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Dia Mundial do Câncer: A evolução do tratamento e a preservação da qualidade de vida na luta contra o câncer de mama

A evolução do tratamento do câncer de mama com foco no bem-estar emocional e físico da paciente

Prof. Dr. José Carlos Sadalla* Publicado em 04/02/2026, às 06h00

Mulher apalpa o seio por cima de camiseta branca
Para mulheres acima dos 40 anos, a mamografia anual é essencial para detecção precoce de câncer de mama. - Foto: Canva Pro

No Dia Mundial do Câncer, destaca-se a importância do diagnóstico precoce e a evolução no tratamento do câncer de mama, que agora prioriza a qualidade de vida das pacientes após a cura.

A mamografia anual é essencial para mulheres acima dos 40 anos, pois a detecção precoce aumenta as chances de cura para mais de 90%, enquanto a técnica do linfonodo sentinela revolucionou a cirurgia, evitando procedimentos radicais e suas consequências dolorosas.

O tratamento do câncer de mama é multidisciplinar e deve ser humanizado, focando não apenas na eliminação da doença, mas também no acolhimento das pacientes, que agora têm mais esperança e qualidade de vida após o diagnóstico e tratamento.

Resumo gerado por IA

O dia 4 de fevereiro, marcado mundialmente como o Dia Mundial do Câncer, não deve ser apenas uma data de estatísticas alarmantes, mas um momento de celebrarmos a evolução da ciência e a preservação da vida. Como mastologista e oncoginecologista que acompanha diariamente a jornada de mulheres enfrentando o câncer de mama, testemunho uma mudança de paradigma fundamental: deixamos de focar apenas na sobrevivência e cura para priorizar também a qualidade de vida da paciente após o tratamento.

Ainda vivemos sob a máxima inegável de que o diagnóstico precoce é o nosso maior aliado. Quando detectamos o tumor em suas fases iniciais, as chances de cura ultrapassam a barreira dos 90%. Por isso, insisto incansavelmente que, para mulheres acima dos 40 anos, a mamografia anual é essencial. O autoexame é uma ferramenta valiosa de autoconhecimento, mas ele não substitui a precisão da imagem, capaz de revelar lesões milimétricas que o tato jamais alcançaria. Contudo, o que fazer quando o diagnóstico se confirma? É aqui que a medicina moderna tem brilhado.

Durante décadas, o tratamento cirúrgico do câncer de mama foi sinônimo de procedimentos radicais. A mastectomia muitas vezes vinha acompanhada do esvaziamento axilar completo, ou seja, a retirada de todos os gânglios linfáticos da axila. Essa medida, embora curativa, deixava marcas profundas. Muitas mulheres desenvolviam o linfedema, um inchaço crônico e doloroso no braço que limitava movimentos simples e impactava severamente a rotina. Hoje, felizmente, a realidade é outra graças à técnica do linfonodo sentinela.

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Esta técnica revolucionou a cirurgia oncológica ao trazer precisão e conservação. O conceito é elegante em sua simplicidade: identificamos o "sentinela", que é o primeiro gânglio a receber a drenagem linfática da mama. Se esse gânglio específico estiver livre de células cancerígenas, podemos inferir com segurança que os demais também estão. Durante a cirurgia, utilizamos corantes ou marcadores radioativos para localizar esse gânglio e analisá-lo. Estando ele livre de câncer, preservamos toda a cadeia linfática restante.

O resultado prático dessa abordagem é imensurável para a mulher. Evitamos dores desnecessárias, reduzimos drasticamente o risco de inchaço no braço e permitimos uma recuperação funcional muito mais rápida. A paciente não sai do centro cirúrgico apenas "livre do tumor", mas apta a retomar sua vida, seus exercícios e seu trabalho com integridade física.

É claro que o tratamento do câncer de mama é multidisciplinar. A cirurgia caminha lado a lado com a quimioterapia, a radioterapia, a hormonioterapia e as terapias-alvo, que atacam a doença com mecanismos cada vez mais sofisticados. No entanto, a filosofia por trás de cada uma dessas etapas deve ser a mesma: a humanização. Tratar o câncer não é apenas eliminar células doentes; é acolher a pessoa por trás do diagnóstico, mitigar seus medos e oferecer a ela o melhor retorno possível à sua normalidade.

Neste Dia Mundial do Câncer, meu recado é de otimismo e vigilância. Não tema o diagnóstico, pois a medicina nunca esteve tão preparada para oferecer cura com qualidade de vida. Faça seus exames, conheça seu corpo e confie na ciência. A luta contra o câncer é coletiva, e a vitória é, cada vez mais, uma realidade frequente em nossos consultórios.

* Prof. Dr. José Carlos Sadalla é especialista em Mastologia e Oncoginecologia, formado pela Faculdade de Medicina da USP. É referência em cirurgias minimamente invasivas e tratamento oncológico humanizado.

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