Especialistas alertam para aumento de infecção urinária, candidíase, ressecamento vaginal e irritações durante os meses de inverno
Redação* Publicado em 16/06/2026, às 06h00

Durante o inverno, muitas mulheres enfrentam problemas de saúde íntima, como ressecamento vaginal e infecções urinárias, devido a mudanças nos hábitos, como a redução da ingestão de água e o uso de roupas apertadas.
A diminuição da hidratação e o uso de tecidos sintéticos criam um ambiente propício para infecções, especialmente em mulheres predispostas, além de afetar o equilíbrio da flora vaginal e aumentar a suscetibilidade a doenças.
Especialistas recomendam a adoção de hábitos saudáveis, como manter a hidratação adequada e usar roupas confortáveis, além de buscar avaliação médica para sintomas persistentes, que não devem ser normalizados apenas por causa do frio.
Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitas mulheres percebem mudanças no próprio corpo que vão além das doenças respiratórias típicas da estação. Ardência, ressecamento vaginal, infecção urinária, candidíase e desconfortos íntimos costumam se tornar mais frequentes durante o inverno, principalmente por alterações de hábitos comuns nessa época do ano.
Menor ingestão de água, uso prolongado de roupas mais apertadas e abafadas, tecidos sintéticos, mudanças na imunidade e até o hábito de segurar mais a urina podem favorecer desequilíbrios na saúde ginecológica e urinária.
Segundo a ginecologista e obstetra Carolina Orlandi, o frio pode influenciar diretamente o funcionamento do organismo e aumentar alguns sintomas íntimos.
“No inverno, algumas pacientes percebem aumento da sensação de ressecamento íntimo, o que pode estar relacionado à menor hidratação corporal, alterações hormonais já existentes e fatores individuais. Quando há desconforto persistente, coceira, ardor ou dor, é importante investigar porque nem sempre o sintoma está ligado apenas ao clima”, explica.
A especialista destaca que um dos problemas mais comuns no período é a infecção urinária. Isso acontece porque muitas pessoas acabam bebendo menos água sem perceber.
“No inverno, muitas mulheres reduzem a ingestão de líquidos e passam mais tempo sem urinar. Esse comportamento favorece infecções urinárias, especialmente em quem já tem predisposição. Sintomas como ardência ao urinar, aumento da frequência urinária e dor pélvica merecem avaliação médica”, afirma Carolina Orlandi.
Além da hidratação inadequada, roupas muito quentes e pouco respiráveis também podem contribuir para desconfortos íntimos. Calças apertadas, meia-calça, roupas térmicas e tecidos sintéticos aumentam calor e umidade na região genital, criando um ambiente favorável para irritações e proliferação de fungos e bactérias.
A ginecologista Déborah Coelho explica que esse cenário pode favorecer episódios de candidíase e alterações no equilíbrio da flora vaginal.
“No frio, muitas mulheres passam a usar roupas mais justas, permanecem mais tempo com tecidos abafados, reduzem a hidratação e acabam negligenciando alguns hábitos de cuidado íntimo. Tudo isso pode interferir no equilíbrio da região vaginal e urinária”, explica.
Segundo a médica, mulheres que sofrem com candidíase recorrente precisam de atenção especial durante o inverno.
“O inverno pode favorecer situações que alteram o equilíbrio local, como roupas muito apertadas, tecidos sintéticos, suor acumulado e mudanças de imunidade. Mulheres com episódios recorrentes devem investigar fatores predisponentes”, afirma Déborah Coelho.
Outro fator importante é a imunidade. Alterações no sono, alimentação menos equilibrada, estresse e maior incidência de infecções respiratórias também podem afetar o equilíbrio íntimo feminino.
“A queda da imunidade não causa diretamente doenças ginecológicas, mas pode favorecer desequilíbrios da flora vaginal e tornar algumas mulheres mais suscetíveis a infecções e inflamações. O organismo funciona de forma integrada e a saúde íntima também reflete esse equilíbrio”, explica Carolina Orlandi.
Especialistas também alertam que sintomas persistentes não devem ser normalizados apenas por estarem associados ao frio.
“Muitas mulheres normalizam sintomas ou usam tratamentos por conta própria repetidamente. O problema é que diferentes condições podem apresentar sintomas parecidos, e o tratamento inadequado pode atrasar o diagnóstico correto”, alerta Déborah Coelho.
Entre os principais sinais de atenção estão coceira persistente, corrimento com alteração de cor ou odor, ardência, dor pélvica, ressecamento intenso e alterações urinárias.
Para as especialistas, pequenas mudanças de hábito podem ajudar a reduzir desconfortos durante o inverno. Hidratação adequada, roupas confortáveis, boa higiene íntima, alimentação equilibrada e acompanhamento médico quando necessário continuam sendo medidas fundamentais para preservar a saúde feminina nos meses frios.
“Muitas pessoas associam hidratação apenas ao calor, mas no frio ela continua essencial. Água ajuda no funcionamento urinário, na saúde da mucosa vaginal e no equilíbrio geral do organismo, contribuindo inclusive para prevenção de desconfortos”, conclui Carolina Orlandi.
* Edição por Lina Santiago.
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