Estudos mostram que mulheres têm mais escolaridade, mas faturam menos porque enfrentam obstáculos estruturais que afetam seus negócios
Redação * Publicado em 12/01/2026, às 06h00

O empreendedorismo feminino no Brasil está em expansão, com um número crescente de mulheres abrindo negócios, embora ainda enfrentem a contradição de faturar menos que os homens, mesmo com maior escolaridade e dedicação.
Dados da SumUp indicam que mais de 40% das empreendedoras ganham até um salário mínimo mensal, refletindo obstáculos estruturais que impactam seus resultados financeiros, como a falta de acesso a crédito e a responsabilidade familiar.
Iniciativas como redes de apoio, programas de mentoria e educação financeira estão fortalecendo o papel das mulheres no mercado, permitindo que elas transitem de empreender por necessidade para empreender com foco em crescimento e liderança.
O empreendedorismo feminino vive um momento de expansão no Brasil. Cada vez mais mulheres decidem abrir o próprio negócio, seja por necessidade, seja pelo desejo de autonomia, propósito e independência financeira. Dados recentes mostram que elas já representam uma parcela significativa dos novos empreendedores do país. Ainda assim, uma contradição persiste: embora empreendam mais, as mulheres continuam faturando menos do que os homens.
Pesquisas nacionais indicam que uma parte expressiva das empreendedoras ainda opera com baixo faturamento mensal. Um levantamento da SumUp revelou que mais de 40% das mulheres empreendedoras ganham até um salário mínimo por mês, enquanto entre os homens esse percentual é muito menor. Isso não significa falta de competência ou dedicação, pelo contrário. Em muitos casos, as mulheres empreendem com maior nível de escolaridade, mas enfrentam obstáculos estruturais que impactam diretamente os resultados financeiros.
Para a mentora de finanças Simone Santolin, é fundamental mudar a narrativa que associa faturamento menor à incapacidade. “As mulheres empreendem muito, inovam, criam soluções e sustentam famílias inteiras com seus negócios. O que falta não é talento, é acesso, estrutura e, principalmente, segurança financeira para crescer".
Grande parte das empreendedoras inicia seus negócios com pouco capital, atua em setores de menor margem e precisa conciliar o empreendimento com a responsabilidade quase exclusiva pelos cuidados da casa e da família. Ainda assim, elas demonstram alta capacidade de adaptação, resiliência e gestão no dia a dia.
Simone Santolin destaca que, quando a mulher desenvolve clareza financeira, o cenário muda. “Quando a empreendedora entende seus números, precifica corretamente e se posiciona com confiança, o faturamento deixa de ser uma consequência do acaso e passa a ser resultado de estratégia".
Outro ponto importante é o acesso ao crédito e a investimentos. Estudos internacionais mostram que negócios liderados por mulheres recebem menos financiamento, mas, em contrapartida, costumam apresentar maior controle financeiro e menor inadimplência. Para Simone, isso é uma vantagem competitiva pouco explorada.
“Mulheres são excelentes gestoras de recursos. Quando têm acesso ao capital certo e à educação financeira adequada, elas transformam pequenos negócios em empresas sólidas e sustentáveis".
Apesar dos desafios, o cenário é promissor. Redes de apoio, programas de mentoria, educação financeira e políticas voltadas ao empreendedorismo feminino têm ampliado oportunidades e fortalecido o protagonismo das mulheres no mercado. Cada vez mais, elas deixam de apenas empreender para sobreviver e passam a empreender para crescer, escalar e liderar.
O avanço do empreendedorismo feminino não é apenas uma questão de justiça social, mas também de desenvolvimento econômico. Investir nas mulheres é investir em negócios mais conscientes, inovadores e sustentáveis, e os números tendem a refletir isso cada vez mais.
“Faturar mais não é sobre trabalhar mais horas, é sobre trabalhar com inteligência financeira. E as mulheres estão prontas para essa virada", finaliza Simone.
*Com edição de Lina Santiago.
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