Mariana Kotscho
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Aumento de intoxicações em crianças e pets: a importância da segurança em ambientes com plantas

Três ações são essenciais para garantir um ambiente seguro: escolha de plantas seguras, manejo responsável e métodos naturais de controle de pragas

Redação* Publicado em 01/07/2026, às 06h00

Muitas plantas utilizadas em jardins são tóxicas para crianças e animais. - Foto: Canva Pro
Muitas plantas utilizadas em jardins são tóxicas para crianças e animais. - Foto: Canva Pro

O Brasil enfrenta um aumento alarmante nos casos de intoxicação acidental entre crianças pequenas, especialmente devido ao uso inadequado de agrotóxicos e plantas ornamentais, com 38% dos atendimentos em 2025 ocorrendo na faixa etária de 1 a 4 anos.

Dados do sistema DATATOX mostram um crescimento contínuo nos atendimentos por intoxicação, passando de 2.254 em 2021 para 4.891 em 2025, evidenciando a vulnerabilidade das crianças em fase de exploração do ambiente.

Para mitigar os riscos, o Jardim do Bicho propõe ações como a escolha de plantas seguras, manejo responsável de produtos químicos e o uso de métodos naturais de controle de pragas, enfatizando a importância de um ambiente seguro para o desenvolvimento infantil.

Resumo gerado por IA

Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado um aumento preocupante nos registros de intoxicação acidental, especialmente entre crianças pequenas, devido ao uso inadequado de agrotóxicos, plantas ornamentais e fungos em ambientes residenciais e escolares. O Jardim do Bicho, uma organização comprometida com a promoção de ambientes verdes seguros, alerta para a crescente vulnerabilidade de crianças na faixa etária de 1 a 4 anos, que estão em fase de intensa exploração do ambiente.

Um relatório recente do sistema DATATOX, utilizado por Centros de Informação e Assistência Toxicológica, revela um crescimento constante nos atendimentos por intoxicação entre 2021 e 2025:

  • 2021: 2.254 atendimentos
  • 2022: 2.638 atendimentos
  • 2023: 3.302 atendimentos
  • 2024: 3.914 atendimentos
  • 2025: 4.891 atendimentos
  • 2026: 2.585 atendimentos (dados parciais de apenas 5 meses)

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Esses dados demonstram um aumento alarmante dos casos de intoxicação, com as crianças de 1 a 4 anos representando uma parcela significativa dos atendimentos. Em 2025, foram registrados 1.858 casos nesta faixa etária, o que equivale a 38% do total de intoxicações. Em 2026, como mostram os dados acima, os atendimentos já somam 2.585 em apenas cinco meses. "É fundamental que os responsáveis estejam cientes dos riscos associados ao manejo inadequado de plantas e produtos químicos em ambientes onde as crianças brincam e convivem", alerta Simone Arthur, autora do projeto Jardim do Bicho.

‘’Crianças entre 1 e 4 anos estão em fase de intensa exploração do ambiente, com tendência a tocar objetos, folhas, flores, terra e outras superfícies, levando frequentemente as mãos e objetos à boca. É a chamada fase oral, em que o contato direto com o ambiente aumenta a vulnerabilidade a exposições acidentais’’, completa.

A preocupação também se estende aos animais domésticos. Cães e gatos interagem com o ambiente de forma muito próxima: cachorros podem ingerir grama, lamber as patas após caminhar em áreas tratadas, cheirar o solo ou mastigar folhas; gatos podem mordiscar plantas ornamentais, explorar vasos e ter contato com substratos ou folhas tratadas.

No caso dos pets, porém, há uma dificuldade adicional: não existe no Brasil uma base nacional ampla e consolidada que concentre, de forma sistemática, os casos de intoxicação animal por plantas ornamentais, agrotóxicos ou produtos utilizados no manejo de jardins. Os dados disponíveis aparecem de forma fragmentada, em estudos retrospectivos, prontuários de hospitais veterinários universitários, questionários com médicos veterinários e publicações acadêmicas regionais.

Já a combinação do aumento dos registros de intoxicação e a vulnerabilidade das crianças ressalta a urgência de uma nova cultura de prevenção. O Jardim do Bicho propõe três ações essenciais para garantir um ambiente seguro:

  1. Escolha de Plantas Seguras: Optar por espécies que não sejam tóxicas para crianças.
  2. Manejo Responsável: Monitorar e restringir o uso de agrotóxicos e produtos químicos em ambientes frequentados por crianças.
  3. Métodos Naturais: Priorizar o uso de métodos de controle de pragas que sejam menos agressivos e mais seguros.

O Jardim do Bicho enfatiza que a biofilia e o contato com a natureza são benéficos para o desenvolvimento infantil, mas devem ser promovidos com responsabilidade. "Um jardim seguro não depende apenas da beleza das plantas, mas também da forma como ele é planejado e mantido", conclui Simone Arthur.

*Edição por Lina Santiago

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