Mariana Kotscho
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Perdas auditivas e colesteatoma: o que os pais precisam saber sobre diagnóstico precoce

Exame BERA detecta precocemente perdas auditivas e evita atrasos na fala de crianças

Redação* Publicado em 16/03/2026, às 06h00

Criança de cerca de 2 anos brinca enquanto utiliza aparelhp auditivo
Estima-se que 34 milhões de crianças no mundo apresentem perda auditiva incapacitante - Foto: Canva Pro

Estima-se que até 2050, 2,5 bilhões de pessoas terão algum grau de perda auditiva, com 34 milhões de crianças afetadas globalmente, sendo o Brasil um dos países com maior prevalência entre jovens, atingindo 4,1%. A perda auditiva infantil, que pode ser evitada em 60% dos casos, destaca a importância de prevenção e diagnóstico precoce.

As causas da deficiência auditiva incluem malformações congênitas, doenças infecciosas durante a gestação e condições como o transtorno do espectro autista e a síndrome de Down, que aumentam o risco de perda auditiva associada.

A série 'Peppa Pig' introduziu um personagem surdo, promovendo a inclusão e a conscientização sobre a surdez, enquanto especialistas recomendam o exame BERA para diagnóstico precoce, essencial para o desenvolvimento da fala e intervenção adequada, incluindo o uso de próteses auditivas ou implantes cocleares quando necessário.

Resumo gerado por IA

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicados em 2025, apontam que cerca de 2,5 bilhões de pessoas terão algum grau de perda auditiva até 2050. No universo infantil, estima-se que 34 milhões de crianças no mundo apresentem perda auditiva incapacitante, sendo que o Brasil está entre os países com maior prevalência entre crianças e adolescentes, atingindo 4,1%. Segundo a literatura médica, a perda auditiva infantil acomete de 2 a 5 crianças a cada 1.000 nascidos vivos, e aproximadamente 60% dos casos poderiam ser evitados com prevenção adequada durante a gestação, triagem neonatal e acompanhamento otológico contínuo.

Esse assunto está sendo tratado de forma tão ampla que, a nova fase da série Peppa Pig, lançada em 2026, apresenta um avanço significativo na representação da diversidade infantil ao revelar que George Pig, irmão mais novo de Peppa, é moderadamente surdo. No enredo, o personagem passa por avaliação com uma audiologista — interpretada pela atleta Jodie Ounsley, que também é surda — e passa a usar um aparelho auditivo, incorporado de forma permanente ao personagem. A produção desenvolveu o capítulo em parceria com a National Deaf Children’s Society, garantindo precisão na abordagem da surdez e reforçando a importância do diagnóstico precoce. Além de explicar seu padrão de fala reduzido, a narrativa convida o público a compreender o universo sonoro de George, que passa a vivenciar sons de forma diferente e, em um dos episódios, chega a pronunciar o nome da irmã pela primeira vez. A iniciativa amplia a representatividade de crianças com perda auditiva e fortalece a mensagem de inclusão e acolhimento no conteúdo dirigido ao público pré-escolar.

As causas para deficiência auditiva são variadas, como por exemplo: malformações congênitas, doenças genéticas, síndromes e doenças infecciosas durante a gestação (rubéola, sífilis, citomegalovírus e toxoplasmose). Crianças com TEA (transtorno do espectro autista) e com síndrome de Down têm maior risco de apresentar perda auditiva associada.

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O Dr. Robinson Koji Tsuji, otorrinolaringologista e coordenador do Programa de Diagnóstico Precoce da Surdez do Sabará Hospital Infantil, enfatiza que identificar alterações auditivas nos primeiros meses de vida é fundamental e que os pais devem observar atentamente o comportamento sonoro dos bebês. “Por volta de um ano, a criança já começa a emitir suas primeiras palavras. Se ela não reage a estímulos auditivos ou apresenta atraso na fala, é essencial buscar avaliação especializada. O exame BERA permite detectar precocemente possíveis comprometimentos da audição”, orienta o Dr. Koji.

O exame BERA — Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico — geralmente solicitado após falha no Teste da Orelhinha, tem se consolidado como um dos principais exames para diagnosticar precocemente alterações auditivas em bebês e crianças. O método avalia a resposta da via auditiva até o tronco encefálico por meio de estímulos sonoros e não exige qualquer resposta voluntária, sendo ideal para recém-nascidos e bebês que ainda não conseguem realizar testes comportamentais. O BERA é uma das ferramentas mais importantes da otorrinolaringologia pediátrica moderna. Ele ajuda a confirmar suspeitas, orientar condutas e definir o melhor momento para intervenção, pois quanto mais cedo, melhor o prognóstico.

“A audição é fundamental para o desenvolvimento da fala, e a falta de diagnóstico precoce da perda auditiva pode gerar atrasos de linguagem, dificuldades escolares e prejuízos sociais. A surdez tem tratamento: após o exame BERA, a criança passa por avaliação fonoaudiológica e pode receber próteses auditivas; quando não há benefício adequado, indica-se o implante coclear. A criança pode realizar esse exame mais detalhado e caso tenha necessidade, poderá realizar até cirurgias, tudo sob a supervisão de uma equipe multidisciplinar”, explica o especialista.

O tema da audição também está sendo debatido em rede nacional, com a apresentação de uma criança que está perdendo completamente a audição. Na novela Êta Mundo Melhor!, a personagem Anabela sofre com dores fortes no ouvido e perda auditiva progressiva causada por uma doença chamada colesteatoma. O colesteatoma representa aproximadamente 10% dos casos de otite média crônica, no qual ocorre um crescimento anormal de pele dentro do ouvido médio e da mastoide. Embora seja uma lesão benigna, ele se comporta de forma destrutiva, podendo erodir os ossículos da audição, causar perda auditiva progressiva, tontura e até levar à paralisia facial em casos avançados. Tem como principal sintoma uma secreção persistente de odor fétido no ouvido, podendo ser classificado em dois tipos: o adquirido e o congênito. O colesteatoma adquirido tem relação com infecções crônicas e repetidas do ouvido e a disfunção da tuba auditiva, que traciona o tímpano para dentro. O colesteatoma congênito, por sua vez, está presente desde o nascimento, e surge durante o desenvolvimento fetal. É fundamental que a criança seja avaliada o quanto antes, porque o único tratamento definitivo é a remoção cirúrgica”, alerta o Dr. Koji.

* Edição por Lina Santiago

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