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Especialistas debatem futuro da produção orgânica no país

Primeiro Congresso Técnico-Científico, na Unicamp, marca avanço do setor de produção orgânica na economia verde

Redação Publicado em 23/03/2026, às 06h00

Pessoa colhe produtos agrícolas
A agricultura orgânica reúne conhecimento técnico, responsabilidade ambiental e impacto social - Foto: Canva Pro

O Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, promovido pelo Instituto Brasil Orgânico, é o primeiro evento do tipo no Brasil, visando aumentar a visibilidade do setor na economia verde e conectar ciência, produção e mercado.

O evento reúne instituições renomadas como a Embrapa e universidades, com o objetivo de disseminar conhecimentos técnicos e científicos, fortalecendo a cadeia produtiva da agricultura orgânica no país.

Durante o congresso, foram realizadas palestras, relatos de experiências e visitas técnicas a propriedades orgânicas, além da inauguração da Sala Ana Maria Primavesi, que homenageia uma pioneira da agroecologia no Brasil.

Resumo gerado por IA

Realizado pelo Instituto Brasil Orgânico (IBO) na última semana, o Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica é o primeiro evento do gênero no Brasil e surge como uma iniciativa estratégica para ampliar a visibilidade e o protagonismo do setor na agenda da economia verde. Mais do que um encontro acadêmico, o congresso se consolida como um espaço de articulação entre produção, mercado, ciência e cultura, incentivando práticas inovadoras e sustentáveis na produção orgânica nacional.

Para José Pedro Santiago, presidente do Instituto Brasil Orgânico, o congresso representa um marco para o setor. “A agricultura orgânica reúne conhecimento técnico, responsabilidade ambiental e impacto social. Este congresso nasce para dar escala à ciência já produzida no país e conectá-la diretamente com quem está no campo e com quem estrutura o mercado”, afirma.

O principal objetivo do evento é reunir, debater e disseminar trabalhos científicos e técnicos desenvolvidos por instituições de referência, como a Embrapa, universidades, institutos estaduais de pesquisa e profissionais do setor. O conhecimento apresentado será sistematizado e disponibilizado a produtores rurais de todo o país, ampliando o acesso à informação e contribuindo para o fortalecimento de toda a cadeia produtiva, do campo à comercialização.

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Além da divulgação de resultados de pesquisa, o congresso pretende se consolidar como um ambiente permanente de diálogo entre produtores, pesquisadores, técnicos e estudantes, estimulando a troca de experiências, a apresentação de casos práticos e o debate sobre tendências que devem orientar o futuro da agricultura orgânica no Brasil.

Promovido pela Francal, o congresso contou com o apoio da Embrapa e com a participação da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp (Feagri/Unicamp) na organização. A parceria reforça o compromisso de integrar conhecimento científico, demandas do mercado e valores culturais em torno da produção de alimentos sustentáveis. Com diversidade de solos, clima favorável, rica biodiversidade e capital humano qualificado, o Brasil reúne condições para liderar essa agenda. Patrocinam a iniciativa o Instituto Fólio, com a marca Raiar Orgânicos, Greenhas, Gustado Leonel Cafés Especiais, QIMA, Vitas Brasil e Camp Sementes. A Print é a gráfica parceira oficial.

O congresso começou no dia 17 de março, com abertura oficial que contou com a presença da Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, seguida da palestra magna de Ademir Calegari e Virginia Damin.

No dia 18 de março, o congresso apresentou três relatos de experiências de produção orgânica em diferentes regiões do país, com a participação da Fazenda Nutrilite Brasil, Fazenda Malunga e Raiar Ovos Orgânicos, além da inauguração da Sala Ana Maria Primavesi, na Biblioteca de Obras Raras da Unicamp.

No dia 19 de março, a programação incluiu a palestra do professor Ulrich Koepke, da ISOFAR – Sociedade Internacional de Pesquisa em Agricultura Orgânica, e a apresentação de experimentos orgânicos desenvolvidos na Fazenda Lagoa do Sino (UFSCar), em parceria com a Raiar e o Instituto Folio.

Homenagem a Ana Maria Primavesi

Um dos momentos mais emblemáticos do congresso ocorreu em 18 de março, com a inauguração da Sala Ana Maria Primavesi, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O espaço preserva o legado da engenheira agrônoma e pioneira da agroecologia no Brasil, reconhecida internacionalmente por sua defesa do conceito de solo vivo e pela abordagem integrada entre solo, plantas, água e biodiversidade.

Além da cerimônia de inauguração, o público contou com a presença de Carin Primavesi, filha da homenageada, e pôde participar de uma visita guiada ao acervo da pesquisadora, conduzida pelas cientistas Danielle Ferreira e Virgínia Knabben. A programação incluiu ainda um recital de violão clássico, reforçando a proposta do congresso de integrar ciência, cultura e sustentabilidade.

Vivências em campo

No dia 20 de março, o congresso promoveu duas atividades complementares com visitas técnicas a propriedades orgânicas da região de Campinas. Os participantes puderam optar por uma visita a uma fazenda de café orgânico, com foco em práticas de manejo sustentável, ou a uma fazenda de produção orgânica de leite e derivados, com ênfase em bem-estar animal e qualidade dos produtos.

O Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica reuniu ciência, experiência prática e cultura para impulsionar um setor estratégico para o futuro da agricultura brasileira.

* Edição por Lina Santiago

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