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Quando pedir ajuda é coragem: o impacto transformador de terapeutas, educadores financeiros e mentores

O apoio de terapeutas, educadores financeiros e mentores pode ajudar você criar um plano estável de desenvolvimento financeiro

Luciana Pavan* Publicado em 26/12/2025, às 06h00

Aprenda os benefícios em pedir ajuda profissional na vida pessoal e financeira - pexels
Aprenda os benefícios em pedir ajuda profissional na vida pessoal e financeira - pexels

Buscar ajuda especializada em áreas emocionais, financeiras ou profissionais ainda é um tabu, especialmente entre homens, que frequentemente resistem a admitir a necessidade de apoio externo, refletindo uma cultura de autoexigência e vergonha.

Fatores como orgulho, medo de exposição e desconhecimento sobre os benefícios de profissionais competentes dificultam essa busca, mas a ajuda é vista como um sinal de inteligência emocional e maturidade, essencial para mudanças sustentáveis.

Profissionais como terapeutas, educadores financeiros e mentores atuam de forma integrada para ajudar indivíduos a entenderem seus comportamentos, desenvolverem hábitos saudáveis e alcançarem objetivos de carreira, promovendo um processo de desenvolvimento pessoal e financeiro eficaz.

Resumo gerado por IA

Buscar ajuda especializada - seja emocional, financeira ou profissional - ainda é um tabu para muita gente. Mesmo pessoas experientes, que “já construíram uma vida”, sentem dificuldade em admitir que precisam de um olhar externo. Na minha rotina de
atendimentos, percebo que os homens, especialmente, resistem mais. Quase sempre,
quando atendo casais, é a mulher quem dá o primeiro passo e me procura. E isso pode ser explicado a uma questão cultural e histórica, em que o público masculino resiste mais a partir de uma (auto)cobrança de (suposta) força.

Esse bloqueio nasce de fatores profundos: o orgulho de achar que “eu deveria dar conta sozinho”, o medo de se expor, a vergonha de revelar erros financeiros e até o
desconhecimento sobre o real impacto desses profissionais. Mas a verdade é simples:
buscar apoio não é sinal de fracasso. É, na verdade, evidência de inteligência emocional e maturidade. É um movimento que abre espaço para transformações que, sozinhos, raramente conseguimos sustentar.

Quando falamos de mudança de comportamento - seja com o dinheiro, com as emoções ou com a carreira - força de vontade não basta. Como diz Dan Ariely, referência em economia comportamental: “Somos falíveis, facilmente confundíveis e, com frequência, irracionais. Estamos mais para Homer Simpson do que para Super-Homem”. Nosso cérebro repete padrões automáticos que nem sempre nos fazem bem. Por isso, contar com profissionais competentes é fundamental para romper ciclos e construir novos caminhos.

O terapeuta ajuda a entender as raízes dos comportamentos, especialmente aqueles
ligados à culpa, impulsividade, comparações ou autossabotagem - essas emoções que
influenciam diretamente como lidamos com o dinheiro e com o futuro. Ao compreender
esses padrões, a pessoa toma decisões mais equilibradas e reduz a ansiedade.

O(a) educador(a) financeiro, por sua vez, transforma essa clareza emocional em prática. Ele(a) ajuda a criar hábitos saudáveis, planejar a vida financeira e entender o que é possível - e necessário - dentro da realidade de cada um. Quando há organização e visão de futuro, a ansiedade financeira diminui e a sensação de autonomia aumenta.

Já o(a) mentor(a) profissional atua no desenvolvimento de carreira, trazendo estratégia, foco e direção. Ele(a) contribui para a definição de metas realistas, acelera resultados e ajuda a pessoa a enxergar oportunidades que, no dia a dia, não consegue visualizar sozinha.

Quando esses(as) três profissionais trabalham de forma integrada, nasce um processo
poderoso: entende-se a origem dos comportamentos, cria-se um plano concreto e passa-se a agir com consistência. É desenvolvimento pessoal e financeiro com profundidade - sem atalhos, sem fórmulas mágicas.

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Mas como saber a hora de pedir ajuda? Alguns sinais são evidentes: ansiedade constante com dinheiro, ciclos repetitivos de endividamento, sensação de estagnação na carreira, dificuldade de foco, procrastinação crônica. No campo financeiro, um alerta vermelho clássico é quando a pessoa usa o cheque especial como extensão do salário. Esse padrão indica que a autonomia financeira foi comprometida e que é urgente buscar apoio.

Se uma pessoa sabe que precisa de ajuda, mas sente vergonha, medo ou resistência, deixo um convite: dê as caras. É preciso coragem para conhecer uma nova versão de si - mais calma, mais consciente e com uma vida financeira saudável. Dar o primeiro passo não é admitir fraqueza. É investir em segurança, paz e prosperidade.

*Luciana Pavan é educadora financeira e fundadora do 90 Segundos de Finanças

*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres