Desenvolver a capacidade de concentração é crucial para o sucesso acadêmico e profissional do estudante jovem na era digital
Redação* Publicado em 11/08/2026, às 06h00

Em agosto, o Mês do Estudante celebra a importância da educação no Brasil, mas dados do PISA 2022 revelam que 73% dos estudantes de 15 anos não alcançam o nível mínimo de proficiência em Matemática, refletindo desigualdades educacionais acentuadas pela pandemia.
O perfil do estudante atual, que aprende com mais autonomia e enfrenta distrações constantes, exige que professores adotem novas estratégias de ensino para engajar os alunos e desenvolver habilidades críticas.
Escolas devem promover uma cultura de concentração e ensinar competências essenciais, enquanto a participação ativa dos alunos e o apoio familiar são fundamentais para garantir uma formação completa e preparar os jovens para o futuro.
Em agosto é comemorado o Mês do Estudante, celebração criada em 11 de agosto de 1927, em homenagem aos cem anos da inauguração das primeiras graduações do país, a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco, e a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, em São Paulo. A data é celebrada até hoje e reforça a relevância da educação e sua trajetória em solo nacional.
Entretanto, dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA 2022), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que cerca de 73% dos estudantes brasileiros de 15 anos não atingem o nível mínimo de proficiência em Matemática, 50% em Leitura e 55% em Ciências. Esse cenário pode refletir desigualdades persistentes no ensino desde o período da pandemia de Covid-19.
O principal desafio enfrentado pelos estudantes brasileiros na atualidade é aprender em um ambiente de excesso de estímulos e de informação. Devido ao fácil acesso às redes sociais, aos vídeos curtos, aos jogos e à conexão constante, o jovem pode apresentar dificuldade em manter a concentração por determinado período, além de demonstrar falta de interesse pelo aprendizado.
Isso acontece porque o perfil do estudante de 2026 mudou. Os jovens aprendem com mais autonomia por meio de diversas ferramentas digitais, mas isso resulta em imediatismo. Dessa forma, os professores precisam buscar novas estratégias de ensino. A tecnologia deixou de ser apenas uma fonte de consulta para se tornar parte do próprio processo de aprendizagem. O desafio da escola é ensinar o estudante a selecionar informações confiáveis, interpretar dados, formular perguntas e utilizar essas ferramentas de forma crítica e ética.
Professores e escolas podem tornar o aprendizado mais significativo e engajar os estudantes por meio de aulas bem planejadas, objetivos claros, participação ativa dos alunos e conexão entre os conteúdos e situações reais, na qual o aluno percebe sentido no que aprende.
A escola também deve desenvolver uma cultura de concentração. A capacidade de manter a atenção por períodos prolongados tornou-se uma das principais competências para uma formação completa. A escola precisa criar ambientes em que o estudante exercite essa habilidade de forma gradual e consistente.
Desenvolver competências como pensamento crítico, capacidade de resolver problemas, comunicação, colaboração, criatividade e autonomia para aprender continuamente é essencial para a formação do cidadão, além de representarem um desafio para o corpo docente. O jovem que adquire capacidade de analisar, interpretar, tomar decisões e produzir conhecimento de qualidade possui grandes chances de obter sucesso e destaque no futuro.
Apesar do papel fundamental da escola, o compromisso do aluno e a participação da família também são decisivos nesse processo. Em um mundo que muda rapidamente, o conhecimento deixa de ser apenas um caminho para ingressar na universidade e passa a ser uma condição para que o jovem exerça plenamente sua cidadania, faça boas escolhas e construa uma trajetória profissional consistente.
* Daniel Perry é diretor-executivo do Sistema Anglo de Ensino.
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