Em um mundo repleto de desastres naturais, debater o tema de forma consciente e didática é essencial não gerar ansiedade climática
Redação* Publicado em 23/06/2026, às 06h00

A educação ambiental se torna essencial em um cenário de crescente urgência nas questões climáticas, com a ONU alertando que 11 milhões de toneladas de plástico poluem os oceanos anualmente, podendo aumentar 50% até 2040 sem ações efetivas.
Desastres naturais recentes, como rompimentos de barragens e enchentes, intensificam a necessidade de discutir a crise climática nas escolas, onde a 'ecoansiedade' pode afetar emocionalmente os alunos.
Especialistas recomendam abordagens acolhedoras e lúdicas para ensinar sobre sustentabilidade, utilizando atividades interativas e materiais didáticos que incentivem o engajamento e a reflexão crítica entre os jovens.
Em um cenário em que as questões ambientais ganham cada vez mais urgência, a educação tem se consolidado como uma das principais ferramentas para formar cidadãos conscientes. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 11 milhões de toneladas de plástico chegam aos ecossistemas aquáticos todos os anos, e a previsão é que o impacto desses resíduos no meio ambiente cresça 50% até 2040 caso medidas mais efetivas não sejam adotadas.
O alerta ganha ainda mais relevância em junho, mês em que é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente criado pela ONU em 1972, durante a Conferência de Estocolmo, primeiro encontro global para discutir a preservação global e o desenvolvimento sustentável
Nesse contexto, as escolas podem utilizar o momento de forma estratégica para levar a discussão ambiental às salas de aula. No entanto, diante dos desastres naturais registrados nos últimos anos — como os rompimentos de barragens em Minas Gerais e as recentes enchentes no Rio Grande do Sul e no litoral paulista — o tema também pode ser delicado para muitos estudantes, despertando a chamada “ansiedade climática” ou “ecoansiedade”.
O fenômeno refere-se ao sofrimento emocional causado pelas mudanças climáticas e pela incerteza em relação ao futuro, gerando sentimentos de medo, estresse e desamparo.
Assim, a especialista recomenda que pais, responsáveis e educadores adotem abordagens mais acolhedoras e construtivas ao falar sobre a crise climática, priorizando atividades lúdicas, exemplos práticos e soluções possíveis para incentivar o engajamento sem gerar medo excessivo.
Para conscientizar crianças e jovens sobre a crise climática, a profissional argumenta que o primeiro passo é falar sobre o assunto de maneira acessível, seja por meio de materiais didáticos, obras cinematográficas, palestras, jogos e atividades em sala de aula.
Atividades interativas ajudam a despertar o interesse dos alunos e tornam o aprendizado mais leve e participativo. Dinâmicas em grupo, quizzes, gincanas sustentáveis e jogos educativos são exemplos de estratégias que estimulam o pensamento crítico e incentivam hábitos mais conscientes no dia a dia.
Livros que abordam temas como desmatamento, esgotamento de recursos naturais e ameaça de extinção de espécies podem funcionar como porta de entrada para a construção de uma consciência ambiental.
Por meio de debates, rodas de conversa e até mesmo atividades de leitura, professores, pais e responsáveis podem introduzir o pensamento sustentável de forma criativa e didática.
"Livros que apresentam temáticas sobre o meio ambiente não são apenas histórias, mas convites para que crianças e jovens compreendam seu papel na preservação do planeta e desenvolvam um posicionamento crítico e consciente desde cedo", argumenta Laura Vechiolli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica da SOMOS Educação.
Filmes, jogos e atividades artísticas podem transformar o aprendizado sobre sustentabilidade em momentos mais leves, criativos e divertidos, ajudando crianças e adolescentes a compreender, desde cedo, a importância das ações individuais para a preservação do meio ambiente.
Brincadeiras educativas, oficinas de reutilização de materiais e peças de teatro são exemplos práticos de como abordar temas como reciclagem, conservação de água e economia circular de maneira acessível e envolvente dentro e fora da sala de aula. Além de estimular a criatividade, essas atividades incentivam a reflexão sobre consumo consciente, descarte correto de resíduos e reaproveitamento de recursos no dia a dia.
“Ao se conectar com esse conteúdo de forma poética e reflexiva, a criança passa a compreender seu papel no mundo e pode se tornar uma agente multiplicadora de práticas mais conscientes”, afirma João Noronha, diretor de produção da RN Produções Artísticas. Entre maio e agosto, a companhia promove a peça "Fim que vira começo que vira..." em escolas públicas de São Paulo.
Mais do que abordar conceitos teóricos sobre sustentabilidade, é importante criar oportunidades para que crianças e adolescentes observem, investiguem e proponham soluções para questões ambientais presentes em sua rotina. Atividades como monitoramento do desperdício de materiais na escola, desafios de consumo consciente e projetos de redução de resíduos ajudam a tornar o aprendizado mais significativo e próximo da realidade dos estudantes.
"A educação ambiental torna-se significativa quando os estudantes conseguem relacionar os conceitos aprendidos à sua própria realidade. Mais do que apresentar informações sobre reciclagem, consumo consciente ou preservação dos recursos naturais, é importante criar experiências que permitam observar, investigar e agir sobre questões presentes no cotidiano", afirma Marcio Cotomacci, professor de Natural Science e Ciências do Ensino Fundamental do Colégio Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School.
*Edição por Lina Santiago
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