Podcast documental discute violência contra as mulheres no país: até onde vai a tolerância?
Redação Publicado em 05/03/2026, às 06h00

Dois casos de violência extrema contra mulheres no Brasil, incluindo um atropelamento fatal e um espancamento brutal, destacam a alarmante realidade de agressões de gênero, com 3,7 milhões de brasileiras afetadas em 2025, segundo o DataSenado.
Em 2025, o Brasil registrou 1.518 feminicídios, o maior índice já documentado, evidenciando um grave problema social enraizado nas desigualdades de gênero, com uma mulher assassinada a cada seis horas.
O podcast 'Tem que meter a colher! 2' busca dar voz às vítimas e promover o debate sobre feminicídio, com a participação de sobreviventes e especialistas, e o primeiro episódio será lançado em 6 de março de 2026.
Uma mulher foi atropelada pelo seu ex-ficante e arrastada por mais de um quilômetro na marginal Tietê. Após um mês internada, faleceu devido aos ferimentos. Outra, foi espancada pelo então namorado: 61 socos. Ele desfigurou seu rosto no elevador do prédio em que moravam. A estatística é assustadora: cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de agressão de gênero em 2025, de acordo com o DataSenado. Números tão exorbitantes fazem com que as identidades dessas vítimas passem a figurar, por vezes, apenas nas estatísticas.
Os casos de Tainara Souza Santos e Juliana Garcia, narrados no primeiro parágrafo, foram cobertos pela mídia e chamaram a atenção pública no final de 2025 devido à brutalidade dos crimes.
O segundo volume do podcast documental 'Tem que meter a colher! 2 - Até quando mulheres serão mortas por serem mulheres?' tem a proposta de olhar para essas vítimas a partir de suas identidades e individualidades, além de contribuir para o debate explorando as perspectivas de importantes profissionais.
O que une as vítimas é o fato de serem mulheres em um Brasil que frequentemente consta entre os cinco países que mais cometem feminicídio no mundo. Como disse a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, “Mata-se a mulher por ser mulher”, e a pergunta que ainda ecoa é “Por que tantas continuam sendo vítimas de uma violência que não deveria existir?”.
Logo no início do segundo episódio deste podcast documental, o ouvinte tem acesso a dados oficiais que retratam a real condição da mulher em nosso país, ao mesmo tempo em que contextualiza o debate:
"O Brasil registrou no ano de 2025 1.518 feminicídios, o maior índice já documentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Quatro mulheres assassinadas por dia ou uma mulher morta a cada seis horas no País. O recorde superou o de 2024, ano que registrou 1.458 feminicídios. Esses dados são da Agência Brasil. A contagem avança, a vida recua. Numa operação matemática, a triste informação revelada é que o Brasil registra, em média, mais de mil e trezentos assassinatos de mulheres por ano. Um grave problema social, enraizado nas desigualdades de gênero"
"Tem que meter a colher! 2 - Até quando mulheres serão mortas por serem mulheres?" nos propõe refletir sobre o assunto a partir das perspectivas de mulheres que são referências importantes para o debate e que foram entrevistadas.
No primeiro episódio, o podcast terá, com exclusividade, a participação de Juliana Garcia, sobrevivente do ataque narrado no primeiro parágrafo e que hoje, além de ser estudante de educação física, atua como palestrante e ativista de causas feministas.
“Eu acho que foi um deboche para a sociedade inteira, porque ele tava ali dizendo que, independente de, de ter uma câmera ou não filmando, ele ia sair impune, porque, se ele tivesse o pensamento de punição, talvez ele não tivesse feito. Então, às vezes eu falo que aqueles socos, eles não, não foram dados só em mim, foi na sociedade inteira, pela sensação de impunidade.”
Juliana Garcia, vítima de um dos ataques citados do podcast .
Já o segundo episódio contará com a participação da desembargadora Jaceguara Dantas da Silva, conselheira no Conselho Nacional de Justiça e membro do Comitê de Gestão do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio entre os Três Poderes. O comitê objetiva unir forças, respeitando as competências de cada instância envolvida, com o compromisso de gerar ações de enfrentamento ao feminicídio e para a garantia da vida de mulheres e meninas, em toda a sua diversidade.
Além delas, para compor a construção do futuro lançamento, foram entrevistadas Sandra Aparecida Pereira, fundadora do 'Movimento Mulheres da Várzea', de São Paulo, que há anos levanta a bandeira do combate à violência contra mulheres e a advogada Maria Júlia Leonel, mestre e doutora em Direito nas áreas de gênero e criminologia, além de professora e debatedora na Rádio CBN Recife, que ajuda a pensar o tema com o viés jurídico: “mais de 90% das mulheres que foram vítimas de feminicídio nos anos de 2024 e 2025 não tinham medida protetiva. Ou seja, em que pesem todas as críticas às medidas protetivas, elas seguem sendo, a gente analisando, fazendo essa comparação de dados, uma medida importante", afirma.
O podcast documental tem roteiro, produção executiva e coordenação de produção de Viviane Pires e narração de Selma Boiron, locutora há 44 anos, formada no rádio e na UFF em Produção Cultural e Estudos de Mídia, além de amante de podcasts. Já a sonorização, finalização técnica e masterização, foram realizadas por Jorge Ramos (Brinquinho) e a gerência de produção por Darla Almeida.
O primeiro episódio do segundo volume de 'Tem que meter a colher! 2 -Até quando mulheres serão mortas por serem mulheres?' estará disponível a partir do dia 6 de março na plataforma da Ubook, aplicativo de audiotainment, que pode ser acessado pelo computador ou pelo aplicativo de celular.
Na primeira edição do projeto, 'Tem que meter a colher! - O combate à violência contra mulheres', lançada em 8 de março de 2023 e também disponível na plataforma da Ubook, foi entrevistada Luiza Brunet, importante ativista da causa feminista, com narração de Marta Ramalhete e participação da ex-delegada e deputada estadual no Rio de Janeiro Martha Rocha, a primeira mulher a comandar a Polícia Civil no estado.
FICHA TÉCNICA:
Título E1: Vítimas de uma tragédia diária
Título E2: A violência que não cessa
Data de lançamento do primeiro episódio: 6 de março de 2026, sexta-feira.
Narração: Selma Boiron.
Roteiro e produção executiva: Viviane Pires.
Sonorização, finalização técnica e masterização: Jorge Ramos (Brinquinho).
Coordenação de produção: Viviane Pires. Gerência de produção: Darla Almeida.
Clique AQUI para ouvir o primeiro volume do podcast: 'Tem que meter a colher! - O combate à violência contra mulheres', na Ubook.
* Edição por Lina Santiago
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