Exposição excessiva a telas na infância pode interferir no desenvolvimento neurológico e comportamental e isso merece atenção das famílias
Redação* Publicado em 11/03/2026, às 06h00

O aumento do tempo que crianças pequenas passam em frente a telas tem gerado preocupações sobre seu impacto no desenvolvimento neurológico, especialmente em relação ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Especialistas alertam que o uso excessivo de dispositivos pode atrasar marcos importantes do desenvolvimento infantil, como linguagem e interação social.
Estudos indicam que a exposição excessiva a telas pode resultar em atrasos na fala e dificuldades de interação, confundindo famílias sobre a relação entre o uso de tecnologia e o diagnóstico de autismo. A neuropediatra Roberta Machado enfatiza que, embora as telas não causem autismo, podem agravar sintomas em crianças com vulnerabilidades neurológicas.
As recomendações médicas sugerem que crianças menores de dois anos não devem ser expostas a telas, e o uso deve ser limitado e supervisionado após essa idade. A redução do tempo de tela pode levar a melhorias significativas na comunicação e no interesse pelo ambiente, destacando a importância de experiências humanas para um desenvolvimento saudável.
O aumento do tempo de exposição às telas entre crianças pequenas tem levantado debates importantes na área da saúde infantil, especialmente quando o assunto é o desenvolvimento neurológico e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora o uso de celulares, tablets e televisões faça parte da rotina moderna, especialistas alertam que o excesso pode impactar habilidades essenciais nos primeiros anos de vida.
O ponto central da discussão não é afirmar que telas causam autismo, mas compreender como o uso inadequado pode intensificar dificuldades já existentes ou atrasar marcos importantes do desenvolvimento, como linguagem, interação social e atenção compartilhada.
A neuropediatra Roberta Machado explica que o cérebro infantil passa por um período crítico de formação nos primeiros anos, quando estímulos humanos são fundamentais. “A criança aprende a se comunicar olhando, ouvindo, imitando e interagindo. Quando esse tempo é substituído por telas, há perda de oportunidades essenciais para o desenvolvimento social e da linguagem,” afirma.
Estudos mostram que crianças com exposição excessiva a telas podem apresentar atraso de fala, dificuldade de contato visual, menor resposta ao chamado do nome e comportamentos repetitivos, sinais que também aparecem no TEA. Isso pode gerar confusão e levar famílias a associarem diretamente o uso de telas ao diagnóstico de autismo.
Segundo a especialista, o problema está na intensidade e na idade de exposição. “As telas não causam autismo, mas podem agravar sintomas em crianças que já têm uma vulnerabilidade neurológica ou mascarar sinais importantes, atrasando o diagnóstico correto,” esclarece a Dra. Roberta Machado.
Outro fator de atenção é que conteúdos digitais não substituem a interação humana. Brincadeiras simbólicas, conversas, leitura de histórias e jogos presenciais estimulam áreas do cérebro relacionadas à empatia, linguagem e autorregulação emocional. “O desenvolvimento infantil acontece na relação. Nenhum aplicativo é capaz de reproduzir a complexidade de uma interação real,” destaca a neuropediatra.
As recomendações das sociedades médicas são claras: crianças menores de dois anos não devem ser expostas a telas e, após essa idade, o uso deve ser limitado, supervisionado e com conteúdo adequado. Para crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA, esse cuidado deve ser ainda maior.
“A redução do tempo de tela costuma trazer ganhos importantes, como melhora do contato visual, maior iniciativa de comunicação e mais interesse pelo ambiente ao redor,” observa a especialista. Por isso, a orientação profissional é fundamental tanto para prevenir atrasos quanto para diferenciar o que é efeito ambiental do que faz parte de um transtorno do neurodesenvolvimento.
Falar sobre autismo e uso de telas é falar de responsabilidade, equilíbrio e informação de qualidade. Mais do que proibir, o desafio das famílias é garantir que a infância seja rica em experiências humanas, afeto e estímulos que favoreçam um desenvolvimento saudável.
*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres