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Congelamento de Óvulos: o que você precisa saber antes de decidir

Saiba tudo sobre o processo de congelamento de óvulos e como ele pode impactar suas chances de gravidez no futuro. Informe-se antes de decidir

Dr. Wilson Jaccoud * Publicado em 08/12/2025, às 06h00

Tanque criogênico
O congelamento de óvulos é uma tentativa de parar o relógio biológico, aumentando o potencial reprodutivo futuro. - Foto: Canva Pro

O congelamento de óvulos se tornou uma opção popular entre mulheres que buscam adiar a maternidade, permitindo maior autonomia na escolha do momento de ter filhos, embora a decisão envolva considerações sobre a idade e a qualidade dos óvulos.

Dados da Anvisa mostram um aumento significativo no número de ciclos de congelamento de óvulos, com um crescimento de quase 98% entre 2020 e 2023, refletindo uma mudança nas prioridades das mulheres em relação à maternidade.

O processo de congelamento é complexo e deve ser realizado com orientação médica, sendo importante ressaltar que a técnica não garante uma gravidez futura, mas pode aumentar as chances ao utilizar óvulos de melhor qualidade em idades mais avançadas.

Resumo gerado por IA

A decisão de ter filhos está cada vez mais dissociada do relógio. A mulher moderna busca estabilidade profissional, um relacionamento sólido ou simplesmente o momento certo para a maternidade. Nesse cenário, o congelamento de óvulos (criopreservação de oócitos) surgiu como uma das ferramentas mais importantes da medicina reprodutiva, oferecendo autonomia e a possibilidade de planejamento.

Contudo, a decisão de congelar óvulos é cercada de dúvidas. Como especialista em reprodução humana, acredito que a informação clara é a principal ferramenta para a mulher. Por isso, destaco as orientações essenciais para quem considera este procedimento.

A primeira e mais crucial orientação é: o tempo é o fator determinante.

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O relógio biológico, embora socialmente pressionante, é uma realidade fisiológica. A mulher nasce com todo o seu "estoque" de óvulos (a reserva ovariana), que não se renova; ele apenas diminui e envelhece ao longo da vida. A qualidade desses óvulos cai vertiginosamente após os 35 anos. Portanto, o ideal é congelar óvulos antes dos 35 anos.

Isso não significa que mulheres com 38 ou 40 anos não possam fazê-lo, mas elas precisam de uma orientação realista: provavelmente precisarão de mais de um ciclo de tratamento para ter um número “seguro” de óvulos congelados, para ter uma chance de gravidez futura estatisticamente relevante. Uma vez que elas provavelmente terão menos óvulos captados por punção e estes certamente serão de menor qualidade, devido à idade.

A segunda orientação é sobre o processo em si. O congelamento não é um procedimento único, mas sim um tratamento de aproximadamente 12 a 15 dias. Ele envolve:

  • Avaliação: Consultas e exames ultrassom e exames de sangue para avaliar a reserva ovariana da paciente.
  • Estimulação: Uso de medicamentos, injeções subcutâneas, geralmente autoaplicáveis para estimular os ovários a produzirem múltiplos óvulos em um único ciclo, em vez de apenas um.
  • Coleta: Um procedimento rápido, de cerca de 20 minutos, realizado sob sedação leve, em que os óvulos são aspirados por via transvaginal. A paciente retoma suas atividades normais no dia seguinte.
  • Congelamento: Os óvulos maduros coletados são congelados pela técnica de vitrificação, congelamento ultrarrápido, que garante altas taxas de sobrevivência após o descongelamento.

A terceira orientação é talvez a mais importante em termos de alinhamento de expectativas: congelar óvulos não é uma garantia de bebê.

Costumo dizer às minhas pacientes que o congelamento de óvulos é uma tentativa de parar o relógio biológico para aquele lote de óvulos, aumentando o potencial reprodutivo futuro. No entanto, esses óvulos ainda precisarão sobreviver ao descongelamento, ser fertilizados em laboratório (via FIV - Fertilização In Vitro) e gerar um embrião saudável capaz de se implantar no útero.

A principal vantagem é que, se uma mulher de 42 anos decidir engravidar, ela poderá usar seus óvulos "jovens" de 32 anos, aumentando exponencialmente suas chances em comparação ao tentar naturalmente ou com óvulos coletados naquela idade.

Nos últimos anos, o Brasil registrou um aumento significativo nos procedimentos de congelamento de óvulos. De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o número de ciclos de congelamento de óvulos de mulheres de 35 anos quase dobrou entre 2020 e 2023 passando de 2.193 para 4.340, um crescimento de 97,9%. Além disso, o total de óvulos congelados no país aumentou 96,5% no mesmo período, passando de 56.700 em 2020 para 111.413 em 2023.

Finalmente, a decisão de congelar óvulos é profundamente pessoal e deve ser livre de julgamentos. É sobre dar a si mesma a chance de escolha no futuro. O papel da medicina reprodutiva, e o meu como médico, é oferecer as ferramentas e o conhecimento para que cada mulher possa traçar sua própria jornada de maternidade, seja ela imediata ou futura, no seu tempo e da sua maneira.

Busque um especialista, converse abertamente sobre sua reserva ovariana e suas expectativas. Informação, neste caso, é sinônimo de poder.

* Dr. Wilson Jaccoud é Diretor Médico e Técnico Responsável da Fert-Embryo. CRM SP: 41.142 RQE: 130381

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