Entenda como a falta de sono pode afetar o desenvolvimento e a saúde do seu filho e afetar as famílias
Larissa Fonseca* Publicado em 20/04/2026, às 06h00

Estudos indicam que muitas crianças não estão atingindo as 10 a 14 horas de sono recomendadas por dia, o que pode comprometer seu desenvolvimento saudável. A falta de sono adequado tem se tornado uma preocupação crescente entre especialistas, que alertam para os impactos negativos na saúde física e emocional das crianças.
Pesquisas mostram que crianças entre 1 e 5 anos frequentemente dormem menos do que o necessário, com muitos abandonando a soneca precoce devido a mudanças na rotina e excesso de estímulos. A American Academy of Sleep Medicine recomenda que crianças nessa faixa etária durmam entre 10 e 13 horas diariamente, destacando a importância do sono para o desenvolvimento.
Para melhorar a qualidade do sono infantil, especialistas sugerem ajustes simples na rotina, como criar um ambiente tranquilo antes de dormir e reduzir a exposição a telas. A reflexão sobre a importância do sono deve ser uma prioridade para as famílias, considerando seu papel fundamental no crescimento e bem-estar das crianças.
Você já se perguntou se seu filho está dormindo o suficiente?
Essa é uma dúvida mais comum e também mais importante do que parece. Ao longo dos anos, diferentes especialistas têm sugerido quantidades variadas de sono para crianças pequenas, geralmente entre 10 e 14 horas por dia, considerando também as sonecas. Ainda que exista alguma variação individual, uma coisa é consenso: crianças precisam dormir bem para se desenvolver de forma saudável.
O que preocupa é que, na prática, muitas delas não estão atingindo esse tempo. Pesquisas já indicavam, há algum tempo, que não apenas adultos e adolescentes estavam dormindo menos, como crianças pequenas também passaram a ter rotinas com menos horas de sono. Estudos com crianças entre 1 e 5 anos mostraram médias abaixo do recomendado, inclusive quando se consideram as sonecas ao longo do dia. Em muitos casos, o total diário sequer chega a 10 horas.
Outro dado que chama atenção é o abandono precoce da soneca. Crianças que ainda se beneficiariam desse descanso passam a não dormir mais durante o dia, seja por mudanças na rotina familiar, seja por adaptação a horários escolares ou mesmo pela dificuldade de desacelerar.
Hoje sabemos que o sono na infância não é apenas um momento de pausa, mas também um verdadeiro “organizador” do desenvolvimento. Durante o sono, o cérebro consolida aprendizagens, regula emoções e fortalece funções essenciais para o crescimento.
Quando esse sono é insuficiente, os impactos podem aparecer de forma sutil, mas consistente. Entre os sinais mais comuns, vale observar:
Além disso, estudos mais recentes apontam relações entre a privação de sono e questões físicas, como alterações hormonais, maior risco de ganho de peso e impacto na imunidade.
Organizações como a American Academy of Sleep Medicine reforçam essa preocupação ao indicar que crianças de 3 a 5 anos devem dormir, em média, entre 10 e 13 horas por dia. Ou seja, dormir menos do que isso com frequência não é apenas um detalhe da rotina, pode ser um fator relevante para o desenvolvimento.
Nos últimos anos, um elemento tem ganhado destaque nessa discussão que é o excesso de estímulos, especialmente no período noturno. A presença de telas, a rotina acelerada e a dificuldade de estabelecer horários consistentes contribuem diretamente para um sono mais curto e, muitas vezes, de pior qualidade.
Não é raro vermos crianças que chegam à noite ainda muito estimuladas, com dificuldade para desacelerar. A luz das telas, por exemplo, interfere na produção de melatonina, o hormônio responsável por sinalizar ao corpo que é hora de dormir. O resultado é um adormecer mais tardio e um descanso menos reparador.
Diante disso, mais do que buscar um número exato de horas, talvez o mais importante seja observar a qualidade desse sono e seus efeitos no dia a dia da criança.
Pequenos ajustes na rotina podem fazer uma grande diferença. Criar um ritmo previsível, reduzir estímulos antes de dormir e respeitar os sinais de cansaço são caminhos simples, mas potentes.
No fim das contas, o sono não deve ser visto como um “tempo que sobra” na rotina, mas como uma necessidade fundamental da infância.
E fica uma reflexão importante para as famílias: o sono do seu filho está favorecendo ou prejudicando o desenvolvimento dele?
*Larissa Fonseca é Pedagoga e NeuroPedagoga graduada pela USP, Pós Graduada em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Educação Infantil. Autora do livro Dúvidas de Mãe.
*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres