Mariana Kotscho
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Atriz capixaba enfrenta doença ginecológica grave, passa nove dias na UTI e transforma drama pessoal em alerta de saúde

“Achei que fosse só mais uma dor que a gente aprende a aguentar, mas meu corpo estava pedindo socorro”, alerta a atriz

Redação* Publicado em 06/04/2026, às 06h00

Médico mostra sistema reprodutor feminino em modelo anatômico, enquanto mulher está sentada ao fundo
A miomatose uterina não é incomum, mas quadros agressivos em mulheres jovens exigem atenção redobrada. - Foto: Canva Pro

Raiza Noah, atriz e criadora de conteúdo digital, enfrentou complicações graves de saúde devido a miomatose uterina, que quase a levou à morte, interrompendo sua carreira em ascensão e impactando sua vida pessoal e profissional.

Aos 27 anos, Raiza foi diagnosticada com múltiplos miomas, resultando em dores intensas e hemorragias, o que a levou a realizar três procedimentos cirúrgicos, mas a condição persistiu, culminando em uma internação de emergência devido a complicações raras após o congelamento de óvulos.

Atualmente em recuperação, Raiza retoma suas atividades e utiliza sua experiência para alertar outras mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico, destacando que a dor intensa não deve ser normalizada.

Resumo gerado por IA

A atriz, comediante e criadora de conteúdo digital Raiza Noah, capixaba de nascimento, conhecida pelo humor afiado e pela presença marcante nas redes sociais, viveu recentemente um dos episódios mais delicados de sua vida. Com mais de 250 mil seguidores no Instagram e vídeos que somam milhões de visualizações, ela precisou interromper a rotina profissional após complicações graves relacionadas a uma doença ginecológica que quase lhe custou a vida.

Raiza integra atualmente o elenco do telefilme “É Quase Verdade”, produção do Espírito Santo selecionada para o projeto Telefilmes Regionais, que fará parte da programação do Cine BBB 26. Após a exibição no reality, o filme também será exibido na Tela Quente, ampliando a projeção nacional da atriz. Na trama, ela interpreta Clarice, professora de História e melhor amiga da protagonista Janaína.

Por trás da carreira em ascensão, no entanto, havia uma batalha silenciosa. Aos 27 anos, Raiza foi diagnosticada com miomatose uterina, após perceber o agravamento de dores menstruais intensas e um fluxo considerado fora do padrão. Mesmo realizando exames de rotina, o quadro evoluiu rapidamente, com o surgimento de múltiplos miomas de diferentes tamanhos e localizações, alguns altamente vascularizados, o que chegou a levantar suspeitas mais graves, depois descartadas.

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Segundo o ginecologista Dr. César Patez, especialista em endometriose, a miomatose uterina não é incomum, mas quadros agressivos em mulheres jovens exigem atenção redobrada. “Miomas são tumores benignos do músculo uterino e não têm relação direta com câncer. No entanto, quando crescem de forma acelerada, causam dor intensa, sangramentos importantes e podem comprometer seriamente a fertilidade. Não existe uma ‘cura definitiva’ sem cirurgia, mas há controle clínico e cirúrgico eficaz quando o diagnóstico é feito precocemente”, explica.

Raiza passou por três procedimentos cirúrgicos, incluindo duas histeroscopias e uma embolização uterina. Mesmo assim, os miomas voltaram a crescer. As hemorragias frequentes e as crises de dor levaram a atriz a sucessivas idas ao pronto-socorro, além de quadros recorrentes de anemia. A possibilidade real de perder o útero entrou em pauta, obrigando-a a rever planos pessoais e profissionais.

Diante da instabilidade clínica e da incerteza sobre a fertilidade, aos 32 anos Raiza decidiu realizar o congelamento de óvulos. O procedimento, no entanto, desencadeou uma complicação rara e potencialmente fatal: a síndrome de hiperestimulação ovariana grave. Durante a punção, dificuldades anatômicas impediram o acesso completo a alguns folículos, que liberaram grande quantidade de líquido no organismo.

O resultado foi uma internação de emergência. Raiza permaneceu cerca de nove dias na UTI, passou por drenagem de quase dois litros de líquido abdominal e desenvolveu um derrame pleural, com acúmulo de líquido nos pulmões. O episódio ocorreu durante as festas de fim de ano, e a atriz virou o Ano-Novo hospitalizada. “Se eu tivesse demorado mais um dia para procurar ajuda, poderia ter sido muito pior”, relata.

Casos como o de Raiza também se inserem em um cenário mais amplo. Dados epidemiológicos recentes apontam uma queda consistente nos índices de fertilidade no Brasil e no mundo. Para o ginecologista e cirurgião geral Dr. Vinícius Araújo, referência em cirurgia de endometriose e miomas, o alerta é real. “Os dados são claros em mostrar que a fertilidade vem diminuindo ao longo das últimas décadas. Estilo de vida, exposições ambientais, adiamento da maternidade e condições como endometriose e miomas mudaram o panorama de forma mensurável”, afirma.

O médico destaca a importância da avaliação precoce. “A recomendação geral é buscar ajuda após um ano de tentativas, mas mulheres acima dos 35 anos devem investigar após seis meses. Já pacientes com doenças de alto risco para fertilidade, como endometriose e miomas, idealmente devem ser avaliadas antes mesmo de tentar engravidar”, orienta. Segundo ele, exames hormonais, análise da reserva ovariana e avaliação do parceiro são essenciais para um planejamento reprodutivo eficaz.

Além do acompanhamento médico, o estilo de vida também pesa. “Não é só cirurgia ou fertilização in vitro. Alimentação equilibrada, atividade física, controle de peso, redução do álcool e parar de fumar têm impacto direto no metabolismo hormonal e na saúde reprodutiva”, reforça Dr. Vinícius.

Paralelamente, cresce o interesse pelo congelamento de óvulos como ferramenta de autonomia feminina. A especialista em Reprodução Humana Taciana Fontes destaca que a idade é determinante para o sucesso do procedimento. “O ideal é congelar óvulos até os 35 anos, quando há melhor qualidade e quantidade. Depois disso, as taxas de sucesso caem progressivamente”, explica. Ela observa ainda que o tema ganhou visibilidade graças a relatos públicos. “Quando mulheres conhecidas compartilham suas experiências, elas normalizam a conversa e ampliam o acesso à informação. O congelamento não é uma medida extrema, mas uma estratégia de planejamento”, afirma.

Entender a origem das doenças ginecológicas também influencia diretamente o tratamento. O ginecologista Dr. Igor Chiminacio, referência na teoria embrionária da endometriose, explica que o conhecimento científico evoluiu. “Hoje sabemos que a endometriose tem origem embrionária. Os focos da doença estão presentes desde a vida fetal e podem permanecer silenciosos por anos, ativando-se ao longo da vida reprodutiva”, diz. Para ele, compreender esses trajetos é fundamental. “A endometriose profunda segue caminhos embrionários previsíveis. Quando entendemos isso, conseguimos remover as lesões de forma completa, reduzindo dor, recidivas e melhorando a fertilidade.”

Atualmente em recuperação, Raiza retoma as atividades de forma gradual e faz fisioterapia respiratória. Ao tornar pública sua história, ela chama atenção para um problema frequentemente minimizado. “Existe uma normalização da dor feminina. Sangrar muito e sentir dor não é normal”, afirma. Seu relato ecoa como alerta para que outras mulheres busquem diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e não ignorem sinais persistentes do próprio corpo.

Fonte:

Postagem onde a atriz fala sobre o problema: https://www.instagram.com/reel/DURRTiCCS8_/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

* Edição por Lina Santiago.

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