Mariana Kotscho
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CNE define normas para IA na educação e prioriza decisão humana

Inteligência artificial como suporte pedagógico: o novo cenário nas escolas e universidades. Decisão humana é prioridade

Redação* Publicado em 15/05/2026, às 06h00

Elemar Junior, especialista em tecnologia e CEO da eximia.co, comenta a regulamentação para o uso da inteligência artificial no ensino brasileiro. - Foto: Canva Pro
Elemar Junior, especialista em tecnologia e CEO da eximia.co, comenta a regulamentação para o uso da inteligência artificial no ensino brasileiro. - Foto: Canva Pro

O Conselho Nacional de Educação aprovou a primeira regulamentação para o uso da inteligência artificial no ensino brasileiro, enfatizando que a centralidade do processo educativo deve permanecer com os humanos, apesar do papel auxiliar da tecnologia.

A nova diretriz estabelece que a supervisão humana é obrigatória para conteúdos gerados por algoritmos e visa preparar os estudantes para um mercado de trabalho que já integra agentes autônomos em decisões estratégicas.

Especialistas destacam a importância de definir a responsabilidade humana em relação ao uso da IA e sugerem que o foco da educação deve mudar para a gestão de novos agentes digitais, promovendo a autonomia intelectual e a equidade entre os alunos.

Resumo gerado por IA

O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, na segunda-feira (11), a primeira regulamentação oficial para o uso da inteligência artificial no ensino brasileiro. O texto busca um equilíbrio entre o avanço tecnológico e o compromisso ético, reforçando que, embora a máquina seja um "coadjuvante de luxo", a centralidade do processo educativo deve permanecer com o ser humano.

A nova diretriz estabelece que o papel do professor é insubstituível como mediador e exige supervisão humana obrigatória para qualquer conteúdo gerado por algoritmos. Para o ensino superior, a norma foca em preparar o estudante para um mercado de trabalho que já opera de forma híbrida, integrando agentes autônomos em decisões estratégicas.

Para o especialista em tecnologia e CEO da eximia.co, Elemar Júnior, a regulamentação é fundamental para definir quem é o autor do ato intelectual. O consultor ressalta que a tecnologia não pode ser responsabilizada por falhas. "Um profissional não pode utilizar a inteligência artificial e depois culpá-la por um eventual erro. Como a responsabilidade é sempre humana, a decisão final também tem que ser dele", afirma Elemar Júnior.

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O especialista destaca que existe uma barreira que a tecnologia ainda não superou: o conhecimento tácito. Segundo Elemar Júnior, enquanto a IA é excelente para processar volumes massivos de dados, ela carece da percepção que só a vivência proporciona. "​​A IA ajuda a acelerar muitas atividades associadas ao aprendizado. Mas, é importante não perder de vista que o objetivo é efetividade e não velocidade. Nada substitui a experiência. O ser humano tem uma percepção que é tácita e não explícita. Ele consegue tomar decisões e perceber problemas com dados que ainda nem tem em mãos, enquanto a IA faz análises apenas em cima do que já possui", explica o executivo.

Do letramento digital à gestão de agentes

A nova regra do CNE visa garantir que a IA seja usada para fortalecer a autonomia intelectual e promover a equidade, evitando que a tecnologia amplie o abismo entre os alunos. Na visão de Elemar Júnior, as organizações modernas agora possuem um "quarto vértice" composto pelos agentes digitais, que executam tarefas e interagem quase como membros de um time.

Com décadas de experiência em consultoria para gigantes como Nubank e B3, Elemar Júnior reforça que o grande desafio da educação agora é ensinar a gestão dessa nova estrutura. O foco deve sair da ferramenta técnica e entrar na estratégia de como esses novos agentes podem potencializar o talento criativo que as pessoas já possuem. "Hoje as empresas têm um departamento de gestão de pessoas. A gente vai ter um departamento de gestão de agentes, com toda certeza", conclui o especialista.

* Edição por Lina Santiago

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