Especialista explica como a calistenia, movimento com o próprio corpo, pode favorecer o desenvolvimento físico e emocional
Redação* Publicado em 13/02/2026, às 06h00

O aumento do tempo em frente às telas e a diminuição das brincadeiras ativas estão contribuindo para o sedentarismo infantil, considerado um dos principais desafios de saúde atual, afetando não apenas o peso, mas também o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças.
Estudos indicam que muitos adolescentes não atingem o nível mínimo recomendado de atividade física, e a exposição a conteúdos digitais pode prejudicar a adesão a atividades que exigem esforço e repetição, levando a um ciclo de inatividade e insegurança corporal.
Métodos como a Calistenia Kids estão sendo propostos para estimular a atividade física de forma adaptada, e a participação familiar é crucial para incentivar hábitos saudáveis, com recomendações de pelo menos uma hora diária de atividade física para crianças e adolescentes.
O aumento do tempo em frente às telas e a redução das brincadeiras ativas vêm mudando a forma como crianças se movimentam, e se desenvolvem. Mesmo em famílias que se preocupam com alimentação e educação, o sedentarismo infantil já é apontado por especialistas como um dos principais desafios de saúde da atualidade, com impactos que vão além do peso corporal.
Postura inadequada, menor coordenação motora, redução da resistência física e dificuldade para sustentar atividades que exigem esforço são alguns dos sinais mais comuns. Segundo o médico Dr. Raphael Boesche Guimarães, o problema não está apenas na ausência de esportes, mas na falta de estímulo adequado ao movimento no dia a dia.
“Movimento não é apenas gasto de energia. Ele faz parte do desenvolvimento do corpo e do cérebro. Quando a criança se mexe menos do que deveria, ela deixa de construir uma base fundamental de coordenação, controle postural e força funcional”, explica o médico.
Telas facilitam a rotina, mas cobram um preço do corpo
O uso excessivo de telas costuma ser uma solução prática para famílias com rotinas intensas. No entanto, esse hábito tem consequências que nem sempre aparecem de forma imediata. Estudos internacionais já alertam que a maioria dos adolescentes no mundo não atinge o nível mínimo de atividade física recomendado.
Além dos efeitos físicos, o impacto também é comportamental. De acordo com o especialista, conteúdos digitais baseados em recompensa rápida podem dificultar a adesão a atividades que exigem repetição e construção gradual.
“Vídeos curtos e jogos oferecem estímulos constantes e imediatos. Com o tempo, a criança passa a rejeitar tarefas que dão trabalho. O movimento exige esforço, repetição e paciência, exatamente o oposto da lógica das telas”, afirma Dr. Raphael.
Menos repertório corporal, mais resistência ao movimento
Quando a criança se movimenta pouco, ela tende a desenvolver menos confiança no próprio corpo. Isso se reflete na dificuldade para correr, pular, brincar por mais tempo ou participar de atividades físicas em grupo.
“A criança cria a percepção de que ‘não leva jeito’ para o movimento. Naturalmente, passa a evitar essas situações e escolhe ambientes onde se sente mais confortável, como o uso de telas”, explica o médico.
Esse ciclo contribui para o aumento do sedentarismo e pode acompanhar a criança por toda a adolescência.
Calistenia Kids propõe movimento simples e adaptado à infância
Nesse cenário, métodos baseados em movimentos com o peso do próprio corpo, como a Calistenia Kids, vêm sendo discutidos como alternativas viáveis para estimular a atividade física infantil. A proposta é trabalhar força, coordenação, mobilidade e controle corporal de forma adaptada, sem foco em performance ou competição.
“Não se trata de musculação infantil ou treino pesado. São movimentos fundamentais, com progressões adequadas à idade, que ajudam o corpo a se desenvolver melhor”, esclarece Dr. Raphael.
Segundo o médico, esse tipo de abordagem contribui para criar uma base física sólida, que facilita a adaptação da criança a qualquer modalidade esportiva no futuro.
O papel da família faz toda a diferença
Outro ponto destacado pelo especialista é a influência do ambiente familiar. Evidências mostram que crianças são mais ativas quando os pais participam ou dão exemplo.
“A criança não aprende hábito saudável apenas ouvindo orientações. Ela aprende observando. Quando a família se movimenta junto, o exercício deixa de ser obrigação e passa a fazer parte da rotina”, afirma.
Além dos benefícios físicos, o movimento em conjunto favorece a convivência, a presença e o desenvolvimento de habilidades emocionais, como tolerância ao esforço e frustração.
Pequenas mudanças, impactos reais
A recomendação de entidades de saúde é que crianças e adolescentes realizem, em média, pelo menos uma hora diária de atividade física. No entanto, o médico reforça que isso pode ser construído de forma gradual.
“Trocar parte do tempo sedentário por 10 a 20 minutos de movimento bem orientado, algumas vezes por semana, já faz diferença. O mais importante é que seja algo possível dentro da rotina da família”, orienta.
Para o especialista, estimular uma infância mais ativa é um investimento de longo prazo.
“Oferecer à criança um corpo mais ativo e uma mente mais organizada é uma das maiores vantagens que uma família pode proporcionar hoje. É simples, mas tem impacto profundo na saúde e no desenvolvimento”, conclui Dr. Raphael.
* Edição por Lina Santiago
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