Especialistas explicam por que diversificar as atividades durante o recesso favorece o desenvolvimento, a criatividade e o bem-estar
Redação* Publicado em 27/07/2026, às 06h00

O aumento do uso de tecnologia por crianças e adolescentes durante as férias escolares pode impactar negativamente a saúde mental e o desenvolvimento social, especialmente após a proibição do uso de celulares nas escolas brasileiras a partir de 2025.
Especialistas alertam que a exposição excessiva a telas pode elevar níveis de ansiedade e prejudicar a qualidade do sono, além de limitar experiências presenciais essenciais para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.
Para equilibrar o uso da tecnologia, é recomendado diversificar as atividades durante o recesso, incluindo a promoção da leitura como uma alternativa enriquecedora, com sugestões de livros adequados a diferentes faixas etárias para estimular o aprendizado e a imaginação.
Durante as férias escolares, é comum que crianças e adolescentes passem mais tempo em casa e, consequentemente, aumentem o uso de celulares, tablets, videogames e redes sociais. Esse comportamento pode se tornar ainda mais evidente após a entrada em vigor da lei que, desde 2025, proibiu o uso de celulares nas escolas brasileiras, exceto para fins pedagógicos devidamente autorizados. Embora a tecnologia faça parte da rotina e ofereça inúmeras oportunidades de aprendizado, criatividade e entretenimento, o excesso de exposição às telas pode trazer impactos para a saúde mental, a qualidade do sono e o desenvolvimento social de crianças e adolescentes.
Segundo Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, o desafio não está em eliminar a tecnologia da rotina, mas em garantir que ela seja utilizada de forma equilibrada, sem substituir outras experiências importantes para o desenvolvimento. "O problema surge quando as telas passam a ocupar parte importante do tempo livre. O excesso de exposição pode aumentar a ansiedade, a irritação e a dificuldade de concentração, especialmente quando o consumo é baseado em vídeos curtos e estímulos muito rápidos", explica o especialista.
Além disso, ele destaca que o uso de celulares e tablets próximo ao horário de dormir pode prejudicar a qualidade do sono, dificultando o relaxamento e reduzindo o tempo de descanso adequado. Na avaliação de Haony, quando as experiências presenciais são substituídas por interações exclusivamente virtuais, crianças e adolescentes deixam de exercitar competências importantes para a vida. "Brincar, conversar, praticar esportes e conviver com amigos e familiares são atividades fundamentais para o desenvolvimento da empatia, da comunicação e das habilidades socioemocionais. O desafio não é eliminar as telas, mas garantir que elas não ocupem o espaço de outras experiências igualmente importantes", afirma.
Entre essas experiências, a leitura se destaca como uma alternativa capaz de unir entretenimento, imaginação e aprendizado durante o período de descanso. Quando os livros se aproximam do universo infantojuvenil fora das obrigações escolares, abre-se espaço para uma relação mais espontânea e prazerosa com as narrativas, como defende Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica da SOMOS Educação. "As férias são um ótimo momento para estimular o encantamento pela leitura, permitindo que os estudantes tenham autonomia para escolher seus livros, sem prazos nem expectativas pedagógicas associadas a essa experiência", afirma.
Mais do que uma atividade escolar, a leitura acompanha crianças e adolescentes em momentos de descanso, imaginação e descoberta. Para Laura, o hábito da leitura durante as férias pode proporcionar um aprendizado contínuo de maneira leve e significativa. "Além de exercitar a mente, os livros podem se tornar companheiros durante as férias, despertando reflexões sobre o mundo e sobre si mesmos", completa.
Além de incentivar a leitura, Victor Haony destaca que é importante diversificar as experiências durante o recesso, equilibrando o uso da tecnologia com outras atividades. "As férias são uma excelente oportunidade para mostrar que a diversão pode acontecer de muitas formas. Quanto mais variadas forem as experiências oferecidas aos jovens, maior será o equilíbrio entre o mundo digital e o mundo real, favorecendo um desenvolvimento mais saudável e completo", conclui.
Pensando nisso, a SOMOS Literatura selecionou seis títulos indicados para diferentes faixas etárias, permitindo que crianças e adolescentes encontrem histórias alinhadas aos seus interesses e etapa de desenvolvimento.
Ilustrações: Don Wood
Preço: R$ 75,47 (Link para compra)
Páginas: 32
Nesse clássico da literatura infantil, uma mãe deixa seus sete filhos sozinhos para ir ao mercado, com um único pedido: não abrir a porta para estranhos. No entanto, as crianças acabam deixando a Bruxa Salomé entrar, e agora cabe à mãe salvá-las.
Preço: R$ 73,01 (Link para compra)
Páginas: 32
Em um dia de calor escaldante, a divertida bruxa Onilda resolve ir à praia para se refrescar. Lá, ela ganha um concurso de castelos de areia e recebe uma prancha de windsurfe como prêmio. Mas sua tentativa de surfar acaba em uma grande confusão.
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Páginas: 152
Neste clássico da literatura brasileira adaptado para o público infantil, Eduardo e Henrique estão passando as férias na casa de um parente. Curiosos e cheios de energia, eles decidem explorar uma ilha misteriosa nos arredores, e acabam descobrindo que o lugar é habitado por um eremita muito diferente.
Ilustrações: Caio Beltrão (Link para compra)
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Páginas: 272
No romance mais movimentado de Júlio Verne, um inglês sério e enigmático investe todo o seu dinheiro em uma aposta inusitada: viajar ao redor do mundo em exatos oitenta dias, levando consigo apenas uma bolsa e um empregado recém-contratado. Em meio a situações fantásticas e aventuras incríveis, os dois se envolvem com pessoas de várias partes do mundo e enfrentam tempestades marítimas, fanáticos religiosos, sabotagens e o desconhecido.
Ilustrações: Amanda Miranda
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Páginas: 320
Nesse clássico da literatura mundial, considerado um dos romances mais influentes do século XX, o consagrado George Orwell denuncia, por meio de uma ficção distópica, as mazelas do totalitarismo. A narrativa propõe uma reflexão sobre temas como memória, liberdade e privacidade, explorando o funcionamento desses elementos em uma sociedade marcada pelo controle e pela vigilância.
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Páginas: 88
A controversa e inesquecível história de Bentinho e Capitu em HQ. O leitor é enredado no turbilhão das memórias de Bento e da dúvida que o assombra: teria sua esposa o traído ou não? Um grande clássico com imagens que emocionam e mantêm o lirismo de seu mistério.
*Edição por Lina Santiago.
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