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Criar filhos também deveria ser um ato de liberdade

A violência impacta não só as vítimas, mas também o ambiente familiar e a percepção das crianças

Vanessa Paiva* Publicado em 19/03/2026, às 06h00

Vanessa Paiva
Vanessa Paiva, advogada especialista em Direito de Família. - Foto: Assessoria

Recentes episódios de violência contra mulheres, como o ocorrido em Copacabana, geram um sentimento de medo e indignação entre mães, refletindo a insegurança constante que muitas enfrentam no cotidiano.

A maternidade traz um instinto de proteção, e a liberdade feminina, embora celebrada em conquistas, também envolve a capacidade de viver sem medo de violência, algo que impacta diretamente a vida familiar.

A advogada Vanessa Paiva destaca que a violência não afeta apenas as vítimas diretas, mas altera dinâmicas familiares, e enfatiza que a verdadeira liberdade inclui viver com tranquilidade e criar filhos sem medo.

Resumo gerado por IA

Sempre que uma notícia de violência contra uma menina ou uma mulher aparece no noticiário, muitas mães sentem um aperto difícil de explicar. Não é apenas indignação. É medo também.

Nas últimas semanas, um episódio ocorrido em Copacabana envolvendo uma adolescente voltou a provocar esse tipo de reflexão em muitas famílias. Casos assim chocam, mobilizam a sociedade e trazem à tona uma sensação que muitas mulheres conhecem bem: a de que a segurança ainda é uma preocupação constante no cotidiano.

Quando algo assim acontece, a história não fica restrita às pessoas diretamente envolvidas. Ela atravessa conversas de família, aparece nas preocupações silenciosas e faz muita gente pensar nas próprias filhas.

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Quem é mãe sabe bem como essas notícias chegam perto.

A maternidade costuma trazer consigo um instinto muito forte de proteção. Proteger os filhos do que pode acontecer dentro e fora de casa. Proteger do que pode ferir, assustar ou marcar a vida deles.

Frequentemente falamos da liberdade feminina a partir de grandes conquistas: estudar, trabalhar, ocupar espaços que antes eram negados. Tudo isso é essencial. Mas existe também uma dimensão mais cotidiana dessa liberdade que nem sempre aparece no debate público.

A possibilidade de viver sem medo.

De sair de casa, voltar à noite, circular pela cidade e construir a própria vida sem que a violência esteja sempre no horizonte.

Para quem tem filhos, especialmente filhas, essa sensação de liberdade muitas vezes convive com um estado permanente de alerta.

Como advogada que atua na área de Direito de Família, observo com frequência como episódios de violência contra mulheres acabam repercutindo dentro das famílias. Crianças percebem mudanças no ambiente, tensões que nem sempre conseguem compreender completamente, mas que passam a fazer parte da rotina.

A violência não atinge apenas quem sofreu diretamente a agressão. Ela atravessa relações, modifica comportamentos e influencia a forma como famílias inteiras passam a enxergar o mundo.

Por isso, falar sobre a liberdade das mulheres também é falar sobre o ambiente em que nossas crianças crescem.

No mês de março, quando o debate sobre os direitos das mulheres ganha mais visibilidade, talvez valha reforçar algo simples: liberdade não é apenas ter direitos garantidos no papel.

Liberdade também é poder viver a própria vida com tranquilidade.

E, para muitas mães, isso significa algo muito simples e profundamente importante: poder criar seus filhos sem medo.

*Vanessa Paiva é advogada especialista em Direito de Famíia.  

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