complicações obstétricas, o que reforça a necessidade de monitoramento sistemático durante o pré-natal.
Outro aspecto fundamental do sangue feminino está relacionado às plaquetas, células responsáveis pela coagulação. Alterações nos níveis de plaquetas podem surgir por questões hormonais, autoimunes ou secundárias a outras doenças e se manifestam tanto pelo risco aumentado de sangramentos quanto pela possibilidade de formação inadequada de coágulos. O equilíbrio de vitaminas — especialmente vitamina B12 e folato (vitamina B9) — também é crucial para a produção saudável de glóbulos vermelhos e a manutenção da função neurológica, e sua deficiência pode agravar ou causar anemias megaloblásticas.
A hematologista Dra. Mirela Soler destaca que as alterações hormonais que toda mulher vivencia ao longo da vida impactam de forma direta os parâmetros sanguíneos.
A anemia por deficiência de ferro é uma das condições mais prevalentes, especialmente em mulheres com menstruação intensa, gestantes ou em fases de maior demanda metabólica. Saber reconhecer os sinais — como cansaço que não melhora com descanso, palidez, taquicardia e sensação de fraqueza — e procurar avaliação médica são passos essenciais para manter o sangue saudável.
Dra. Mirela reforça que, além da avaliação clínica regular, exames laboratoriais periódicos — como hemograma completo, dosagem de ferritina, ferro sérico, vitaminas do complexo B e avaliação de plaquetas — são ferramentas valiosas para detectar alterações precocemente e iniciar intervenções adequadas antes que sintomas severos se estabeleçam. Segundo a especialista, a prevenção passa por uma dieta equilibrada, rica em alimentos fontes de ferro heme — presente em carnes magras, frango e peixe — e ferro não heme — presente em folhas verdes escuras, leguminosas e grãos integrais —, associada à ingestão de vitamina C, que melhora a absorção do ferro.
Além da alimentação, manter níveis adequados de vitaminas B12 e folato por meio de uma dieta variada e, quando necessário, suplementação prescrita por um hematologista ou nutricionista pode contribuir para a produção saudável de glóbulos vermelhos. A médica também lembra que, em alguns casos, a reposição de ferro via oral ou, quando indicado, endovenoso, pode ser necessária para restaurar rapidamente os níveis sanguíneos e aliviar os sintomas de anemia.
Em um mês dedicado à conscientização da saúde feminina, o alerta para a importância da hematologia como parte integrante do cuidado global da mulher enfatiza que acompanhar os parâmetros do sangue não é apenas um procedimento clínico, mas um passo fundamental para promover bem-estar, energia e qualidade de vida. A manutenção de níveis adequados de ferro, vitaminas e plaquetas beneficia não apenas o desempenho físico e mental, mas também a saúde reprodutiva e a capacidade de enfrentar os desafios metabólicos apresentados em diferentes fases da vida.
Dra. Mirela conclui que informação, avaliação médica regular e adoção de hábitos alimentares saudáveis são pilares essenciais para prevenir doenças hematológicas e empoderar as mulheres a cuidarem de sua saúde com mais consciência e autonomia, um compromisso que ganha maior visibilidade especialmente no mês em que se celebra sua importância social e biológica.
* Edição por Lina Santiago.
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