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Cirurgia bariátrica: panorama atual, desafios e perspectivas de tratamento da obesidade no Brasil

Dados alarmantes sobre a obesidade no Brasil e a necessidade de intervenções eficazes para reverter essa tendência

Redação* Publicado em 26/01/2026, às 06h00

Mulher acima do peso coloca fica métrica ao redor da barriga
No Brasil, pesquisas recentes apontam que até 50% da população está acima do peso - Foto: Canva Pro

A obesidade se tornou um grave problema de saúde pública no Brasil, com a OMS prevendo que até 2025, mais de 2,3 bilhões de adultos terão excesso de peso, impactando diretamente doenças crônicas como diabetes e hipertensão. No Brasil, até 50% da população pode estar acima do peso, com projeções indicando que 31% poderão ser obesos até 2030.

A cirurgia bariátrica é considerada a intervenção mais eficaz para perda de peso e melhora de comorbidades, com dados da SBCBM mostrando que entre 2020 e 2024, 291.731 cirurgias foram realizadas, sendo a maioria por planos de saúde. Apesar disso, menos de 1% dos brasileiros com indicação médica consegue realizar o procedimento, evidenciando a limitação de acesso ao tratamento.

Recentemente, o CFM atualizou os critérios para a cirurgia bariátrica, permitindo acesso a pacientes com IMC entre 30 e 35 que apresentem comorbidades. O Dr. Michel Fernandes destaca que o tratamento da obesidade deve ser integral, envolvendo mudanças de estilo de vida e suporte contínuo, com a cirurgia sendo uma parte do processo terapêutico.

Resumo gerado por IA

A obesidade se consolidou como um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo, com impactos diretos sobre doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono e esteatohepatite não alcoólica. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de 2,3 bilhões de adultos poderão apresentar excesso de peso em 2025, sendo cerca de 700 milhões obesos (IMC ≥30 kg/m²). No Brasil, pesquisas recentes apontam que até 50% da população está acima do peso, enquanto projeções sugerem que cerca de 31% dos brasileiros poderão estar obesos até 2030 se as tendências atuais se mantiverem.

Em meio a esse cenário, a cirurgia bariátrica e metabólica surge como a intervenção mais eficaz para perda de peso sustentada e para melhora de comorbidades associadas, atuando não apenas sobre o peso corporal, mas também na reversão de doenças metabólicas graves.

O Dr. Michel Fernandes, gastrocirurgião com ampla formação e atuação em centros de referência — incluindo o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, onde foi Médico Preceptor do Departamento de Gastro, explica que a cirurgia bariátrica, quando bem indicada e acompanhada por uma equipe multidisciplinar, representa uma mudança de paradigma no tratamento da obesidade. Ela não é apenas uma técnica de redução de peso, mas um tratamento metabólico que melhora de forma significativa a qualidade de vida do paciente e reduz o risco de doenças associadas.

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Segundo levantamentos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), entre 2020 e 2024 foram realizadas 291.731 cirurgias bariátricas no país, das quais apenas 31.351 foram realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a maioria ocorreu via planos de saúde. Em 2025, o SUS realizou mais de 6 mil procedimentos de janeiro a junho, e os planos de saúde registraram quase 14 mil cirurgias até maio.

Apesar desses números, o acesso ainda é limitado: estimativas indicam que menos de 1% dos brasileiros com indicação médica efetiva para cirurgia bariátrica consegue realizar o procedimento, evidenciando gargalos no acesso e na capacidade do sistema de saúde diante da crescente demanda.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou recentemente os critérios para indicação de cirurgia bariátrica e metabólica. A Resolução nº 2.429/25 ampliou as possibilidades de acesso, incluindo pacientes com IMC entre 30 e 35 desde que apresentem comorbidades como diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave ou esteatose hepática com fibrose, entre outras condições associadas.

O médico ressalta que “essa ampliação dos critérios reflete o reconhecimento de evidências científicas robustas mostrando que pacientes com IMC moderado também podem se beneficiar de forma significativa da cirurgia, especialmente quando acometidos por doenças metabólicas”.

Doutor Michel enfatiza que o tratamento da obesidade deve ser integral, combinando modificações de estilo de vida, suporte psicológico, acompanhamento nutricional e médico contínuo, sendo a cirurgia uma ferramenta dentro desse contexto terapêutico.
“Não se trata apenas de uma operação. É um processo que envolve preparação, acompanhamento e educação continuada”, afirma Dr. Fernandes, destacando a importância de equipes qualificadas em todas as fases do cuidado.

*Com edição de Lina Santiago.

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