Muitas jovens acreditam que ter cólica com dor intensa é normal, mas isso pode ser um sinal de endometriose que precisa de atenção
Dr. César Patez* Publicado em 23/06/2026, às 06h00

O atraso no diagnóstico da endometriose é um grande desafio, especialmente entre adolescentes que frequentemente consideram cólicas intensas como normais, o que pode afetar sua qualidade de vida e fertilidade futura.
Sintomas como dores incapacitantes, alterações intestinais e fadiga intensa são sinais que devem ser investigados, pois a doença pode impactar não apenas a saúde física, mas também a saúde mental das jovens.
A conscientização dos pais é crucial para um diagnóstico precoce, e quanto mais cedo a endometriose for identificada, maiores serão as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida das adolescentes afetadas.
Um dos maiores desafios da endometriose é justamente o atraso no diagnóstico. E isso acontece com frequência ainda maior quando os sintomas surgem na adolescência. Muitas jovens passam anos ouvindo que sentir cólica intensa é “normal”, quando, na verdade, a dor pode ser um sinal importante de uma doença que impacta diretamente qualidade de vida, saúde emocional e fertilidade futura.
No consultório, é muito comum encontrar adolescentes que já convivem com dores incapacitantes durante o período menstrual, mas que demoraram a procurar ajuda porque acreditavam que aquilo fazia parte do crescimento. Precisamos mudar essa percepção.
Cólicas muito fortes, que impedem a adolescente de ir à escola, praticar atividades físicas ou manter a rotina normal, merecem investigação. Outros sinais que também chamam atenção são dor pélvica fora do período menstrual, alterações intestinais durante a menstruação, dor ao evacuar, fadiga intensa e sangramento excessivo.
A endometriose pode surgir desde cedo e afetar não apenas o corpo, mas também a saúde mental dessas jovens. Muitas adolescentes desenvolvem ansiedade, isolamento e sofrimento emocional por não conseguirem acompanhar atividades sociais e escolares da mesma forma que outras pessoas da mesma idade.
Os pais têm papel fundamental nesse processo. Escutar a adolescente, validar a dor e procurar avaliação médica quando os sintomas interferem na qualidade de vida faz toda diferença para um diagnóstico mais precoce.
Quanto antes identificamos a doença, maiores são as chances de controlar sintomas, reduzir inflamação e preservar qualidade de vida ao longo dos anos. Dor incapacitante nunca deve ser encarada como algo normal na adolescência.
*Dr. César Patez é ginecologista do Espírito Santo, especializado em endometriose e saúde da mulher
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