Mariana Kotscho
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BNCC da computação: confira 3 dicas de implementação alinhada ao ensino tradicional

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) fortalece a competência digital, essencial para a formação de cidadãos críticos e conscientes

Redação* Publicado em 25/02/2026, às 06h00

Pessoa digita em computador portátil
Atualmente, a educação digital é tão essencial quanto ler, escrever e calcular. - Foto: Canva Pro

A inclusão da computação como parte obrigatória da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) marca um avanço na educação brasileira, reconhecendo a importância do letramento digital e do pensamento computacional para a formação de cidadãos críticos e conscientes em relação à tecnologia.

Essa mudança visa desenvolver habilidades como resolução de problemas, pensamento lógico e competências socioemocionais, preparando os alunos para um aprendizado mais integrado e significativo no contexto digital.

Para que essa implementação seja bem-sucedida, é essencial investir na formação contínua de professores e integrar a computação ao currículo de forma interdisciplinar, evitando tratá-la como uma disciplina isolada.

Resumo gerado por IA

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), incluiu como fortalecimento da competência 5 – Cultura Digital -, o complemento obrigatório da computação no ensino básico, focada no desenvolvimento do pensamento crítico e digital. Para Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, isso representa um marco para a educação brasileira, ao reconhecer que a educação digital é tão essencial quanto ler, escrever e calcular.

Para Haony, essa implementação contribui para a formação de cidadãos que compreendam a tecnologia, ao invés de usá-la apenas como uma ferramenta. “Na prática, chamamos de letramento digital e pensamento computacional, ou seja, os alunos serão ‘letrados’ na máquina para compreendê-la e replicar estruturas lógicas em cenários do dia a dia, resolvendo problemas e compreendendo como a máquina funciona, não apenas utilizando ela sem finalidade específica” - pontua o especialista.

Essa prática pode ser um estímulo para desenvolvimento de outras habilidades, como decomposição de problemas, reconhecimento de padrões, pensamento lógico e criação de soluções. Para o educador, isso contribui para o fortalecimento de competências socioemocionais como colaboração, persistência, criatividade e tomada de decisão consciente. Dessa forma, um aluno com tantas habilidades em desenvolvimento constante, também se destaca no aprendizado tradicional.

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Entretanto, essa mudança pode ser desafiadora, nos sentidos de formação, integração e adequação.

Para Haony, a escola precisa investir na qualificação de professores, de forma contínua, para que os docentes possam acompanhar as novas tendências e atualizar sua maneira de ministrar as aulas. A implementação da Inteligência Artificial, como objeto de estudo e ferramenta pedagógica, por exemplo, foi um marco para a formação de professores preparados para desenvolver pensamento crítico e ética digital para os jovens, através do uso dessa tecnologia dentro de sala de aula.

Haony reforça que, para qualquer alteração estrutural dentro do ambiente escolar, a mudança precisa partir da mentalidade pedagógica, para assim partir para a infraestrutura. Ou seja, antes de implementar novas plataformas, todo o corpo docente precisa estar aberto para tal transição.

Outro desafio, na visão do assessor pedagógico, é a integração da Computação ao currículo sem tratá-la como conteúdo isolado. Para isso, confira abaixo 3 dicas de como fazer essa adequação ao ensino tradicional:

  1. Enxergue a computação como linguagem: a computação deve ser vista como forma de pensar, criar e resolver problemas, algo que pode ser aplicado em todo o currículo;
  2. Evite aplicar a computação como disciplina: quando tratada de maneira isolada, perde força pedagógica e conexão com a aprendizagem dos alunos;
  3. Fortaleça a interdisciplinaridade: a computação sendo aplicada em diversas áreas do conhecimento amplia as possibilidades de aprendizado e favorece a formação de jovens críticos e criativos.

Após esses passos, a escola passa a preparar cidadãos conscientes e críticos do mundo digital, além de preparados para as mudanças do mundo moderno. “Estudantes passam a compreender melhor o papel da tecnologia na sociedade, tornam-se menos vulneráveis à desinformação e mais capazes de participar ativamente de decisões sociais, políticas e econômicas” - pontua o educador.

* Edição por Lina Santiago

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