Mariana Kotscho
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Gabi, feliz Dia dos Pais

Uma homenagem ao Dia dos Pais: as transformações que a paternidade traz, a experiência de ser pai de Gabi e as lições que herdei do meu pai falecido.

Antoune Nakkhle* Publicado em 09/08/2026, às 07h00 - Atualizado às 13h24

Antoune e sua filha Gabriela. - Foto: Acervo pessoal/ Antoune Nakkhle
Antoune e sua filha Gabriela. - Foto: Acervo pessoal/ Antoune Nakkhle

Antoune Nakkhle reflete sobre a paternidade e a perda de seu pai, que faleceu repentinamente quando ele tinha apenas 10 anos, o que moldou seu desejo de ser um pai presente e atencioso.

Ao se tornar pai da Gabriela aos 35 anos, Nakkhle se questiona sobre como transmitir os ensinamentos que recebeu, destacando a importância da empatia e do afeto na relação pai-filho.

A experiência de ser pai transformou sua perspectiva, e ele expressa gratidão à filha por lhe ensinar sobre a verdadeira paternidade, celebrando o Dia dos Pais com uma mensagem especial para ela.

Resumo gerado por IA

Eu sempre quis ser pai e os motivos eram vários. Quando via um pai com seu filho ou filha no dia a dia, no cinema, no parque, na padaria ou na rua interagindo, eu pensava: puxa, os pais sabem tudo, ensinam tudo, tiram qualquer dúvida.

Eu perguntava para meu pai:

— Como pode isso? Vocês entendem de tudo? Com quem aprenderam tantas coisas?

Ele ria.

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Quando eu tinha 10 anos, meu pai morreu de repente. Dormindo.

Não preciso dizer a tragédia que isso significou dentro mim. Além de me sentir abandonado, fiquei com muita raiva dele, como se o infarto fulminante que o levou embora aos 50 anos tivesse sido sua escolha.

Com o passar dos anos, eu passei a querer ser o pai que ele não teve tempo de ser. Como seria nossa conversa quando eu contasse a ele sobre minha primeira experiência sexual? Será que ele iria gostar da minha primeira namorada? Ele me apoiaria na escolha da minha profissão? Ficaria bravo quando eu bati o carro logo após tirar a habilitação?

Ao meu lado, ele foi pai por 10 anos e para minha irmã, Lilian, ele o foi por 17 anos. Éramos muitos jovens e precisamos seguir a vida sem ele, ao lado da minha mãe. Um apoiando o outro da forma que conseguíamos e sabíamos. Nossos parentes, amigos e, especialmente, a rede de apoio que minha mãe, naturalmente, construiu com seu coração amigo e generoso com todos à sua volta foram fundamentais para nos dar suporte emocional.

Aos 35 anos me tornei pai da Gabriela ao lado da minha então esposa, Eliete. Como já disse em outros textos aqui, queríamos ter filhos biológicos e por adoção e a segunda opção foi a que se concretizou.

Foi aí, quando Gabi nasceu e chegou para nós que me perguntei: como vou explicar tudo para minha filha da forma que meu pai tão bem me ensinou até meus 10 anos? Se ela for tão questionadora quanto eu fui, estou lascado!

Desde o dia em que peguei Gabi no colo com 28 horas de vida e ela imediatamente segurou no meu dedão de olhos ainda fechados, entendi: colocar-se no lugar de seu filho com humildade e afeto é o que dizem ser pai de verdade.

Essa foi a maior transformação que a paternidade fez e continua fazendo dentro de mim.

Obrigado por ter me ensinado isso e tantas outras coisas, minha filha.

Feliz Dia dos Pais, Gabi.

*Antoune Nakkhle é jornalista, assessor de comunicação e pai da Gabriela, atualmente com 22 anos. Um pai branco de filha preta.

Se quiser falar com o autor: paibrancofilhapreta@gmail.com

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