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Sala de Homenagens: uma crônica para o Dia Mundial da Língua Portuguesa

Reflexões sobre a importância da sala de homenagens e como ela se torna um espaço de reconhecimento e contemplação

Luciano Gonçalves* Publicado em 05/05/2026, às 13h00

Um corredor longo, com luz fria e portas fechadas
No caminho cotidiano, nem toda sala é apenas o que se vê - Canva

A sala de homenagens em Teixeira de Freitas, Bahia, é um espaço que evoca sentimentos ambíguos, refletindo a trajetória de um professor que se vê no auge da carreira, mas também enfrenta a pressão do tempo e da memória.

A descrição do ambiente destaca sua decoração e conforto, contrastando com a simplicidade das homenagens passadas, que eram mais curtas e diretas, sugerindo uma evolução na forma de reconhecimento.

O autor pondera sobre as múltiplas possibilidades de homenagens futuras, enquanto observa a busca por novos homenageados, evidenciando a continuidade da celebração da educação e da memória na comunidade.

Resumo gerado por IA

Dois caminhos me levam à sala de aula. De modo geral, escolho sempre aquele em que avisto a sala de homenagens.

Espaçosa, confortável, limpa, cadeiras para dezenas, púlpito para o homenageado do dia... A decoração varia de acordo com o bolsodo felizardo.

De longe, parece mesmo confortável a sala toda climatizada. O local chega a ser simpático.

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Por vezes, passo tentando controlar o tempo, dirimir atrasos reais e imaginados. Ali, na sala de homenagens, professores são premiados, certamente. Mas não apresso a oportunidade. Ela virá.

Dizem que estou no auge da carreira e isso deveria ser algum conforto. Mais: começar o expediente depois de passar pelo local,de olharas acomodações,mesmo de relance, traz sentimentos ambíguos. Talvez, por isso, depoisda confusão,sempreentro em estado de contemplação do nada.

E, logo, penso nas cores tranquilizantes das paredes da sala de homenagens. Palavras sóbrias e solenes garantempaz e tranquilidade. Penso queaos frequentadores, homenageados ou não.

A mensagem atual é menos complexa que a da adolescência. A sala de homenagens de Teixeira de Freitas, Bahia, minha cidade natal, era curta e grossa. Curtíssima.

Se a escritura do presente me catapulta para um futuro garantido, a do passado me puxa para um tempo não tão distante. Pelo menos, na memória. Eu tenho mais de quarenta anos e esse desespero é moda em 2026.

Esqueço sempre os nomes das salas de homenagens, mas penso nas múltiplas possibilidades das construçõeslexicais.Em letreiro chamativo, à procura dos próximos homenageados, a funerária baiana alardeava:

VOCÊ EM PRIMEIRO LUGAR!

*Luciano Gonçalves é Doutor em Literatura pela USP. Professor do Instituto Federal do Tocantins (IFTO). É autor de Crônicas espectrais, notas sobre o TEA - Transtorno do Espectro Autista (Editora Patuá, 2024).

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