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Gravidez e Saúde Bucal: o que você precisa saber para ter uma gestação saudável

Estudos mostram que a saúde bucal está ligada a desfechos adversos na gravidez: entenda o que fazer para uma gestação cuidadosa

Miriam Alhanati* Publicado em 27/04/2026, às 06h00

Mulher gestante é tratada por dentista em consultório dentário.
Aproximadamente 30 a 40% das gestantes desenvolvem a periodontite como resultado de uma gengivite não tratada. - Foto: Canva Pro

A saúde bucal durante a gravidez é crucial, pois alterações hormonais podem impactar tanto a mãe quanto o bebê, levando a complicações como parto prematuro e distúrbios nutricionais.

Cerca de 30 a 40% das gestantes desenvolvem periodontite devido à gengivite não tratada, aumentando o risco de diabetes gestacional e outras condições adversas relacionadas à saúde bucal.

É recomendado que gestantes realizem acompanhamento odontológico, especialmente no segundo trimestre, para prevenir doenças bucais e garantir a saúde materna e fetal através de diagnósticos e tratamentos adequados.

Resumo gerado por IA

A saúde bucal durante a gravidez é um aspecto fundamental no cuidado tanto com o bebê quanto com a mãe, já que no período da gestação existem alterações hormonais significativas que podem afetar a saúde de ambos. 

Nesse período, muitas mulheres deixam a saúde bucal em segundo plano e esquecem, por falta de tempo ou por falta de conhecimento, que condições ou doenças bucais preexistentes podem afetar a saúde materna ou fetal. Muitas publicações científicas já bem embasadas na literatura estão associadas à saúde bucal com o desenvolvimento da gravidez, distúrbios nutricionais e até ao parto prematuro.

A gengivite gravídica ou gestacional é uma das condições mais comuns, com a inflamação da boca e gengiva, avermelhadas ou com sangramento, e se não tratada pode evoluir para doenças periodontais, que levam à mobilidade dos dentes e até a perda dentária. Aproximadamente 30 a 40% das gestantes desenvolvem a periodontite como resultado de uma gengivite não tratada. 

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Pelo nível de inflamação sistêmica da boca com o corpo, essa via de inflamação com a corrente sanguínea tem uma forte correlação com a resposta imunológica da gestante e tem sido associada também a pré-eclâmpsia e DMG (Diabetes Meliltus Gestacional). 

Mesmo com uma presença mínima de placa dental, a relação com mediadores inflamatórios gerais do corpo é vista. Além disso, os hormônios - em particular estrogênio e progesterona, que prejudicam a resposta vascular dos tecidos aumentando a permeabilidade da gengiva - criam vias diretas e indiretas para que bactérias mais agressivas afetem o eixo feto-placenta, levando a desfechos adversos, como prematuridade ao nascimento e baixo peso ao nascer.

Estudos mais recentes mostram que gestantes com periodontite tem 2x mais chances de desenvolver diabetes gestacional do que quando comparada com quem não tem doença periodontal. 

Outra doença comum é o desenvolvimento da cárie devido às alterações salivares na gestação, pelo fluxo salivar diminuído ou composição. 

A saliva tem um papel importantíssimo no equilíbrio do pH bucal e quando a saliva está reduzida, associada às mudanças na rotina, alimentação, enjoo e vômitos, poderia potencialmente aumentar as chances de cárie. Justamente pela boca apresentar um pH ácido, poderia levar ao surgimento da doença cárie sem acompanhamento. Outras condições como lesões nas mucosas ou desgaste erosivos nos dentes podem ser observadas. 

Muitas diretrizes aconselham o segundo trimestre da gestação como o mais seguro para realizar procedimentos, e evitar o 1o e 3o trimestre. No entanto, o acompanhamento odontológico em qualquer fase permite não somente a prevenção da saúde bucal, mas ajustar a rotina de higiene e hábitos para que essas doenças não se desenvolvam. 

Fato é que o diagnóstico precoce garante a saúde materna e do bebê e procedimentos como limpezas, restaurações, tratamento periodontal (da gengiva) e outras cirurgias podem e devem ser realizados com segurança, desde que o profissional esteja ciente da gestação. 

Então, o meu conselho e orientação é que se você está pensando em engravidar ou já está grávida, nunca é tarde para buscar uma consulta odontológica completa focada em prevenção para sua saúde e do bebê. 

*Miriam Alhanati é especialista em saúde bucal e membro da Associação Brasileira de Halitose.

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