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Gravidez na adolescência: como falar sobre contracepção sem tabu e sem julgamento

Discutir sexualidade é fundamental para que adolescentes se sintam à vontade para buscar informações sobre gravidez na adolescência

Dra. Lívia Del Monaco* Publicado em 02/09/2026, às 06h00

A importância de prevenir a gravidez na adolescência
A importância de prevenir a gravidez na adolescência

A falta de diálogo sobre contracepção na adolescência gera desinformação e vulnerabilidade, dificultando a proteção dos jovens contra gravidez indesejada e infecções sexualmente transmissíveis. É essencial que adolescentes tenham um espaço seguro para discutir suas dúvidas sem medo de julgamento.

A educação sexual deve focar em fornecer informações claras sobre métodos contraceptivos e suas funções, além de promover a prevenção de ISTs, especialmente através do uso de preservativos. Conversas respeitosas e informativas são fundamentais para que os jovens compreendam suas responsabilidades e limites.

A Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência, de 16 a 22 de setembro, destaca a importância de abordar a contracepção de maneira informativa e acolhedora. Profissionais de saúde e familiares devem trabalhar juntos para criar um ambiente onde os adolescentes se sintam à vontade para buscar ajuda e esclarecer suas dúvidas.

Resumo gerado por IA

Falar sobre contracepção na adolescência ainda pode ser um desafio dentro de muitas famílias. O receio de estimular o início da vida sexual, a vergonha de abordar o assunto e os julgamentos acabam criando um silêncio que, na prática, não protege o adolescente. Pelo contrário, quando não existe espaço seguro para perguntas, é comum que informações importantes sejam buscadas em fontes pouco confiáveis.

Como obstetra, acredito que a conversa sobre prevenção da gravidez na adolescência precisa começar pela informação e pelo acolhimento. Durante a adolescência, dúvidas sobre corpo, sexualidade, relacionamentos e prevenção são naturais. O adolescente precisa saber que pode perguntar sem ser repreendido ou constrangido.

Quando falamos sobre métodos contraceptivos, não devemos transformar a conversa em uma bronca ou em uma tentativa de controlar escolhas. O objetivo é oferecer informação para que o adolescente compreenda como cada método funciona, quais são suas características e a importância do uso correto.

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Também é importante explicar que a prevenção da gravidez não elimina a necessidade de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis. O preservativo continua tendo papel fundamental nesse contexto, especialmente porque oferece proteção contra diversas ISTs.

Uma conversa efetiva não deve ser apenas uma lista de recomendações. É necessário ouvir o adolescente, entender suas dúvidas e identificar possíveis situações de vulnerabilidade. Muitas vezes, o adolescente não procura ajuda porque acredita que será julgado. Por isso, pais, responsáveis e profissionais de saúde precisam construir um ambiente no qual seja possível falar sobre sexualidade com respeito e privacidade.

A educação sexual na adolescência não significa incentivar o início da vida sexual. Significa oferecer conhecimento para que o jovem consiga reconhecer limites, compreender responsabilidades e tomar decisões mais conscientes.

O acompanhamento com um profissional de saúde também pode contribuir para que o adolescente tenha acesso a informações confiáveis. A consulta deve considerar a idade, o contexto individual, as necessidades de saúde e as dúvidas apresentadas pelo paciente.

Como obstetra, vejo a importância de substituir o medo pela informação. Quando um adolescente encontra um profissional disposto a ouvir sem julgamento, a conversa sobre contracepção deixa de ser um assunto proibido e passa a fazer parte do cuidado com a saúde.

A Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência, realizada de 16 a 22 de setembro, é uma oportunidade para reforçarmos justamente essa mensagem: prevenção começa antes da urgência, e informação de qualidade pode fazer diferença.

Mais do que dizer ao adolescente o que ele deve ou não fazer, precisamos ensiná-lo a compreender as consequências de suas escolhas, reconhecer situações de risco e procurar ajuda quando tiver dúvidas.

Falar sobre contracepção não significa antecipar decisões. Significa garantir que, quando elas acontecerem, sejam acompanhadas de informação, responsabilidade, respeito e cuidado.

* Dra. Lívia Del Monaco é médica obstetra, com atuação em Medicina Fetal e Gestação de Alto Risco, cofundadora do Naissance Institut.

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