Mariana Kotscho
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Maternidade e carreira: decisões emocionais que impactam o futuro profissional

Especialista analisa como decisões emocionais feitas no período da maternidade podem influenciar trajetórias profissionais a longo prazo

Redação* Publicado em 25/01/2026, às 06h00

Mulher grávida come fruta e põe a mão na barriga em frente a computador
A mulher pode abrir mão de espaços profissionais importantes sem perceber as consequências a longo prazo - Foto: Canva Pro

A maternidade frequentemente provoca mudanças significativas na vida profissional das mulheres, levando a decisões que podem impactar suas carreiras a longo prazo, muitas vezes tomadas em momentos de estresse e culpa.

Alessandra Belfort, juíza federal, destaca que essas escolhas, como demissões ou pausas, são frequentemente impulsionadas por cansaço extremo e não refletem uma verdadeira vontade de mudança, resultando em consequências que podem ser percebidas anos depois.

Para mitigar esses efeitos, é essencial que as mulheres transformem decisões emocionais em escolhas conscientes, buscando apoio e informações que permitam equilibrar maternidade e carreira de forma harmoniosa e sustentável.

Resumo gerado por IA

A chegada da maternidade costuma marcar um ponto de inflexão na vida profissional de muitas mulheres. Entre licenças, novas rotinas e redefinição de prioridades, decisões tomadas nesse período, muitas vezes guiadas pela emoção e pela exaustão, podem gerar impactos duradouros na carreira.

Segundo Alessandra Belfort, juíza federal e especialista em gestão emocional e carreiras, a maternidade não enfraquece a competência profissional, mas expõe fragilidades estruturais e emocionais. “Muitas decisões são tomadas em momentos de sobrecarga, culpa e medo de não dar conta de tudo. Quando isso acontece, a mulher pode abrir mão de espaços profissionais importantes sem perceber as consequências a longo prazo”, explica.

De acordo com a especialista, é comum que mulheres façam escolhas profissionais significativas logo após o nascimento dos filhos, sem o distanciamento emocional necessário. “Pedidos de demissão, pausas não planejadas ou recuos na carreira muitas vezes surgem de um cansaço extremo, não de uma vontade real de mudar de trajetória”, afirma Alessandra.

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Ela ressalta que decisões tomadas nesse estado tendem a ser definitivas demais para um momento que, por natureza, é transitório. “A maternidade transforma, mas a fase mais intensa não dura para sempre”, observa.

Outro fator que pesa nas decisões profissionais é a culpa. “Existe uma pressão social para que a mulher seja plenamente dedicada à maternidade, como se o sucesso profissional fosse incompatível com o cuidado dos filhos”, aponta a juíza federal. 

Essa lógica, segundo Alessandra, leva muitas mulheres a se afastarem de oportunidades por acreditarem que estão fazendo ‘o certo’. “O problema é quando essa renúncia não é consciente, mas guiada por cobrança externa e autocrítica”, destaca.

As consequências dessas escolhas nem sempre são imediatas. “Muitas mulheres só percebem o impacto anos depois, quando tentam retomar o crescimento profissional e encontram barreiras que poderiam ter sido evitadas”, explica a especialista.

Segundo ela, isso não significa que o caminho esteja perdido, mas que ele exige mais reconstrução. “Toda pausa tem efeitos, e reconhecê-los é parte do amadurecimento profissional”, afirma.

Para Alessandra Belfort, o ponto central é transformar decisões emocionais em decisões conscientes. “É possível ajustar ritmos, negociar formatos de trabalho e redesenhar planos sem romper completamente com a própria trajetória”, orienta.

Ela conclui reforçando que maternidade e carreira não precisam ser forças opostas. “Quando a mulher tem apoio, informação e espaço para decidir com clareza, ela constrói um futuro profissional mais coerente com quem ela é, como mãe e como profissional”, finaliza.

*Edição por Lina Santiago.

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