Mariana Kotscho
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Proibição de celulares na volta às aulas desafia escolas e famílias

Pais e educadores enfrentam o desafio de conduzir a readaptação dos estudantes após as férias, sem o uso de celulares

Redação * Publicado em 28/01/2026, às 06h00

7 meninos e meninas adolescentes usando seus celulares lado a lado
O uso de smartphones tem sido uma preocupação constante dentro das salas de aula. - Foto: Canva Pro

O retorno às aulas gerou um aumento de 100% nas buscas no Google, refletindo a preocupação de pais com a readaptação dos filhos, especialmente em relação ao uso de celulares. Especialistas destacam que a proibição do uso de smartphones nas escolas visa mitigar os efeitos negativos sobre a concentração e o rendimento acadêmico.

Estudos indicam que o uso excessivo de celulares pode prejudicar a interação social e a atenção dos alunos, levando a reações de resistência e ansiedade no retorno às aulas. A dependência emocional gerada pelo uso dos dispositivos durante as férias pode dificultar a readaptação à rotina escolar.

Medidas como a proibição do uso de celulares em sala de aula estão sendo implementadas para promover um ambiente de aprendizado mais focado. Educadores ressaltam que, após um período de adaptação, os alunos tendem a apresentar melhor desempenho atencional e interações sociais mais positivas.

Resumo gerado por IA

O retorno das aulas foi um dos temas mais buscados no Google na primeira semana de janeiro (01/01 a 08/01). Segundo dados da ferramenta de tendência Google Trends, o interesse pelo regresso dos estudantes teve uma evolução de 100% na última semana. Escolas e especialistas apontam que as principais dúvidas dos pais estão no comportamento e readaptação ao período de estudos dos filhos, principalmente o desapego dos celulares.

Camila Oliveira, Diretora Geral da Rio International School, compartilha que na RIS o uso de smartphones tem sido uma preocupação constante dentro das salas de aula, especialmente considerando o alto uso dos aparelhos durante o período das férias. Por conta dessa dificuldade, antes mesmo da implementação da lei, a prática já era proibida no ambiente escolar devido aos efeitos nocivos nos estudos.

“A Rio International School se inspira em diretrizes e experiências internacionais que defendem o uso consciente, intencional e pedagógico da tecnologia no ambiente escolar, especialmente em países que já avançaram na discussão sobre limites ao uso de dispositivos pessoais nas escolas. Essas referências são adaptadas à realidade brasileira considerando o contexto sociocultural dos alunos, o acesso à tecnologia e as necessidades específicas de cada faixa etária. O foco da escola não é excluir a tecnologia, mas educar para o seu uso responsável, equilibrando inovação, bem-estar e aprendizagem significativa”, afirma a diretora.

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A crescente adoção de políticas que restringem ou proíbem o uso de celulares em ambientes acadêmicos, escolas e famílias se deparam com um desafio comum: como conduzir essa mudança de forma equilibrada, educativa e alinhada ao desenvolvimento infantil e adolescente. Mais do que uma regra isolada, a medida reacende debates sobre limites, convivência, aprendizagem e o papel da tecnologia na rotina escolar.

Dados de estudos internacionais e nacionais já indicam que o uso excessivo de celulares pode impactar a concentração, a interação social e o rendimento acadêmico dos alunos. Segundo Priscilla Montes, educadora e palestrante, especialista em Neuroeducação e Desenvolvimento Infantil, em relação a proibição de celulares no retorno às aulas, as reações iniciais das crianças costumam variar entre irritação, ansiedade e resistência, especialmente nas primeiras semanas. Em muitos casos, o celular vinha ocupando um espaço central de regulação emocional durante as férias, o que gerou, neurologicamente falando, uma dependência tendo em vista a dopamina elevada no organismo.

“Quando esse recurso é retirado de forma abrupta, surgem sinais de inquietação e desorganização emocional. Estudos internacionais mostram que esse desconforto tende a ser temporário: após o período de adaptação, observa-se melhora na interação social, aumento da atenção em sala e redução significativa da dispersão”, explica Priscilla.

Além da comunicação, o momento de retorno às aulas exige atenção especial ao processo de readaptação dos estudantes. Após semanas de férias, muitas crianças e adolescentes precisam reorganizar horários, retomar responsabilidades e se ajustar novamente à rotina escolar. Nesse cenário, a ausência do celular, que muitas vezes se torna uma extensão do cotidiano durante o recesso, pode gerar resistência, ansiedade ou desconforto inicial.

“Do ponto de vista da neuroeducação, a ausência do celular reduz a sobrecarga de estímulos no cérebro e favorece a recuperação da atenção sustentada. Um relatório da UNESCO aponta que estudantes sem acesso ao celular em sala apresentam melhor desempenho atencional e menor distração, com impactos positivos no aprendizado. Além disso, pesquisas indicam que a retirada do aparelho contribui para maior autorregulação emocional, aumento da tolerância ao tédio e melhor adaptação às demandas cognitivas do ambiente escolar, além de mais interações sociais positivas e presenciais”, esclarece a educadora.

*Com edição de Lina Santiago.

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