Projeto "Jardim do Bicho", idealizado por Simone Arthur, classifica riscos de plantas para cães, gatos e crianças
Redação* Publicado em 19/05/2026, às 06h00

O aumento da popularidade de plantas ornamentais em ambientes internos trouxe à tona o problema da toxicidade vegetal, levando a paisagista Simone Arthur Nascimento a desenvolver uma metodologia de análise chamada 'Paisagismo Seguro'. Essa abordagem visa classificar o risco de plantas em relação à saúde de crianças e animais de estimação, promovendo uma convivência mais segura com a natureza.
O Projeto Jardim do Bicho, originado da identificação de espécies tóxicas em projetos residenciais, utiliza uma classificação de risco em quatro níveis e integra conhecimentos botânicos com literatura médica e veterinária para avaliar os efeitos das plantas em cães, gatos e crianças.
Simone também atua no Projeto de Lei 594/2025, que está em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo, visando regulamentar o uso de plantas potencialmente tóxicas em espaços públicos. Além disso, oferece consultorias e eBooks para educar sobre a seleção de espécies que equilibram estética e segurança biológica.
Com o crescimento da biofilia e a presença cada vez mais frequente de plantas ornamentais em ambientes internos e jardins, um perigo silencioso tem se instalado em residências, escolas e condomínios: a toxicidade vegetal. Para enfrentar essa lacuna técnica, a paisagista e pesquisadora Simone Arthur Nascimento desenvolveu uma metodologia estruturada de análise para garantir o que ela chama de "Paisagismo Seguro".
O Projeto Jardim do Bicho é fruto de uma investigação pessoal iniciada ao identificar espécies tóxicas em projetos residenciais sem orientação adequada e atua na análise rigorosa de compostos fitoquímicos. O diferencial técnico reside na classificação de risco em quatro níveis (leve,moderado, intenso e potencialmente fatal), correlacionando a botânica com a literatura médica e veterinária para avaliar o impacto específico em cães, gatos e crianças.
"A toxicidade não deve ser motivo para o afastamento da natureza, mas para a sua curadoria consciente," afirma Simone. "Hoje, muitos diagnósticos veterinários de intoxicação são feitos por exclusão porque não há uma ponte técnica entre o que está no vaso de plantas e o que o animal apresenta no consultório", diz Simone.
A expertise de Simone Arthur ultrapassa os jardins privados. A especialista é uma das vozes técnicas por trás do Projeto de Lei 594/2025, em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo. O PL visa estabelecer diretrizes para o uso de plantas potencialmente tóxicas em espaços coletivos, como praças e escolas, prevenindo acidentes em áreas de grande circulação.
Além de consultorias especializadas para adaptação de ambientes já implantados, o projeto conta com uma série de eBooks voltados à orientação prática, como "Plantas Tóxicas – Sua Casa MaisSegura" e "Controle Natural". O foco é educar tutores e profissionais de arquitetura sobre o manejo e a seleção de espécies que conciliem estética e segurança biológica.
*Edição por Lina Santiago
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