Exame de alta precisão identifica a doença antes do surgimento de sintomas, interrompendo a evolução de tuberculose em populações vulneráveis
Redação Publicado em 26/12/2025, às 06h00

A tuberculose é uma das principais causas de morte entre pessoas com HIV, representando um terço dos óbitos por AIDS globalmente, com um risco até 30 vezes maior de desenvolver a forma ativa da doença, o que torna o diagnóstico precoce essencial para a prevenção.
No Brasil, cerca de 10% das pessoas vivendo com HIV também têm tuberculose, e o teste IGRA, disponível pelo SUS, é recomendado pela OMS para identificar a infecção latente com alta precisão, permitindo intervenções que salvam vidas.
O teste IGRA é crucial para reduzir falsos negativos e agilizar o tratamento, e sua ampliação é vista como um passo importante para controlar a coinfecção TB/HIV, com a necessidade de garantir que a informação chegue a profissionais de saúde e à população vulnerável.
A tuberculose é uma das principais causas de morte entre pessoas que vivem com HIV, representando cerca de um terço dos óbitos por AIDS no mundo. Durante o Dezembro Vermelho, mês de conscientização sobre o HIV/AIDS, órgãos de saúde reforçam um dado crucial para essa população: o risco até 30 vezes maior de desenvolver a forma ativa da tuberculose. Nesse contexto, o diagnóstico precoce da infecção latente – fase em que a bactéria está no organismo sem apresentar sintomas – surge como uma estratégia vital de prevenção.
Raphael Oliveira, Gerente de Marketing Regional LATAM para Diagnósticos Moleculares da QIAGEN, explica que a detecção nessa fase permite o início de um tratamento preventivo, evitando que a doença se torne ativa, contagiosa e potencialmente fatal para quem tem o sistema imunológico vulnerável. Segundo ele, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o teste IGRA, exame de sangue recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar a tuberculose latente com alta precisão.
“Para a população vivendo com HIV, a tuberculose latente é uma ameaça silenciosa. Somente no Brasil, o índice de coinfecção de tuberculose e HIV é em torno de 10%, de acordo com o Ministério da Saúde. Portanto, diagnosticá-la é uma intervenção que salva vidas. O tratamento preventivo é seguro, eficaz e interrompe a progressão para a doença ativa, reduzindo drasticamente o risco de complicações e mortalidade”, afirma.
Indicado pelo Ministério da Saúde para grupos de risco, incluindo pessoas vivendo com HIV, crianças em contato com casos ativos de TB, candidatos a transplantes de órgãos, e pessoas com doenças inflamatórias imuno mediadas, como a psoríase, doença de crohn e artrite reumatoide, o teste IGRA é realizado por meio de uma simples coleta de sangue.
Oliveira ressalta que o método é essencial para reduzir as margens de falso-negativo, que costumam acontecer com mais frequência entre as pessoas que convivem com HIV, e oferece resultado em até 24 horas, agilizando o manejo clínico e a tomada de decisão.
“Ampliar a testagem anual é um dos pilares para controlar a coinfecção TB/HIV no país. O acesso a tecnologias precisas como o IGRA no SUS é um avanço significativo, mas precisamos garantir que essa informação chegue aos profissionais de saúde e à população vulnerável. O caminho para reduzir óbitos está na prevenção ativa e na busca rápida pelo tratamento”, complementa o executivo da QIAGEN.
Além do SUS, o teste IGRA está disponível na rede privada, em mais de 59 laboratórios em todo o país. Após a fase assintomática, que pode se estender por anos, a tuberculose pode evoluir de forma grave e rápida a partir de uma queda imunológica, portanto, a busca sistemática dos casos da doença, mesmo que a infecção esteja inativa, é uma das maneiras mais efetivas de conter essa transmissão e erradicar suas ocorrências.
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