O Movimento Violência Sexual Zero une empresas e comunidades para criar uma rede de proteção contra a exploração sexual infantil.
Ernesto Pousada* Publicado em 27/05/2026, às 06h00

No Brasil, uma denúncia de violência sexual contra crianças e adolescentes ocorre a cada 7 minutos e meio, com apenas 8,5% dos casos sendo reportados, evidenciando a gravidade do problema social que muitas vezes é ignorado pela sociedade.
O Projeto Mapear, da Polícia Rodoviária Federal em parceria com a Childhood Brasil, revelou mais de 17 mil pontos vulneráveis à exploração sexual nas rodovias, destacando a necessidade de uma mobilização coletiva para enfrentar essa realidade alarmante.
O Movimento Violência Sexual Zero, criado em colaboração com diversas organizações, já reúne mais de 200 empresas e busca transformar a conscientização em ação prática, enfatizando que a proteção deve se tornar uma cultura compartilhada por toda a sociedade.
Enquanto você lê este texto, uma criança ou adolescente pode estar sofrendo violência sexual no Brasil.
A frase é dura, mas necessária. Dados do Disque 100 do primeiro trimestre de 2026 indicam uma nova denúncia a cada 7 minutos e meio, aproximadamente. E sabemos que a realidade é ainda maior: apenas 8,5% dos casos são denunciados.
Talvez o nosso maior erro, como sociedade, tenha sido aprender a desviar o olhar.
Durante muito tempo, tratamos a violência sexual contra crianças e adolescentes como um problema distante, restrito às páginas policiais ou à responsabilidade exclusiva do poder público. Mas esse tipo de violência não acontece isoladamente. Ela atravessa famílias, comunidades, empresas, estradas e cidades. Está mais próxima do que gostaríamos de admitir.
O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado em 18 de maio, existe justamente para interromper esse silêncio.
Na Vibra, decidimos assumir essa pauta como compromisso permanente. Não como campanha temporária, mas como responsabilidade coletiva.
Nossa atuação começou diante de uma realidade impossível de ignorar: o Projeto Mapear, da Polícia Rodoviária Federal em parceria com a Childhood Brasil, identificou mais de 17 mil pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras, muitos deles próximos a postos de combustíveis e estabelecimentos às margens das estradas.
Diante disso, entendemos que conscientizar não seria suficiente. Era preciso mobilizar.
Foi assim que nasceu o Movimento Violência Sexual Zero, construído ao lado da Childhood Brasil, Instituto Liberta e Grupo Mulheres do Brasil. Um ano depois, o movimento reúne mais de 200 empresas e tem potencial para mobilizar cerca de 2 milhões de colaboradores em todo o país.
Mais do que números, isso representa uma oportunidade concreta: transformar capilaridade em rede de proteção.
O Brasil já possui uma estrutura instalada capaz de gerar impacto real, empresas, escolas, caminhoneiros, frentistas, profissionais da saúde, educadores e famílias.
O que falta é ativar essa rede.
Porque proteger também começa em atitudes simples: saber identificar sinais, ouvir sem julgamento, acolher e encaminhar uma denúncia.
Por isso, acredito que o papel das empresas precisa evoluir. Não basta apoiar causas em datas específicas ou limitar o debate ao discurso institucional. Empresas têm presença territorial, influência cultural e capacidade de mobilização em escala.
Essa é uma causa pessoal minha, mas consegui expandir levando para outras áreas da vida. Na Vibra, temos buscado transformar essa presença em ação prática, com iniciativas como a Loja de Inconveniência Itinerante, que percorre cidades brasileiras levando informação, conscientização e orientação sobre o tema.
Mas ainda estamos longe do suficiente.
A proteção precisa deixar de ser reação e virar cultura.
E isso só será possível quando entendermos que o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes não pertence apenas ao governo, às organizações sociais ou às vítimas.
Essa responsabilidade é de todos nós.
* Ernesto Pousada é CEO da Vibra Energia.
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