Em 8 de abril, Dia Mundial de Luta Contra o Câncer, refletimos sobre o impacto dos tumores femininos na vida da paciente
Prof. Dr. José Carlos Sadalla* Publicado em 08/04/2026, às 06h00

O dia 8 de abril destaca a luta contra o câncer, especialmente em relação à saúde da mulher, com ênfase na importância do diagnóstico precoce e tratamentos respeitosos ao corpo feminino.
A tecnologia, como o aconselhamento genético, tem sido fundamental para identificar mutações que podem levar ao câncer, permitindo planos de prevenção personalizados e eficazes.
Avanços nas técnicas cirúrgicas e no cuidado pós-tratamento, incluindo apoio psicológico e terapias personalizadas, visam preservar a qualidade de vida das pacientes, enfatizando a importância do autocuidado e da informação na luta contra a doença.
O dia 8 de abril marca a luta mundial contra o câncer e nos faz olhar com mais atenção para a saúde da mulher. No consultório, acompanho de perto o impacto que os tumores de mama, útero, endométrio e ovário causam na vida das pacientes. Felizmente, a medicina mudou a forma de lidar com a doença. Hoje, unimos o diagnóstico feito no momento certo com tratamentos que respeitam o corpo feminino.
O sucesso contra o câncer depende do tempo. Descobrir o problema cedo permite tratar alterações antes que elas se tornem malignas e mudem a rotina da paciente. Para isso, os exames de rotina tradicionais ganharam um reforço de peso da tecnologia. O aconselhamento genético permite identificar mutações como o gene BRCA em mulheres com histórico na família. Isso nos permite criar um plano de prevenção sob medida muito antes do aparecimento do câncer.
Precisamos entender que cada tumor se manifesta de uma forma diferente. O câncer de colo de útero pode ser evitado com a vacina contra o HPV e idas anuais ao ginecologista. Por outro lado, o tumor de endométrio dá sinais que exigem atenção rápida, como o sangramento após a menopausa. Já o câncer de ovário costuma agir em silêncio. Nesses casos, o histórico familiar de câncer faz toda a diferença.
Receber o diagnóstico assusta, mas as opções de cuidado evoluíram para preservar o bem-estar e a anatomia da mulher. As grandes cirurgias do passado deram lugar a técnicas minimante invasivas, diminuindo o trauma cirúrgico. Usamos a cirurgia robótica e a laparoscopia para garantir uma recuperação rápida. Além disso, a técnica do linfonodo sentinela mapeia a região afetada e retira apenas os gânglios estritamente necessários, diminuindo as sequelas locais.
A alta da cirurgia não encerra o nosso trabalho. Cuidar da saúde sexual e da região pélvica após o tratamento oncológico passou a ser uma prioridade médica. Isso envolve o apoio de psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas. O ginecologista precisa entender e tratar o impacto da menopausa precoce ou do ressecamento vaginal trazido pelas terapias. Temos várias opções de manejo sem hormônios para devolver o conforto dessas mulheres.
Na parte clínica, os novos medicamentos, como a imunoterapia e outras terapias-alvo, atuam no local certo da doença e causam menos efeitos colaterais. O medo natural do câncer não deve paralisar a mulher nem adiar a ida ao consultório. O tempo joga a favor de quem busca ajuda cedo. A ciência trabalha lado a lado com a paciente para manter sua rotina, sua feminilidade e sua qualidade de vida totalmente intactas durante todo o processo.
A informação e a prevenção sempre serão as nossas ferramentas de cura mais eficazes. O diagnóstico deixou de ser uma sentença de dor ou de tratamentos que mutilam o corpo. Com cirurgias de precisão e protocolos que enxergam a paciente de forma global, conseguimos vencer a doença. O autocuidado, apoiado pelas inovações tecnológicas que temos à disposição, é o caminho mais seguro para superar o câncer.
* Prof. Dr. José Carlos Sadalla é médico especialista em Ginecologia & Obstetrícia e em Mastologia, co-fundador da Clínica Andrade & Sadalla, que atua nas especialidades de Ginecologia, Obstetrícia, Mastologia e Oncoginecologia. Além disso, é titular do Núcleo de Cirurgia Oncológica - Mastologia e Ginecologia do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, titular do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio-Libanês, membro do setor de ginecologia oncológica do HCFMUSP, médico do setor de ginecologia oncológica do ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e responsável pela Clínica Ginecológica do HCFMUSP dos casos de câncer pélvico e gestação.
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