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Por quanto tempo devo fazer terapia de reposição hormonal?

Fatores como saúde geral e riscos individuais são essenciais na decisão de manter ou interromper a terapia de reposição hormonal

Dra. Lígia Santos* Publicado em 14/04/2026, às 06h00

Mulher aplica terapia de reposição hormonal no braço, em forma de pomada.
A duração da terapia de reposição hormonal varia de mulher para mulher. - Foto: Canva Pro

A terapia de reposição hormonal (TRH) é essencial para melhorar a qualidade de vida de mulheres durante o climatério e a menopausa, mas sua duração varia conforme os sintomas e o impacto na vida de cada paciente.

Os fogachos são a queixa mais comum, podendo durar de 7 a 8 anos, mas 10% das mulheres ainda os apresentam após os 70 anos, e muitas que interrompem a terapia voltam a sentir os sintomas rapidamente.

A interrupção da TRH deve ser planejada com cuidado, considerando a saúde geral da paciente e os riscos a longo prazo, com acompanhamento médico regular para ajustes necessários.

Resumo gerado por IA

Uma das dúvidas mais frequentes que escuto no consultório é: “Doutora, depois que comecei a terapia de reposição hormonal, por quanto tempo devo continuar?”. A resposta, embora muito importante, não é simples — porque varia de mulher para mulher.

A terapia de reposição hormonal (TRH) é indicada, principalmente, para melhorar a qualidade de vida durante o climatério e a menopausa. Portanto, a duração do tratamento está diretamente relacionada aos sintomas apresentados e ao impacto que eles têm no dia a dia de cada paciente. E aqui está o ponto central: não existe um tempo fixo ou universal definido pela literatura médica para interromper a terapia.

Os fogachos — popularmente conhecidos como ondas de calor — são a queixa mais comum e, muitas vezes, o principal motivo que leva as mulheres a buscarem tratamento. Em média, esses sintomas podem durar cerca de 7 a 8 anos. No entanto, essa não é uma regra absoluta: aproximadamente 10% das mulheres continuam apresentando o quadro mesmo após os 70 anos.

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Outro aspecto importante é que cerca de metade das mulheres que interrompem a terapia hormonal voltam a apresentar sintomas nos primeiros meses após a suspensão. Isso mostra como o organismo pode reagir de forma diferente à retirada dos hormônios.

Além dos sintomas vasomotores, há também condições que evoluem de forma progressiva, como a atrofia vaginal e a perda de massa óssea. Nesses casos, a decisão de manter ou interromper a terapia precisa considerar não apenas o alívio imediato dos sintomas, mas também a prevenção de complicações a longo prazo.

Por isso, o processo de redução ou interrupção da terapia — o chamado “desmame” — deve ser cuidadosamente planejado. Ele depende de diversos fatores: o estado geral de saúde da paciente, sua disposição, seus sintomas atuais e seus riscos individuais.

A boa notícia é que a terapia hormonal, quando bem indicada, é segura e extremamente eficaz. No entanto, ela deve sempre ser realizada com acompanhamento médico regular, permitindo ajustes individualizados ao longo do tempo.

Não existe uma resposta única sobre a duração da terapia de reposição hormonal. Existe, sim, a melhor decisão para cada mulher — e ela deve ser tomada com informação, acompanhamento médico e cuidado.

*Lígia Santos é médica ginecologista com mais de 20 anos de experiência, mestranda em Saúde Coletiva e coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Atua na construção de políticas públicas, qualificação da atenção básica e implementação de linhas de cuidado em saúde da mulher e também apoia empresas e instituições no desenvolvimento de estratégias de saúde feminina com impacto real — unindo ciência, gestão e equidade.

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