Uma das doenças crônicas mais comuns do mundo — e também uma das mais silenciosas - sua incidência vem aumentando na população
Lina Santiago Publicado em 14/11/2025, às 16h59

Cerca de 589 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos vivem com diabetes, sendo que 40% delas desconhecem a condição, o que destaca a necessidade urgente de conscientização e diagnóstico precoce.
O aumento da incidência da doença está ligado a fatores como estilo de vida inadequado, envelhecimento populacional e genética, com o diabetes tipo 2 representando mais de 90% dos casos, especialmente entre jovens.
Recentemente, a Roche anunciou um novo sensor de glicose com inteligência artificial, que deve ser lançado em dezembro, embora o acesso a tecnologias avançadas ainda seja limitado, especialmente para a população atendida pelo SUS.
Segundo o Atlas 2025 da Federação Internacional de Diabetes (IDF), 1 em 9 pessoas entre 20 e 79 anos vivem com diabetes – isso representa 589 milhões de pessoas. O mais preocupante, no entanto, é que cerca de 40% delas não têm conhecimento que possuem a doença.
A incidência da doença cresce anualmente, impulsionada por mudanças no estilo de vida, como hábitos alimentares ruins e falta de exercícios físicos, além do envelhecimento da população e fatores genéticos.
Mas, afinal, o que é o diabetes?
O diabetes é uma condição crônica que ocorre quando o pâncreas não consegue mais produzir o hormônio insulina ou quando o corpo não consegue utilizá-la de forma eficaz.
Os carboidratos presentes nos alimentos são decompostos em glicose no sangue e, com a ajuda da insulina, a glicose passa para as células do corpo, onde é utilizada para produzir energia.
Quando esse processo falha — seja por falta de insulina, seja porque o corpo não responde bem a ela — o açúcar acumula no sangue, causando a hiperglicemia. A longo prazo, níveis elevados de glicose estão associados a danos ao organismo e falência de diversos órgãos e tecidos.
Existem diferentes tipos de diabetes, sendo os mais comuns o tipo 1 e o tipo 2. O diabetes tipo 1 pode acometer indivíduos de qualquer idade, sendo mais comum aparecer em crianças e jovens. Em 2024, 9,2 milhões de pessoas viviam com esta condição, e cerca de 20% delas tinham idade inferior a 20 anos. O paciente com diabetes tipo 1 precisa de injeções diárias de insulina para controlar os níveis de glicose no sangue.
Já o diabetes tipo 2, que representa mais de 90% dos casos de diabetes, na maioria das vezes está ligada a uma combinação de estilo de vida sedentário, alimentação ruim e obesidade, e vem aumentando entre crianças, adolescentes e jovens adultos.
Há, ainda, o diabetes gestacional, em que um nível elevado de glicose no sangue se desenvolve durante a gravidez e geralmente desaparece após o parto.
O diabetes durante a gestação pode afetar a saúde da mãe e do bebê, com possíveis consequências a longo prazo. Pode levar a complicações relacionadas à gravidez, incluindo pressão alta, bebês com peso elevado ao nascer e dificuldades no trabalho de parto, mas com dieta adequada, exercícios físicos e acompanhamento médico, é controlável e prevenível.
A estudante de medicina e influenciadora digital Duda Dantas conta que foi diagnosticada com diabetes tipo 1 aos 8 anos, graças à perspicácia da mãe. “Viajamos em família e ficamos todos em um mesmo quarto de hotel. Minha mãe, da área da saúde, percebeu que eu me levantei diversas vezes à noite para ir ao banheiro. No mesmo dia fez um teste, que mostrou que minha glicemia estava acima de 600 mg/dl, e corremos para o hospital”. Duda esclarece que era uma criança magra e muito ativa, o contrário do estereótipo que as pessoas têm de um diabético - acima do peso e sedentário.
O ator e cantor Babu Santana descobriu que era diabético em 2020, aos 40 anos. Ele conta que foi ao médico com queixas de que dormia o dia todo e ainda assim sentia muito cansaço. Chegou a achar que estava com COVID, e se surpreendeu com o diagnóstico de diabetes tipo 2. Seus exames estavam muito alterados, o que lhe rendeu 7 dias na UTI. “Eu consumia muita pizza, refrigerante e sorvete. Fiquei muito assustado, nunca soube que tinha diabetes”, diz. “Eu nunca tinha me preocupado com o tanto que eu ia comer, se eu malhei, se eu dormi, se eu descansei. E quando eu descobri a diabetes, ela me forçou a ter esse cuidado.”
Sinais como sede excessiva, aumento da urina, cansaço, fome exagerada e perda de peso sem explicação merecem atenção. Entretanto, muitas pessoas não apresentam sintomas, reforçando a importância de exames periódicos.
A boa notícia é que o diabetes pode ser controlado, e a qualidade de vida, preservada. Mudanças no estilo de vida — alimentação equilibrada, atividade física regular e manutenção do peso adequado — são pilares essenciais do tratamento, especialmente no tipo 2. Em muitos casos, também são necessários medicamentos ou insulina.
Recentemente, a farmacêutica Roche apresentou a profissionais da saúde um sensor de glicose para diabetes que usa inteligência artificial (IA) para prever quedas ou picos de glicose antes que eles aconteçam – algo que outros sensores ainda não fazem. O produto deve chegar às farmácias em dezembro. A empresa não divulgou o preço com que o sensor será lançado.
Apesar dos avanços da medicina, é importante dizer que os tratamentos e métodos de controle mais avançados ainda estão restritos a uma pequena parcela da população que pode arcar com seu custo. O SUS (Sistema único de Saúde) disponibiliza injeções de insulina e outros medicamentos, mas seus pacientes ainda não têm acesso a sensores mais modernos, que ajudam muito no controle da glicemia.
Entender o que é o diabetes e como ele funciona é o primeiro passo para enfrentar a doença com responsabilidade e informação. Afinal, conhecimento também é cuidado.
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