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Câncer do colo do útero ainda causa mais de 7 mil mortes por ano no Brasil

Apesar de ser altamente prevenível, o câncer do colo do útero ainda está entre os mais incidentes entre mulheres brasileiras

Redação* Publicado em 31/03/2026, às 06h00

Mulher mostra no braço uma pequena faixa onde se lê "HPV", em referência à vacina contra HPV.
O câncer do colo do útero é quase totalmente prevenido com vacinação contra o HPV e rastreamento por exames. - Foto: Canva Pro

Durante a campanha Março Lilás, a Dra. Daniella Campos destaca que o câncer do colo do útero, apesar de ser amplamente prevenível, continua a causar milhares de diagnósticos e mortes no Brasil, com cerca de 19.310 novos casos previstos anualmente entre 2026 e 2028.

O câncer cervical é o terceiro mais comum entre mulheres no país, com taxas de mortalidade de 6,65 por 100 mil, refletindo desigualdades no acesso à informação e aos serviços de saúde, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Medidas de prevenção incluem a vacinação contra o HPV e o exame Papanicolau, ambos disponíveis pelo SUS, mas a Dra. Daniella alerta para a necessidade de aumentar a conscientização e o acesso a esses serviços para reduzir a incidência da doença.

Resumo gerado por IA

Durante o Março Lilás, campanha nacional de conscientização sobre o câncer do colo do útero, a Dra. Daniella Campos, ginecologista, obstetra e diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, reforça um alerta importante para a saúde pública. Apesar de ser um dos tipos de câncer com maior potencial de prevenção, a doença ainda provoca milhares de diagnósticos e mortes todos os anos no país.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026–2028, o que representa um risco estimado de 17,59 casos para cada 100 mil mulheres. Em 2023, foram registrados 7.209 óbitos pela doença, com taxa de mortalidade de 6,65 mortes por 100 mil mulheres.

Para a médica, o cenário mostra que o país ainda enfrenta dificuldades para ampliar o acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce. “Trata-se de um tipo de câncer que, com a estratégia certa, poderia ser quase totalmente prevenido. Contamos com recursos comprovados, como vacinação contra o HPV, rastreamento por exames e tratamento precoce das lesões precursoras. O desafio atual é garantir a cobertura dessas medidas para toda a população feminina”, afirma.

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No Brasil, o câncer do colo do útero ocupa atualmente a terceira posição entre os tumores mais incidentes na população feminina, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.

A doença é causada principalmente pela infecção persistente do Papilomavírus Humano (HPV), vírus sexualmente transmissível e muito comum. Estima-se que a maioria das pessoas que mantém relações íntimas terá contato com o HPV ao longo da vida, embora apenas uma parcela evolua para lesões que podem resultar em câncer. Globalmente, esse tumor também representa um importante desafio para os sistemas de saúde. A condição clínica registra cerca de 661 mil novos casos e aproximadamente 348 mil mortes por ano no mundo, sendo o quarto câncer mais comum entre mulheres.

De acordo com a Dra. Daniella, a evolução lenta da doença oferece uma janela importante para prevenção. “O câncer cervical geralmente se desenvolve ao longo de vários anos, a partir de lesões precursoras que podem ser identificadas com antecedência. Quando detectado precocemente, as chances de cura podem ultrapassar 90%”.

Desigualdade regional agrava o problema

Apesar dos avanços no diagnóstico e na prevenção, o impacto da doença não é uniforme no país.

Dados do INCA mostram que o câncer do colo do útero é o segundo mais incidente nas regiões Norte e Nordeste, onde as taxas podem ultrapassar 20 casos a cada 100 mil mulheres, números significativamente superiores aos observados em regiões mais desenvolvidas.

Essas diferenças refletem desigualdades históricas no acesso à informação, aos exames preventivos e à vacinação.

“Ainda existe um grande desafio de acesso à prevenção no Brasil. Muitas mulheres deixam de fazer o exame por dificuldades de acesso ao sistema de saúde ou por falta de informação sobre a importância do acompanhamento ginecológico regular”, explica a diretora médica.

Prevenção: vacina e exame que salvam vidas

A prevenção do câncer do colo do útero se baseia em duas estratégias principais: vacinação contra o HPV e rastreamento por meio do exame Papanicolau.

Desde 2014, a vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, protegendo contra os tipos do vírus mais associados ao desenvolvimento da doença.

Já o exame Papanicolau, recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos, permite identificar alterações celulares antes que elas evoluam para câncer. “O Papanicolau continua sendo uma das estratégias mais eficazes para reduzir a mortalidade por câncer do colo do útero. Ele permite detectar alterações celulares ainda em estágio inicial, quando o tratamento é mais simples e as chances de cura são muito maiores”, orienta a Dra. Daniella Campos.

Manter o acompanhamento ginecológico regular pode reduzir significativamente o risco de desenvolvimento da doença.

Março Lilás reforça a importância da informação

A campanha Março Lilás busca ampliar a conscientização sobre a prevenção do câncer do colo do útero e incentivar mulheres a realizarem exames preventivos regularmente. Para a Dra. Daniella, campanhas como esta são essenciais para enfrentar uma doença que ainda apresenta números expressivos no Brasil, apesar de ser amplamente prevenível.

“Esse tipo de câncer é um exemplo claro de como informação e acesso à saúde podem salvar vidas. A prevenção permite evitar milhares de diagnósticos e mortes todos os anos”, conclui a especialista.

* Edição por Lina Santiago.

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