Mariana Kotscho
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Substâncias esteroides utilizadas para ganho de massa muscular podem reduzir a zero a contagem de espermatozoides

Especialistas alertam que o uso de esteroides pode levar à azoospermia e comprometer o sonho da paternidade, além de causar outros problemas de saúde

Redação* Publicado em 31/07/2026, às 06h00

O uso não prescrito de anabolizantes pode reduzir drasticamente a produção de espermatozoides. - Imagem: Pixabay
O uso não prescrito de anabolizantes pode reduzir drasticamente a produção de espermatozoides. - Imagem: Pixabay

O uso de esteroides anabolizantes tem aumentado entre homens em busca de ganho muscular, mas pode causar sérios problemas de fertilidade, como a azoospermia, segundo especialistas em reprodução humana.

Estudos indicam que o uso inadequado de anabolizantes reduz a produção natural de espermatozoides e está associado a outros problemas de saúde, como atrofia testicular e doenças cardiovasculares.

Médicos recomendam que homens em idade reprodutiva que utilizam testosterona discutam a preservação da fertilidade, como o congelamento de sêmen, e que a recuperação da fertilidade pode levar de três meses a mais de um ano após a interrupção do uso dos esteroides.

Resumo gerado por IA

O uso de esteroides anabolizantes tem crescido significativamente nos últimos anos, especialmente entre homens que buscam ganho de massa muscular e aprimoramento da aparência física. No entanto, o que muitos desconhecem é que essas substâncias podem comprometer severamente a fertilidade masculina.

Segundo o Dr. Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana da Clínica Mãe, o uso não prescrito de anabolizantes pode atuar como um verdadeiro "anticoncepcional masculino", reduzindo drasticamente a produção de espermatozoides e podendo levar à azoospermia, condição caracterizada pela ausência de espermatozoides no sêmen.

"A busca pelo corpo ideal não deve comprometer o sonho da paternidade. Muitos homens chegam ao consultório surpresos ao descobrir que o uso de anabolizantes reduziu a zero a sua contagem de espermatozoides. É fundamental que haja conscientização sobre esses riscos antes de iniciar qualquer ciclo", reforça o especialista.

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Os anabolizantes são versões sintéticas da testosterona. Quando utilizados sem indicação médica, o organismo entende que há hormônio suficiente circulando e interrompe sua produção natural. Como consequência, os testículos diminuem ou até interrompem completamente a produção de espermatozoides. Dados científicos demonstram que o uso inadequado desses esteroides está fortemente associado à infertilidade masculina.

Além do impacto na fertilidade, o uso contínuo dessas substâncias pode provocar atrofia testicular, disfunção erétil, alterações na libido e aumento do risco de doenças cardiovasculares e hepáticas.

"Recomendamos fortemente que homens em idade reprodutiva que precisem utilizar testosterona por indicação médica conversem previamente sobre a preservação da fertilidade. O congelamento de sêmen antes do início do tratamento é uma medida preventiva importante para garantir a possibilidade de ter filhos no futuro", afirma o Dr. Alfonso Massaguer.

Apesar da gravidade do quadro, a fertilidade pode ser recuperada na maioria dos casos após a interrupção do uso dos anabolizantes. Entretanto, o processo de recuperação não é imediato. Estudos indicam que a retomada da espermatogênese pode levar de três a doze meses e, em casos de uso prolongado, ultrapassar um ano.

"Como o tempo de recuperação pode ser longo e angustiante para casais que desejam engravidar, a avaliação com um especialista e a interrupção imediata do uso dos anabolizantes são os primeiros passos para a recuperação da fertilidade", explica o Dr. Massaguer.

O acompanhamento com especialistas em reprodução humana permite avaliar o grau de comprometimento da fertilidade, estimular novamente a produção de espermatozoides quando possível e definir, se necessário, a indicação de técnicas de reprodução assistida.

"Para homens que já utilizaram ou ainda utilizam anabolizantes e desejam ter filhos, a orientação é procurar avaliação médica o quanto antes para planejar o desbloqueio hormonal e a recuperação da fertilidade. A preservação da fertilidade deve ser discutida de forma preventiva em consultas de rotina e antes do início de qualquer tratamento hormonal", finaliza o especialista.

* Edição por Lina Santiago. 

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